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Filme japonês vencedor do Oscar terá estreia no Brasil

'A Partida', que ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro, trata com sensibilidade o tema da morte

por Camila Taira
14.05.2009
Filme de Yojiro Takita fala sobre a dignidade com que um corpo deve ser tratado, mesmo depois da morte
Filme de Yojiro Takita fala sobre a dignidade com que um corpo deve ser tratado, mesmo depois da morte

No roteiro, o violoncelista Daigo perde o emprego em uma orquestra e troca Tóquio pela pacata cidade de YamagataNo roteiro, o violoncelista Daigo perde o emprego em uma orquestra e troca Tóquio pela pacata cidade de YamagataA Partida (Okuribito em japonês), vencedor de melhor filme estrangeiro no Oscar 2009, chega aos cinemas brasileiros dia 5 de junho.

O longa-metragem dirigido por Yojiro Takita conta a história do violoncelista Daigon Kobayashi que perde o emprego em uma orquestra de Tóquio e decide voltar com sua esposa para o interior de Yamagata, cidade onde passou a infância.

Lá é contratado para ser funcionário de uma funerária. Daigon, interpretado por Masahiro Motoki, recebe um emprego um tanto medonho: preparar os corpos dos mortos antes de eles serem cremados.

Este ritual, chamado no Japão como nokan, é realizado na presença dos parentes e amigos do defunto e consiste em limpar-lhe delicadamente todas as parte do corpo, vestir-lhe com roupas novas e maquiar o rosto do morto antes de colocá-lo no caixão.

Em A Partida, tema da morte é discutido com sensibilidadeEm A Partida, tema da morte é discutido com sensibilidadeNo Japão, acredita-se que esse cerimonial é um sinal de respeito com aquele corpo que não tem mais vida e também uma forma de aproximar, pela última vez, os familiares daquele que partiu.

E isso é muito bem caracterizado no filme. De forma delicada, o diretor Takita trata de um tema muito explorado no cinema: a morte.

O drama com pitadas de humor se destaca por algumas pequenas e reveladoras interpretações como na cena, um tanto cômica, em que Motoki acompanha o chefe em seu primeiro dia de serviço e também na triste cena em que o amigo da proprietária da casa de banho conta ao filho dela como se despede dos que morrem.

Paixão por violoncelos, amizade e sensação de arrependimento servem de pano de fundo para essa comovente história.

Se em alguns filmes que tratam da morte, o roteiro e a direção escorregam no melodrama e tornam o filme enfadonho, em A Partida, esse tema ganha sensibilidade sem exageros.

A Partida venceu o Grande Prêmio do Festival de Montreal e no Oscar desbancou o então favorito Valsa com Bashir.

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