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Tangue Setsuko, a grande mestra do taikô

Quem é a artista japonesa que fundou o primeiro grupo de taikô do Brasil há 30 anos


por Ayumi Takahashi
28.12.2009
A mestra com os jovens tocadores do grupo  Tangue Setsuko
A mestra com os jovens tocadores do grupo Tangue Setsuko

Apesar de falar pouco português e, conseqüentemente, quase não conversar diretamente com seus alunos, a dançarina japonesa Tangue Setsuko exerce uma forte liderança no grupo de taikô que leva seu nome.

Considerada uma “grande mãe” por seus pupilos, ela é uma senhora de intensa energia. Não foi fácil entrevistá-la na comemoração dos 30 anos do Tangue Setsuko Taiko Dojo, considerado o primeiro grupo de taikô do Brasil.

As mestras Tangue Setsuko e Hanayagui Ryuchita apresentam um número de dança tradicional japonesa como amostra do trabalho que desenvolvem desde a década de 70As mestras Tangue Setsuko e Hanayagui Ryuchita apresentam um número de dança tradicional japonesa como amostra do trabalho que desenvolvem desde a década de 70Ela circulava sem parar para cima e para baixo para coordenar a organização, além de se apresentar duas vezes com performances de dança japonesa no auditório do Bunkyo, em São Paulo.

“Trinta anos se passaram desde que comecei a ensinar taikô para as crianças. Atualmente existem mais de cinqüenta grupos de taikô na comunidade e acredito que, se pudermos manter nossa autenticidade, será perfeito”, disse Tangue, em discurso.

Mais que ninguém, ela pode falar com o orgulho de ter ajudado a impulsionar uma das práticas da cultura tradicional japonesa que mais cresce no Brasil e uma das únicas que atraem grande número de jovens tanto nikkeis como não-descendentes.

Sua trajetória no Brasil se confunde com a história de seu grupo, considerado pioneiro no ensino e difusão do taikô no país.

Pioneirismo
Tudo começou em 1978, quando Tangue fazia uma turnê em São Paulo. Na época, já era considerada uma artista japonesa de renome, com um trabalho destacado com dança tradicional e teatro japonês.

O grupo de taikô Tangue Setsuko conta com a presença de grande número de jovens. Eles são atraídos pelo dinamismo e energia do som dos tambores
O grupo de taikô Tangue Setsuko conta com a presença de grande número de jovens. Eles são atraídos pelo dinamismo e energia do som dos tambores

Em uma visita ao bairro da Liberdade, em São Paulo, o som de taikô vindo de uma das lojas na praça chamou sua atenção. Eram cinco meninos que treinavam sob a orientação do pai de três deles. Em uma rápida conversa, contaram sobre o desejo do pai de que seus filhos seguissem alguma tradição japonesa.

Ela então decidiu que criaria um grupo para ensinar taikô. Inicialmente, os alunos se apresentavam no intervalo de seus espetáculos de dança. Naquela época não existia nenhum grupo de taikô na América Latina.

Em um curto prazo, o número de jovens interessados em aprender taikô cresceu. O grupo passou a aceitar integrantes de ambos os sexos e foi incorporado às apresentações da professora Setsuko em suas turnês pelo Brasil, Paraguai e Peru.

O representante do estilo sukeroku, mestre Imazumi Yutaka
O representante do estilo sukeroku, mestre Imazumi Yutaka

Com o passar dos anos, o grupo cresceu e ganhou vida própria, deixando de ser uma atração coadjuvante nos shows de sua mestra para tornar-se o número principal.

A escola Tangue Setsuko segue o estilo do Sukeroku Daiko, originado de 1959, em Yushima, no Japão, quando um grupo de tocadores de taikô de Bon-odori uniram-se com o objetivo de conservar a tradição regional.

A técnica e a música são transmitidas diretamente pelo mestre japonês Imaizumi Yutaka, e atualmente o grupo da professora Tangue é o único que tem permissão para executá-las no Brasil.
Recentemente, o grupo se expandiu para outros estados.

 Em clima de descontração, a performance NEW brincou com o público em uma roupagem mais moderna que contou até com música eletrônica
Em clima de descontração, a performance NEW brincou com o público em uma roupagem mais moderna que contou até com música eletrônica

Em 2004, foi realizada uma concessão para o grupo Sheishimaru Taikô, da comunidade nikkey de Maringá, no Paraná, de forma que todo mês alguns professores de São Paulo viajam para ministrar aulas aos jovens parananenses.

Toda essa rica história culminou com o grande evento de 30 anos do grupo, em 2008. “Nos esforçamos para presentear nossa sensei com uma comemoração inesquecível”, explica Oya Shigekazu, professor de taikô e um dos integrantes do Tangue Setsuko. Confira, abaixo, a entrevista com a mestra.

Entrevista - Tangue Setsuko

Tangue Setsuko, pioneira do taikô no Brasil
Tangue Setsuko, pioneira do taikô no Brasil

Qual a sensação de comemorar os 30 anos do grupo de Taikô Tangue Setsuko no ano do centenário da Imigração Japonesa no Brasil?
Foi uma oportunidade única realizarmos uma apresentação dessa grandeza. Nossa intenção agora é continuar com apresentações menores, como sempre fizemos.

O que a senhora mais gosta no Brasil?
O tempo… (sorriso)

Para a senhora, o que significa ensinar o taikô?
Não ensino apenas taikô, ensino aos meus alunos alguns princípios a serem seguidos pela vida. O que é certo e o que é errado, aprender a se preocupar com o próximo, ter uma relação mais cordial entre as pessoas. Chamo a atenção para que percebam que essa ou aquela atitude não é correta.

É preciso ter talento para se tocar taikô?
Não é questão de talento, mas de esforço próprio. Todos têm talento para conseguir qualquer coisa, basta se dedicar ao máximo para alcançar seus objetivos.

Por que o taikô atrai tanto o interesse dos jovens?
Acredito que não precisamos falar o mesmo idioma para sentir com o coração as batidas do taikô.

Reportagem originalmente publicada na edição 134 da revista Made in Japan

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