A vida secreta da princesa Masako
Livro "Princesa Masako - Prisioneira do Trono do Crisântemo" revela que a princesa vive um conto de fadas às avessas: prisioneira dentro do próprio palácio, entrou em depressão. Mas a maior polêmica é que sua filha Aiko seria fruto de uma inseminação artificial
01.01.2009
As primeiras frases ditas pela pequena Masako misturavam russo com japonês. E essa não foi a única língua estrangeira aprendida ainda na infância, tudo por causa de seu pai, Hisashi Owada. Um homem extremamente dedicado ao trabalho, cujo dever fez levar esposa e filha, com apenas um ano e meio de idade, para a então União Soviética. Seus superiores no Ministério das Relações Exteriores lhe designaram o cargo diplomático e ele nem hesitou em aceitar.
“ELA FALA MUITO”
Dizem que a princesa escolhida deve ser mais jovem que o príncipe, mais baixa, bem educada, de preferência virgem, e saudável (isso inclui não usar piercings ou tatuagens). Além disso, sua missão seria apoiar o marido e gerar um herdeiro. Mas seu comportamento estava longe daquela figura passiva ideal.
O comentário a seguir de um importante membro da Casa Imperial evidencia a pressão exercida sobre Masako.
“Eu senti que ela foi muito imprudente. Acima de tudo, ela fala muito. Fala até mesmo coisas sobre as quais não foi perguntada. Ela faz como as americanas - anda na frente dos homens porque os ocidentais dizem ‘mulheres primeiro’. Tudo isso pode ser aceitável nos Estados Unidos, mas acredito que ela deveria demonstrar mais modéstia no Japão”, disse Minoru Hamao, camareiro do palácio e um dos confidentes do príncipe herdeiro, à época da primeira coletiva da então noiva MasakoPor aquelas terras geladas, a garotinha cresceu sob duas influências um tanto quanto diferentes – em casa falava japonês e aprendia os costumes de sua terra natal; na creche fazia amigos e aprendia a língua russa. Nova mudança.
O pai foi transferido, dessa vez, para representar o Japão no conselho das Nações Unidas, em Nova York. Novas terras, nova cultura para Masako. Em apenas quatro meses ela já arriscava as primeiras palavras em inglês no Jardim de Infância público.
Sua estada nos Estados Unidos, a primeira de muitas, durou três anos. Tempos depois, o colegial foi cursado em Massachusetts, onde ainda se envergonhava com os casais se beijando a céu aberto. Em seguida, cursou economia em Harvard, onde morou sozinha. Anos mais tarde, em 1988, ela conseguiu uma vaga no curso de Relações Internacionais na universidade de Oxford na Inglaterra.
Dois anos antes, Masako, uma recém-admitida funcionária do Ministério das Relações Exteriores japonês, já era alvo das investidas de Naruhito, que conhecera em um jantar de recepção à Infanta Elena, princesa da Espanha. Os noticiários propagavam aos quatro ventos o affair do príncipe.
Os encontros não passavam de conversas esporádicas e jantares em família, mas foram o suficiente para ouriçar a curiosidade dos japoneses. No entanto, sua ida a Oxford e um escândalo ecológico envolvendo uma fábrica do avô de Masako serviram para que a imprensa esquecesse dela.
Mas não foi o suficiente para fazer o rapaz apaixonado tirar a senhorita Owada da cabeça. Ela voltou ao Japão sem terminar o curso em Oxford. Retornou ao Ministério das Relações Exteriores e foi designada à divisão mais importante da pasta em um dos momentos mais tensos de sua história. Os Estados Unidos pressionavam fortemente uma abertura aos produtos norte-americanos no arquipélago, e Masako era a mais indicada para ajudar na questão.
Essa teria sido uma das razões pelas quais ela foi avaliada pela Agência da Casa Imperial como uma candidata a noiva muito ocidentalizada, assim como o fora por seus professores e colegas nas vezes em que estudou no arquipélago. Quando voltou ao Japão pela primeira vez, a pequena Masako teve certas dificuldades para conseguir entrar no ensino fundamental. No colégio era uma garota popular, com um comportamento atrevido para os padrões japoneses.
Ela jogava bolas de neve nos colegas e contestava os professores ao dar suas próprias opinões. Ela também era superativa fisicamente e, por isso, ressuscitou o time de softball (uma variação do beisebol) da escola em que estudou, o Futaba Gakuen. E no início da adolescência, como fã do esporte, idolatrava o jogador Haruaki Harada, que acabou conhecendo pessoalmente.
Masako decidiu se tornar uma diplomata, após retornar de Harvard, e abandonou seu sonho de infância de se tornar uma veterinária. Para isso ingressou em Direito na universidade mais prestigiada do Japão, a de Tokyo, seguindo a cartilha para avançar com sua carreira.
Masako, 44 anos, é quatro anos mais nova que o príncipeSERIAMENTE ISOLADA
Desde que decidiu se tornar a esposa do príncipe herdeiro, Masako teve de enfrentar um bombardeio de críticas por parte dos membros da Casa Imperial. As queixas sobre seu comportamento vão de sua ocidentalização acentuada até seu “egoísmo” por não contribuir para ter um herdeiro, durante os mais de seis anos que demorou para engravidar pela primeira vez.Além disso, o controle de sua rotina chegou ao ponto de suas viagens ao exterior serem reduzidas para incentivar sua gravidez. Os resultados das restrições são ilustradas por Sir Adam Roberts, um antigo mentor da princesa nos tempos em que estudou em Oxford, que a visitou depois de casada.
“Não diria necessariamente chateada, mas isolada, seriamente isolada… esse negócio de não poder sair, ir às compras, a exibições, andar de trem, ser ela mesma. O isolamento é algo que ocorre muito com a falta de parentes. Eu não entendo isso completamente.”
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Masako, 44 anos, é quatro anos mais nova que o príncipe



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