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Talita Nozomi fala sobre trabalho, joias, viagens e livros

'Sou muito crítica com meu trabalho e o dos outros. Prezo pela qualidade de tudo'


por Henrique Minatogawa
11.05.2012

Quando cheguei ao atelier da designer Talita Nozomi para esta entrevista, ela estava arrumando o espaço para uma exposição. Como havia chegado um pouco cedo demais, ela pediu que eu esperasse alguns minutos.

Dizem que uma estante de livros fala muito sobre seu dono. Assim, comecei a ler os títulos. Havia livros dos mais variados gêneros. Literatura, culinária, fotografia, artes, filosofia, um atlas, mangá, linguística, botânica, moda, design, arquitetura, dicionários, guias de viagem… Máquinas fotográficas completavam o espaço nas prateleiras. Clássicas, inclusive uma Ricoh Diacord, do fim dos anos 50, que pertenceu ao avô de Talita.

Talita contou a história da estante. “Vi a foto em uma revista e quis uma igual. Um dia, passei na frente de uma marcenaria. Resolvi entrar e contei o caso. ‘Vi uma estante em uma revista…”, quando o dono disse: ‘Eu saí em uma revista’. Era exatamente a mesma que eu havia visto!”.

Naquela estante, ela explicou, estava apenas uma parte de sua coleção. “Gosto muito de livros. Nas viagens, deixo de comprar roupas, mas trago livros”, disse Talita. “Ela paga por excesso de livros”, brincou Marceuda, designer de joias e amiga de Talita que estava ajudando na organização da exposição.

Em seguida, Talita mostrou seu trabalho de conclusão de curso da faculdade, inspirado na obra do escritor japonês Yasunari Kawabata. Depois, comentou alguns outros livros na estante.

No fim, ela me emprestou um e recomendou cinco.

No começo de junho, Talita lança seu novo livro, chamado A Calorosa Aventura. “Foi inspirado no Deco, filho da minha amiga Marceuda”, disse.

Talita NozomiTalita NozomiLeia, a seguir, entrevista com Talita Nozomi

Talita, fale um pouco sobre sua carreira. Sei que você já fez muitas coisas…
No começo, eu queria fazer produção cultural, que só tem em Niterói e na Bahia. Decidi que iria para a Bahia, então comecei a estudar só para passar na Universidade Federal da Bahia. É um vestibular bem regional; o conteúdo é bem diferente do que cairia em uma USP ou Unicamp. Estudei e então fui fazer a prova. Só que eu zerei em redação. Se tivesse tirado 5, teria passado. Só se zera em redação se escrever uma palavra a lápis, sair do tema ou rasurar. Sempre fui bem em redação e tenho certeza de que não fiz nenhuma dessas três. Foi muito estranho. Chorei muito por isso.

Então resolvi ir para a Itália. Comecei a pesquisar em sites, procurando bolsas de estudo. Então encontrei o curso “Design de Joias” no IED (Istituto Europeo di Design), que há um ano estava no Brasil mesmo. Quando falei para minha mãe “acho que encontrei um curso”, ela disse “Ah, então vá fazer”. Fui na terça e na quinta, comecei.

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