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Evento: Testes Made in Japan

A História de Buda em Mangá

Mangá pode ser bom primeiro contato para os interessados em budismo


por Henrique Minatogawa
18.04.2012

Capa de A História de Buda em MangáCapa de A História de Buda em MangáLançar versão mangá de histórias já consagradas pode ser um meio de renovar o público. Star Wars, Turma da Mônica e a Bíblia passaram por isso. Agora, A História de Buda em Mangá conta parte da trajetória de Sidarta Gautama, que viveu há cerca de 2.600 anos.

No mangá, Sidarta é o príncipe de Kapilavastu, reino localizado onde hoje é a fronteira entre o Nepal e a Índia. Em passeios ao redor do castelo, ele tem contato com a população e também com a natureza. Depois de presenciar a doença, velhice e a morte das pessoas, ele começa a questionar sua própria condição e também o propósito de viver.

O príncipe, então, abandona a vida palaciana, em busca do verdadeiro sentido da vida. No mangá, é possível perceber que a busca por iluminação era algo anterior a Sidarta, com citações em conversas com seu pai e também com a presença de monges em prática ascética.

A história prossegue, mostrando as etapas vividas por Sidarta até alcançar a iluminação e o início da transmissão dos ensinamentos. Na cena do primeiro sermão, chamado “o primeiro giro da roda da verdade”, aparecem os cervos, que por muito tempo foram considerados sagrados no Japão, importantes tanto para o budismo como para o xintoísmo.

Destaque para o glossário, que explica brevemente alguns conceitos budistas. Assim, buda é “termo que se refere à pessoa que alcançou o nível mais alto de iluminação do universo”; o texto continua, afirmando que “são incontáveis os budas que existem no universo”. Portanto, a equiparação entre “deus” e “buda” não é adequada, seja com inicial maiúscula ou não.

Lobo Solitário
Nos capítulos 3, 4, 5 e 10, Buda chega a lembrar Lobo Solitário, mangá de Kazuo Koike e Goseki Kojima que contém inúmeras referências budistas e que, em muitas histórias, também abordou a pobreza e a velhice, como em “A Vila dos Famintos”, ainda que sob uma perspectiva social.

Embora haja pequenos momentos de humor, o tom do texto de Buda é uniforme. O protagonista é somente o príncipe Sidarta, ou seja, não há tramas paralelas. A menina Uda, que chega a esboçar um destaque, fica diluída, assim como os guardas, que, na tradição budistas, têm representatividade maior.

As ilustrações, por outro lado, apresentam mais variação nas expressões, inclusive com os trejeitos típicos de quadrinhos japoneses. Por exemplo, a mão na parte de trás da cabeça para mostrar uma situação embaraçosa.

Durante a leitura, em momento algum se esquece do fato de que é uma história de fundo religioso, doutrinário ou filosófico – dependendo da sua opinião – mesmo no formato de um mangá comum.

Para quem se interessa por budismo, mas acha que os livros do Dalai Lama são muito complexos, A História de Buda em Mangá pode ser um bom primeiro contato.

Clique em uma das imagens abaixo para ler trechos do mangá

Serviço
A História de Buda em Mangá
Autor: Hisashi Ohta, com supervisão de Kentaro Ito
Tradução: José Rubens Siqueira de Madureira
Editora: Satry
Ano: 2011
240 páginas

Cobertura completa: Testes Made in Japan
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