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Entrevista: Os vencedores do WCS Brasil 2010

Gabriel Niemietz e Gabrielle Valério representarão o País na final do campeonato mundial de cosplay


por Giuliano Peccilli*
26.07.2010
Os campeões do WCS 2010 - Etapa JBC Brasil: Gabrielle Valério e Gabriel Niemietz
Os campeões do WCS 2010 - Etapa JBC Brasil: Gabrielle Valério e Gabriel Niemietz

Os campeões do World Cosplay Summit (WCS) Brasil, Gabriel Niemietz e Gabrielle Valério, estão a caminho do Japão. Eles chegarão no arquipélago em 27 de julho e participarão da final mundial do campeonato de cosplay no dia 1° de agosto, em Nagoya.

No torneio, os candidatos têm de confeccionar suas próprias fantasias e interpretar, no palco, personagens de mangás (quadrinhos japoneses), animes (desenhos japoneses) ou videogames. Os critérios de avaliação são qualidade das fantasias, performance no palco e fidelidade aos personagens.

“Eu quero contato com todos os países. É o que mais estou esperando deste WCS”, diz Gabrielle, sobre suas expectativas em relação à final mundial.

Gabriel, 28 anos, e Gabrielle, 25 anos, venceram a final brasileira, realizada durante o Festival do Japão, no dia 18 de julho, em São Paulo. Eles realizaram uma apresentação inspirada no jogo Valkyrie Profile 2, sendo que Lenneth, a personagem de Gabrielle, “voou” a um metro e meio do chão, no palco.

Essa não é a primeira vez que Gabriel ganha o WCS Brasil. Ele já havia vencido o campeonato, ao lado da cosplayer Jéssica Campos, em 2008, ano em que foi também campeão mundial. Confira a entrevista com os cosplayers.

Entrevista - Gabriel Niemietz e Gabrielle Valério
Enquanto representam o Brasil no WCS, o que pretendem fazer no Japão?
Gabrielle: Vamos direto para Nagoya. No tempo livre quero conhecer tudo! E fazer compras. O Gabriel já conhece bem, então será meu guia turístico.
Gabriel: Já está tudo certinho.

Como se interessaram pelo cosplay?
Gabriel: Meu irmão ia a eventos de mangá e anime (quadrinhos e desenhos japoneses) entre 2000 e 2001. Ele sempre trazia fotos do pessoal vestido como personagens, e eu pensava: “que bando de loucos”. Em 2004, fui a um evento e entendi o que era. Gostei e comecei a trazer para o hobby o que eu conhecia de teatro.
Gabrielle: Eu ia a eventos de mangá e anime entre 2001 e 2003. Fui acompanhar um amigo de colégio que fazia cosplay, que me pediu para carregar algumas coisas enquanto ele tirava fotos. Acabei gostando e fiz um cosplay de jogo.

Qual foi o seu primeiro contato com a cultura pop japonesa?
Gabrielle: Vejo animes desde criança. Havia fitas dos desenhos Minky Momo e Urusei Yatsura na locadora perto de casa. Fui também da geração Sailor Moon e Cavaleiros do Zodíaco no Brasil. Adorava o traço e a história dos animes.
Gabriel: Desde pequeno, sempre fui apaixonado por mestiças. Gosto de quase tudo do povo japonês: a comida, os games, animes, mangas, era medieval.

Como foi ganhar o WCS Brasil?
Gabriel: Ganhar duas vezes o WCS Brasil é estabelecer uma meta muito difícil de ser igualada. Eu fiquei feliz que a apresentação inteira saiu como desejei. Eu estava com medo de não conseguir fazer como eu queria.
Gabrielle: Ainda não caiu a ficha. Eu estou naquela coisa de “vou acordar e descobrir que não venci nada”.

Qual foi sua inspiração para escolha do tema do seu cosplay, para o WCS?
Gabrielle: Eu adoro o jogo Valkyrie Profile, porém achava dramático demais para uma apresentação cosplay. O Gabriel tinha uma ideia de voo, mas não tinha uma apresentação para encaixá-la. Ele sabia que eu tinha uma armadura de Valkyrie começada, então sugeriu usar a ideia do voo com ela.

Como foi o processo de construção das fantasias?
Gabrielle: Bem demorado. Peguei os pedaços que tinha da armadura e refizemos partes. Começamos em novembro de 2009. Separamos muitos jornais para a armadura, papelão, e.v.a., fomos atrás dos tecidos mais parecidos. Fizemos com calma.

Como é o apoio em casa para um hobby como o cosplay?
Gabrielle: Minha família sempre me apoiou, mas eles achavam que eu deveria economizar o pouco que ganhava e não gastar com fantasias. Depois do primeiro prêmio, tudo mudou. Ganhei um videogame em um torneio cosplay. Foi quando passaram a se interessar. Hoje, até ajudam a fazer alguns acessórios. A família inteira vai torcer sempre que participo.
Gabriel: Minha família é super ativa para ajudar e torcer. Eu e a Gabrielle temos muita sorte.

Quanto gastam na confecção de um cosplay?
Gabrielle: Depende muito. Tecidos e costureira são caros. Armaduras são feitas com jornais ou e.v.a., então saem mais barato. Já gastei 30 reais com um cosplay mais simples, mas também já gastei 400 reais com um mais complicado. Esse valor pode subir ainda mais, dependendo da roupa.
Gabriel: A coisa mais cara em cosplay é tinta e costura, mas tem de fazer bonito. Já vi um cosplay lindo custar 50 reais, enquanto outro igualzinho, mas mal feito, custar 200. Aí, entra o talento.

Em quatro anos de WCS no Brasil, já ganhamos duas vezes o título mundial. Qual é o diferencial dos brasileiros?
Gabrielle: O brasileiro é muito criativo. Muito animado também. Quando fazemos algo, fazemos com o coração. Tentamos sempre superar nossos limites e aprender com os outros. Acho que esses são os pontos mais importantes.
Gabriel: Tem de saber fazer bem feito sem material.

* Giuliano Peccilli, formado em Publicidade pela FAAP, é admirador de cultura pop japonesa. Já trabalhou nas revistas Anime Do e Neo Tokyo. Hoje, escreve para a Nintendo World. Possui o site J-Wave, focado em produções japonesas, como dorama, J-music, anime e mangá. Também tem um podcast de mesmo nome

Veja também:
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