Os mistérios do Monte Fuji
Escalar o ponto mais alto do Japão pode proporcionar auto-conhecimento, superação das barreiras físicas ou, simplesmente, uma aventura inesquecível
05.02.2009

A marca nas marcas
O Fuji deixou sua marca também fora do Japão. O videogame Atari tem como logotipo três faixas que representam o monte japonês. Seu criador, o norteamericano Nolan Bushnell, era fã do Japão e jogador de Go (uma espécie de xadrez japonês do qual atari é o nome de uma jogada de ataque). Diversas empresas japonesas também fazem referência ao monte, tais como o Fuji Bank e a Fujifilm. Esta última se estabeleceu inicialmente ao pé da montanha em 1934 na cidade de Ashigara.Os vulcões eram considerados seres divinos pelos homens pré-históricos, quando ainda não se sabia produzir o fogo. As lavas vulcânicas vinham das profundezas e traziam o calor e as chamas tão vitais para os primórdios do ser humano. Com o Monte Fuji não foi diferente, ainda mais porque foi formado não apenas por um, mas por três vulcões que se fundem há cerca de 100 mil anos.
As lendas da antigüidade logo deram ao monte o poder de unir o profano da terra aos deuses dos céus. Essa trajetória do fogo, desde as profundezas até as alturas, hoje é percorrida por cerca de 300 mil turistas todo ano nos meses de julho e agosto. Claro que nem todos sobem a montanha imbuídos com esse espírito místico. Para alguns, a subida resume-se a uma cansativa caminhada, que é recompensada pela vista do topo.
Mas, para a maioria, a escalada tem um toque sagrado, relacionado com o trajeto do fogo. Uma das atrações aos pés da montanha, o Himatsuri, ou Festival do Fogo, é realizado todo ano no final de agosto. Tochas de até três metros de altura, que queimam nas ruas da cidade de Fujiyoshida, atuam como elemento purificador, simbolizando as lavas vulcânicas. Antes dos festejos, os visitantes podem fazer a escalada, passando por 10 estações de apoio. A superação das barreiras físicas e do cansaço faz da subida uma verdadeira peregrinação. Como toda rota espiritual, a caminhada é uma oportunidade para os viajantes refletirem sobre a própria vida.
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