Filme sobre cultura pop japonesa no Brasil é exibido na TV Cultura
Em uma entrevista exclusiva, a cineasta Laura Faerman conta alguns detalhes das gravações
02.07.2009

‘Japão Pop no Brasil’ foi gravado em Brasília (foto), Rio de Janeiro e São Paulo
Cena da cosplayer Mônica Somenzari, da dupla vencedora do WCS 2006, um dos maiores campeonatos de cosplay do mundoA influência da cultura pop japonesa na juventude brasileira é o foco do documentário que foi ao ar nesta quinta-feira 2, na TV Cultura.
Japão Pop no Brasil, da cineasta Laura Faerman, mostra o universo de jovens brasileiros que se vestem como seus personagens de animações e quadrinhos japoneses prediletos, lolitas e cantores de músicas de anime. Ele pode ser visto no site da rede de televisão: www.tvcultura.com.br.
O filme, que faz parte do projeto Janela Brasil, não é o primeiro sobre cultura jovem que Laura dirigiu.
Formada em audiovisual na Universidade de São Paulo (USP), ela já fez, em parceria com Axel Weisz e Thiago Villas Boas, o filme Operação Cavalo de Tróia, que retratava grupos de pessoas que invadiam raves, e Traço do Invisível, filme que dirigiu com a fotógrafa Marília Scharlach, por meio do qual mostrou a vida de um grafiteiro.
Em Japão Pop no Brasil, Laura preferiu utilizar uma linguagem parecida com o videoclipe e, deixando de lado a técnica de entrevistas, o documentário ganhou um forte apelo visual e fantástico. Ele mostra, por exemplo, monstros de tokusatsus (seriados como Jaspion) invadindo Brasília.
Confira o teaser do filme:
Entrevista - Laura Faerman
“Eu acho muito fascinante como as pessoas constróem outro mundo”, diz a diretora Laura Faerman
Filme traz também lolitas em ensaio de modaQual foi o primeiro impacto que você teve quando visitou uma feira de anime pela primeira vez?
Eu não sabia nada sobre cultura pop japonesa. Um amigo meu me convidou e eu fui porque eu sempre gostei desses temas ligados à cultura jovem. Depois que eu descobri esse tema dos otakus (admiradores da cultura pop japonesa) fiquei totalmente enlouquecida para fazer um filme sobre isso. Achei muito visual, muito ligado à moda, quadrinhos, cinema… É super-visual.
Você mexeu muito no roteiro inicial?
No começo, a minha ideia era megalomaníaca. Eu queria viajar pelo Brasil inteiro, ir para até para a Amazônia (no fim, o filme foi gravado em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro). Mas depois eu vi que eu não ia ter dinheiro para isso (risos). No começo, era para ser um filme com menos efeitos, uma linguagem mais normal, que a gente está acostumada a ver em documentário.
Agora, o filme está bem esquisito no sentido de narrativa e visual. Eu acho que o Japão Pop no Brasil é a tentativa de abordar esse tema de uma outra forma. Comecei a conhecer uns cosplayers e vi que o forte deles não era entrevista.
Eles sempre diziam: “Gosto de me fantasiar”, “via rede Manchete, quando era criança”. Daí, eu vi que entrevistas eles davam para a televisão, eu quis fazer algo diferente. É meio pedante dizer isto, mas eu acho que o filme tem com uma cara mais autoral. Porque como eu ia mostrar um tema de fantasia com entrevistas?
Como você documenta a experiência de um cosplay? Ele tem que atuar. Como você documenta a experiência de uma lolita? O modo que eu encontrei foi mostrar um ensaio de moda, porque lolita é moda. Elas marcam isso o tempo inteiro: “a gente não é cosplay”.
Mas é isso: o documentário assume um ponto de vista de quem está deslumbrado com o tema. Eu não sou imparcial nisso.
Você lê mangás?
Comecei a me aproximar dos mangás lendo O Lobo Solitário, de Kazuo Koike, Astro Boy, do Osamu Tezuka, e Cinderalla, da artista Junko Mizuno. Mais tarde fiquei fascinada com o Battle Royale e com os Murakamis (o artista e o escritor). Para dirigir o filme li alguns mangás bem populares agora: InuYasha, Angel Sanctuary e Death Note. Pesquisei também as soluções visuais dos filmes de tokusatsus. Adoro os efeitos dos filmes do Spectreman, do Jaspion e do Changeman. São criativos, mecânicos e bem acabados.
Tem algo que te surpreendeu durante as filmagens?
Várias coisas me surpreenderam, tipo: de onde as pessoas vinham. Eu não sabia que muita gente vinha da periferia. Eu acho muito fascinante como as pessoas constróem outro mundo. E fui descobrindo como esse movimento de cosplayers é enorme. É tudo na vida dessas pessoas.
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