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Decoração moderna com tatamis

A esteira tipicamente japonesa ganha novos usos na decoração das casas brasileiras


por Redação Made in Japan
03.01.2010
O tatami decora o ambiente juvenil em uma colorida opção de dormitório
O tatami decora o ambiente juvenil em uma colorida opção de dormitório

Discreto, pouco vistoso e muito simples. Quem não conhece, não imagina que o tatami tem uma abrangente influência sobre a cultura e o modo de vida japonês. A utilização do tatami fez com que os japoneses passassem a viver e trabalhar mais próximos ao chão.

Desde que o uso da esteira começou a ganhar destaque há mais de mil anos, algumas atividades foram adaptadas para ficar mais perto do solo, como a cerimônia do chá, os rituais religiosos e até as refeições.

Tatami: opção para  decoração do quarto das crianças ou a sala de brinquedos
Tatami: opção para decoração do quarto das crianças ou a sala de brinquedos

No Brasil, o tatami ficava restrito aos restaurantes japoneses, templos budistas e academias de artes marciais, mas nos últimos anos tem conquistado novos clientes e diversas formas de utilização.

A esteira grossa, recheada com palha de arroz e coberta com junco trançado, continua discreta. Mas ganhou uma imagem sofisticada que até destoa da simplicidade original. Agora, pode ser encontrada em salas de TV, canto para meditação e até varanda coberta.

Os ozashiki (sala com tatami) do restaurante Hinode, na Liberdade, foram projetados pelo decorador Jooji. Segundo o chef Sekai Sekiguchi, o local é mais procurado por casais que querem privacidade
Os ozashiki (sala com tatami) do restaurante Hinode, na Liberdade, foram projetados pelo decorador Jooji. Segundo o chef Sekai Sekiguchi, o local é mais procurado por casais que querem privacidade

No chão, sob o piso de madeira o tatami faz as vezes de um tapeteNo chão, sob o piso de madeira o tatami faz as vezes de um tapeteUm dos ambientes em que mais funciona no Ocidente é na sala para brinquedo ou quarto dos filhos. “Os pais descobriram no tatami uma boa opção para as crianças brincarem: uma delas é proteger do frio”, diz Andréa Tomita, gerente da loja Futon&Home. O próprio showroom do estabelecimento sugere novas utilizações e padronagens para o tatami e outros objetos, mesclando o Oriente com o Ocidente.

Com a versão multiuso e mais “divertida” do tatami, o número de clientes não-nikkeis que procuram por esse tipo de decoração tem aumentado nos últimos quatro anos. “Atualmente, posso dizer que está meio a meio: 50% são clientes nikkeis, e outros 50%, não-nikkeis”, revela Andréa.

Casas japonesas

"Eu e minha família gostamos da proximidade com o chão proporcionada  pelo tatami. Outra coisa que me surpreendeu muito no tatami foi o cheiro. É muito bom!" Roberto Krunfly, comerciário
“Eu e minha família gostamos da proximidade com o chão proporcionada pelo tatami. Outra coisa que me surpreendeu muito no tatami foi o cheiro. É muito bom!” Roberto Krunfly, comerciário

Enquanto no Brasil o tatami está em alta, no arquipélago, as casas japonesas estão sofrendo um processo de ocidentalização.

Se antes, todos os cômodos eram forrados com a esteira, atualmente apenas os quartos preservam a tradição. Alguns apartamentos mais modernos das grandes cidades dispensam o uso do tatami e dos futon, substituídos por piso comum e camas.

Em movimento contrário, a decoração brasileira tem valorizado cada vez mais os móveis com estilo nipônico. O comerciário Roberto Krunfly Filho, 41 anos, é um exemplo de um não-descendente que decorou uma sala de sua casa com tatami, além de outros objetos típicos. “A gente tem uma outra sala, bem maior, mas todos preferem o cantinho japonês onde assistimos à TV”, diz.

Junichi Hiwatashi, mais conhecido como Jooji, que projeta e executa ambientes orientais, explica que atualmente muitos querem o tatami para fazer ioga, meditação, relaxar, reunir amigos para fazer uma refeição, para o home theater. Com mais de 50 anos de experiência, ele vivenciou a mudança de público.

“Antigamente, os tatami eram solicitados apenas por clientes japoneses, proprietários de restaurantes, para templos, kenjinkai, karaokês, clínicas de massagem. Hoje, muitos nikkeis e brasileiros procuram construir um espaço oriental em sua residência em busca de conforto e relaxamento”, diz. Ao que tudo indica, o tatami já encontrou um novo espaço no Brasil.

Origem e história

A palavra tatami, que deriva do verbo tatamu - que significa dobrar para compactar, arrumar ou organizar - tem relação com sua praticidade, pois o acessório pode ser empilhado quando não está em uso.

Também existem registros de que os tapetes empilhados eram chamados de tatami – os dois primeiros ideogramas de seu nome significam grosso, e o terceiro significa belo. Existe outra versão da origem da palavra que diz que vem do significado da junção das palavras “Ta” (Mão) e “Ami” (Tecelagem), ou seja, “é um artigo tecido/trançado à mão”.

Após o período Kofun, quando se passou a criar espaços para dormir, surgiram os tapetes feitos com vários tipos de materiais como o couro, lã, fibras vegetais. Todos os tapetes eram considerados tatami.

A esteira foi se transformando com o passar dos anos. No período Heian (794-1185) a peça era produzida em diversas espessuras com bordas (herinuno). As cores diferentes simbolizavam a classe social do dono da casa. Nessa época o tatami era utilizado apenas por unidades, em alguns cômodos da casa.

Apenas no período Muramachi (1333-1568) o tatami passou a cobrir o piso de algumas residências. Desde esse período o tatami passou a ser feito com uma base compacta de palha denominada toko, coberta com uma superfície macia (omote) de junco trançado.

Reportagem originalmente publicada na edição 134 da revista Made in Japan

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