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Evento: 13 anos de Made in Japan

Tudo vira mangá

Não importa a idade. No Japão há gibis para todos os gostos. De temas religiosos a séries pornográficas. O fenômeno editorial, sem equivalente no mundo, vende por ano 2,2 bilhões de exemplares e movimenta 5,5 bilhões de reais


por Felipe Miura
02.09.2010

Em 15 de setembro de 1997, a revista Made in Japan lançou seu primeiro número. Esta reportagem, que você lê a seguir, foi publicada originalmente naquela edição e fala sobre o fenômeno do mangá (quadrinhos japoneses) na Terra do Sol Nascente. Os primeiros mangás traduzidos para o português só chegariam ao Brasil mais de dois anos depois, em 2000. A Made in Japan, já em sua edição de estreia, previa a formação de um mercado nacional.

História em quadrinho não é coisa de criança no Japão. O mangá, como é chamado o gibi japonês, é um hábito que sobrevive ao final da infância. Ele continua como principal hábito de leitura durante toda a vida dos japoneses. Engana-se quem pensa que é coisa de aficionados. Nada disso. Basta entrar em qualquer trem ou metrô para se deparar com alguém lendo mangá. Nenhum livro ou revista bate os quadrinhos nas vendas. Existem nada menos do que 273 títulos à disposição do consumidor nas bancas. Só no ano passado (1996), os japoneses deixaram 580 bilhões de ienes (5,5 bilhões de reais) na compra de 2,2 bilhões de exemplares – o que dá quase um mangá para cada três habitantes do planeta.

Tirando a capa, a contracapa e algumas poucas páginas coloridas no começo do mangá, eles são produzidos, na maior parte, em preto-e-branco. Usam papel reciclado, tingido de cores inusitadas como verde ou rosa para disfarçar a origem. Como têm produção em grande escala, custam muito barato. A revista mais vendida do Japão, a Weekly Boys’ Jump, que tem uma tiragem semanal de 5,28 milhões de exemplares, sai por 200 ienes (cerca de 1,91 reais). Pouquíssimo, considerando-se que tem 450 páginas e vinte histórias diferentes. Ela não é exceção. As outras publicações também são grossas como listas telefônicas e dificilmente passam dos 400 ienes (cerca de 3,80 reais).

As editoras já perceberam que o mangá é o melhor veículo de comunicação para falar sobre qualquer assunto. A venda é certa. Da história de Buda até uma intrincada explicação sobre o sistema jurídico japonês, de casos de amor entre adolescentes a pesados envolvimentos sexuais, tudo vira quadrinhos. Mas sempre com o tradicional respeito oriental. Nas cenas de sexo, por exemplo, não aparecem em hipótese alguma os órgãos genitais.

Até mesmo a Bíblia se tornou mangá. Mas antes de distribuírem a edição, os produtores tiveram a precaução de ir ao Vaticano pedir autorização ao Papa – conseguiram a benção. Tanto cuidado é compreensível. Por causa da sua popularidade, frequentemente os mangás acabam tendo repercussões até mesmo políticas. Em 1989, uma nova história chamada “Chinmoku no Kantai” (Nave do Silêncio) falava sobre o Tratado de Segurança com os Estados Unidos. Contava a história de Kaieda, o comandante do mais poderoso submarino nuclear já construído, projetado em conjunto pelos Estados Unidos e Japão. O comandante se rebela contra os dois países e declara o submarino como uma nação independente, batizada de Yamato.

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Cobertura completa: 13 anos de Made in Japan
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Artes
13 anos de Made in Japan
Edição N°1 da revista Made in Japan
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