Made in Japan recebe homenagem do embaixador do Japão
Para Ken Shimanouchi, a revista tem importância central no aumento de admiradores da cultura japonesa no Brasil
20.02.2009

Júlio Moreno, Célia Shoji e Masakazu Shoji receberam a homenagem do embaixador Ken Shimanouchi
A revista Made in Japan recebeu, segunda-feira 16, o Diploma de Honra ao Mérito pelo Embaixador do Japão no Brasil, em razão de seu papel como divulgadora da cultura japonesa. A cerimônia de entrega aconteceu na embaixada do Japão, em Brasília.
A homenagem foi entregue a Masakazu Shoji, diretor-presidente da editora JBC, que publica a revista. Shoji compareceu ao lado de Júlio Moreno, diretor geral da empresa e Célia Shoji, ex-diretora.
Em seu discurso, o embaixador Ken Shimanouchi afirmou que a revista “tem, no Brasil, uma importância central no aumento de admiradores e interessados pela cultura japonesa” e que “ao longo de sua história tem desempenhado um papel catalisador no aprofundamento da relação bilateral amistosa entre o Japão e o Brasil.”
Leia o discurso do embaixador Ken Shimanouchi na íntegra:
No ano passado, festejamos o Centenário da Imigração Japonesa no Brasil e o Ano do Intercâmbio entre o Japão e o Brasil, ocasião que foi tratada como de especial importância para ambos os países. Tanto no Brasil quanto no Japão, uma série de eventos comemorativos foi realizada, aprofundando a nossa amizade e o entendimento mútuo.Reitero os meus agradecimentos a todas as pessoas aqui presentes, por seus esforços prestados, imprescindíveis ao sucesso da comemoração do Centenário.
Uma das razões do êxito das festividades corresponde à ampla e diversa divulgação por parte da imprensa. A cobertura jornalística abordou temas não somente sobre o Centenário em si, mas voltou sua atenção à comunidade nikkei e às relações bilaterais entre o Japão e o Brasil, colocando esses assuntos em evidência e na pauta do dia.
Não há dúvida de que a veiculação de programas relacionados ao tema da imigração e do intercâmbio cultural contruibuiu para despertar o interesse dos brasileiros sobre algo que é parte fundamental da cultura do país e lembrar-nos a todos o que, de fato, estávamos comemorando.
Dentro do segmento de imprensa especializada, é impossível não citarmos a contribuição da revista “MADE IN JAPAN”, publicada pela Editora JBC. A “MADE IN JAPAN”, diferente de outras publicações sobre o Japão, traz em suas páginas, além de matérias sobre diferentes aspectos da cultura e tradição nipônicas, um panorama da sociedade japonesa contemporânea, em textos em língua portuguesa, para brasileiros.
Ao abordar a cultura pop, da qual o animê e o mangá são expoentes, a revista revela o que foi cunhado de“Cool Japan”, expressão que descreve a nova onda da cultura jovem popular do Japão . E traz essas informações respeitando critérios éticos e profissionais em textos que apresentam os temas de forma aprofundada. É possível afirmar que a revista tem, no Brasil, uma importância central no aumento de admiradores e interessados pela cultura japonesa, fenômeno que vem crescendo nos últimos anos. Portanto, ao longo de sua história, MADE IN JAPAN tem desempenhado um papel catalisador no aprofundamento da relação bilateral amistosa entre o Japão e o Brasil.
Permitam-me mencionar que a Editora JBC é uma das pioneiras na publicação de revistas de mangá no mercado editorial brasileiro, editando inúmeros títulos em português. Além disso, publica regularmente guias de restaurantes japoneses e de organizações e entidades ligadas à cultura do Japão, colaborando, dessa forma, na disseminação de informações e na promoção do intercâmbio cultural entre Japão e Brasil A editora também tem atuado como co-organizadora da seleção do World Cosplay Summit na sua fase de eliminação ainda no Brasil.
Considerando os méritos citados, entrego aos representantes aqui presentes o diploma de honra ao mérito.
Muito obrigado.
Primeiramente, gostaria de agradecer à Embaixada do Japão por nos conceder essa homenagem, uma oportunidade extremamente honrosa para a Editora JBC.
Agradecemos também a todas as pessoas aqui presentes, dividindo o seu precioso tempo, para compartilhar este momento conosco.
O projeto de editar a revista MADE IN JAPAN, na verdade, nasceu pela iniciativa de jornalistas brasileiros, que tiveram a idéia de fazer uma publicação que mostrasse o Japão através do olhar brasileiro. Até então, a JBC publicava o Jornal Tudo Bem, um semanal em português para os brasileiros que moram no Japão.
Mas a Made in Japan nasceu para atender a quem morasse no Brasil ou no Japão. A equipe editorial, contratada no Brasil, mudou-se para Tóquio. Eram seis jornalistas brasileiros, chefiados por Júlio Moreno, diretor geral da JBC e também presente aqui hoje.
Os jornalistas ficaram impressionados com aquele país do outro lado do mundo. O Japão, ao vivo, superou todas as imagens e conhecimentos que eles haviam adquirido através de leituras e vídeos. Fascinados, os jornalistas se entusiasmaram em transmitir todas as coisas que viram e ouviram no arquipélago para os seus conterrâneos do Brasil.
Eu, como um japonês que mora no Brasil, achei a idéia ótima e aprovei o projeto de imediato. Mas, por outro lado, tinha receio de que a revista não tivesse vida longa, talvez dois anos no máximo, já que acreditava que faltariam assuntos para uma publicação sobre cultura japonesa.
Isso porque eu mesmo, para falar sobre o Japão, esgotaria todos os assuntos em menos de 2 minutos.
A Made in Japan vai completar 12 anos. São nada menos do que 144 edições com cerca de 100 páginas cada uma, todos os meses nas bancas do Brasil inteiro. Felizmente, a expectativa de durar apenas 2 anos estava completamente equivocada. Ou seja, quando um país é apresentado pelo próprio nativo, o assunto se esgota em não mais do que 2 minutos.
No entanto, quando visto pela ótica de um estrangeiro, encontram-se pautas para mais de 10 anos. A MADE IN JAPAN, pelo olhar dos jornalistas brasileiros, descobriu muitos valores do Japão que não são percebidos nem pelos próprios japoneses. É impressionante como o conteúdo da Made in Japan, todos os meses, surpreende principalmente os japoneses.
Percebendo o interesse do brasileiro pelo Japão, a JBC passou a editar vários livros sobre a cultura japonesa, de dicionários a origami, de culinária à filosofia dos samurais. Também lançamos o mangá, a história em quadrinho japonesa. A aceitação foi tão boa que hoje somos a maior editora de mangás do Brasil e em português no mundo.
Tanto os livros, como os mangás, foram muito bem aceitos pelo leitor brasileiro. Com isso, agradecemos á sociedade brasileira, por ser tão receptiva ao que vem de fora e, principalmente, pelo povo brasileiro ser sempre tão amigo dos japoneses.
Reconhecendo este laço de união entre os dois países, que já tem mais de 100 anos, a JBC continua firme na sua missão de aproximar Brasil e Japão através de suas publicações, para que o intercâmbio entre os dois países fique cada vez mais próspero.
Muito obrigado.
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