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Mangás sob um olhar crítico

Pesquisadora de histórias em quadrinhos há 30 anos, Sonia Luyten estuda a recepção de quadrinhos japoneses pelo mercado brasileiro

por Camila Taira
08.05.2009
"Os mangás conquistaram o público feminino, algo que as HQs ocidentais ainda não haviam conquistado", diz pesquisadora Sonia Luyten
“Os mangás conquistaram o público feminino, algo que as HQs ocidentais ainda não haviam conquistado”, diz pesquisadora Sonia Luyten

Há mais de 30 anos estudando o mercado de histórias em quadrinhos e a recepção dessa leitura pelo público brasileiro, a pesquisadora Sonia Luyten é uma das pioneiras a levar as histórias em quadrinhos japonesas, o mangá, como tema de estudo da Academia.

Doutora em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicações da Universidade de São Paulo e professora convidada de universidades européias e japonesas, como as Universidades de Estudos Estrangeiros de Osaka e Tóquio, Sonia considera que a narrativa diferenciada dos mangás em relação às HQs, a conquista do público feminino e a popularização dos animes nas TVs brasileiras contribuíram para uma melhor solidificação do mercado de mangás no Brasil.

Confira a entrevista que ela concedeu ao site Made In Japan.

ENTREVISTA
Made in Japan - Qual a principal percepção que a senhora teve quanto ao mercado de mangás no Brasil desde que começou a estudar esse tema?
Sonia Luyten - Os mangás conquistaram o público feminino, algo que as HQs ocidentais não haviam conquistado.

MJ - O que a senhora acha que propiciou a positiva recepção dos mangás pelos brasileiros?
Sonia Luyten - A vinda dos animes como Os Cavaleiros do Zodíaco fez com que os jovens ficassem atraídos pela cultura pop japonesa e as editoras brasileiras, percebendo isso, começaram a traduzir títulos japoneses, como A Princesa e o Cavaleiro, o próprio Os Cavaleiros do Zodíaco, entre outros.

MJ - Hoje, o mercado de mangás para adultos no Brasil é satisfatório?
Sonia Luyten - O Brasil ainda traduz poucos títulos japoneses para adultos. A Alemanha por exemplo chega a traduzir cerca de 370 títulos japoneses por ano. A França, 450 títulos. Se unirmos todos os mangás adultos que as editoras brasileiras traduzem para o português dá no máximo 70.

MJ - Existe alguma área no Brasil que ainda precisa se fortalecer para que a produção nacional de mangás realmente se impulsione?
Sonia Luyten - Sim, em roteiro. Alguns mangás brasileiros ainda deixam muito a desejar. É preciso usar a técnica do mangá, mas escrever histórias com que o público brasileiro se identifique. Até hoje os roteiristas brasileiros ainda buscam competir com as histórias japonesas e, assim, fica muito mais difícil. Mesmo assim, temos uma experiência muito boa que foi o álbum Mangá Tropical. (Editado pela Via Lettera, esse mangá misturava traços japoneses com histórias do cotidiano e do folclore brasileiros).

MJ - Na sua opinião, quais fatores contribuíram para que os mangás caíssem no gosto dos brasileiros?
Sonia Luyten - As histórias de mangás não têm heróis eternos. Por mais que o enredo dure, o leitor sabe que haverá um fim. Outra característica importante é a diagramação vibrante dos mangás que explora efeitos cinematográficos para contar uma história no papel. Então, você sente, você ri, você chora com as personagens. Outro fator que eu percebo frequentemente é o decréscimo da produção ocidental ao lançarem remakes, que não renovam as histórias, como do Hulk, Batman e outros.

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