Os mistérios do Monte Fuji
Escalar o ponto mais alto do Japão pode proporcionar auto-conhecimento, superação das barreiras físicas ou, simplesmente, uma aventura inesquecível
05.02.2009
Papel de parede
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800×600Os trens e estradas chegam somente até o quinto estágio. Mas de lá em diante é só caminhada, que pode durar de três a seis horas dependendo da disposição do escalador e de qual dos quatro caminhos se escolhe (Kawaguchiko, Fujinomiya, Gotemba ou Subashiri). Há também aqueles que fazem a escalada toda a pé, dispensando o trem, o que aumenta a jornada em mais cinco horas em média. No início da escalada, é vendido um cajado de madeira que pode ser marcado em cada uma das paradas.
Perto do cume, a passagem por um portal xintoísta delimita a entrada na reta final, ou para os mais místicos, em um espaço sagrado próximo dos céus. Ao chegar lá em cima, preferencialmente de madrugada, o peregrino tem um tempo para fazer uma última meditação. E, finalmente, a renovação vital, ou, quem sabe, até uma experiência mística pode chegar junto com os primeiros raios do alvorecer. O espetáculo é único.
Como pra baixo todo santo ajuda, o retorno à quinta estação dura, em vez de seis, quatro horas. E quem retorna pelas rotas Subashiri e Gotemba ainda pode experimentar descer a montanha correndo sobre cinzas a partir do sétimo estágio. É uma sensação indescritível. Ao chegar à planície, está completo o trajeto, similar ao caminho do fogo de quando o vulcão estava ativo. Desde o chão até o sol e de volta à terra.
Preservação

Quando o asfalto alcançou mais da metade do caminho até o topo do monte, o turismo explodiu na região. Com o aumento dos visitantes, estimado em cerca de 300 mil por ano, o Fuji enfrenta grave processo de deterioração ambiental. O intenso movimento também provocou crescimento do comércio local, responsável pelos inconvenientes da modernidade, tais como o aumento do lixo e todo tipo de dejetos. Atualmente, centenas de voluntários das mais variadas profissões se juntam para catar lixo no caminho.
O governo japonês adotou diversas medidas que melhoraram as condições de preservação nos últimos anos, mas a situação ainda é crítica. Em um pedido de reconhecimento do Monte Fuji como Patrimônio Natural da Humanidade no início de 2007, a Unesco negou o título. Esta é a segunda vez que o órgão internacional não inclui o símbolo japonês na lista de patrimônios mundiais. Na primeira vez, em 1995, a justificativa foi que o local enfrentava problemas de preservação. Fica o alerta para que visitantes e autoridades se mobilizem para manter a integridade do Fujisan.
A princesa da Sakura

Um portal xintoísta (torii), que marca o limite entre um local sagrado e um profano, recebe os visitantes que conseguem chegar ao topo do monte. Ele está lá para delimitar o território do templo dedicado à Sakuya Konohana, considerada a princesa da flor de cerejeira e deusa do Monte Fuji. Diz a lenda que ela era tão bela quanto a flor, atraindo até a atenção de Ninigi, o deus encarregado de criar o Japão. Mas ela percebeu que sua beleza duraria pouco, assim como as sakura, e, inconformada, rumou ao topo do Fuji para subir aos céus. Por isso, ela também simboliza a efemeridade da vida.
Festival de Fogo
Fujiyoshida é uma das cidades que cercam o Monte Fuji e onde sempre ocorre o Himatsuri, ou Festival do Fogo, nos dias 26 e 27 de agosto. Ao cair da noite do primeiro dia, tochas com cerca de três metros de altura são acesas na rua principal, enquanto uma espécie de réplica do Monte Fuji é carregada pelos habitantes do lugar.
O interior das casas, decorado, é iluminado pelo fogo, cujos locais onde ficam são purificados com terra fresca e sal. O festival também encerra oficialmente a temporada de escaladas ao topo do Fuji.
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