A vida secreta da princesa Masako
Livro "Princesa Masako - Prisioneira do Trono do Crisântemo" revela que a princesa vive um conto de fadas às avessas: prisioneira dentro do próprio palácio, entrou em depressão. Mas a maior polêmica é que sua filha Aiko seria fruto de uma inseminação artificial
01.01.2009

Antes de Aiko, só havia duas meninas na família imperial: Mako e Kako (ao centro), filhas do príncipe Akishino (em pé)
A mãe Yumiko, as irmãs gêmeas Setsuko e Reiko (em pé), o pai Hisashi e o terrier Chocolate reunidos em um dos últimos momentos antes do casamento de MasakoA princesa Masako era a imagem da felicidade no dia do seu casamento com o príncipe herdeiro Naruhito, em 1993. Cinco anos depois, já havia indícios de que ela vivia um conto de fadas às avessas.
Ao responder a pergunta de um jornalista sobre o que tinha feito no último verão, a princesa respondeu, lacônica: “descobri um besouro macho doente do lado de fora de uma das janelas do palácio. Ele estava triste, e por isto o tomei sob meus cuidados. Depois conseguimos cruzá-lo com uma fêmea… agora fico me perguntando se eu estive em alguma tarefa mais árdua”.
O livro traz diversas fotos da história de Masako. Logo acima, um registro raro de toda a família reunida (1976). Muitas especulações foram feitas nos últimos anos sobre a infelicidade e estado depressivo da princesa de origem plebléia. Mas nenhuma delas causou tanta polêmica e desconforto para a Casa Imperial e ao governo japonês como aquelas contidas no livro “Princesa Masako – Prisioneira do Trono do Crisântemo”, escrito pelo jornalista australiano Ben Hills.
(Confira a entrevista exclusiva: Autor de biografia da Princesa Masako revela o que passou)
Revelações e hipóteses baseadas em entrevistas e pesquisas, tais como a inseminação artificial de sua gravidez, fizeram com que a Agência da Casa Imperial, a Kunaicho, exigisse um pedido de desculpas por parte do autor, em 2007.
O time de softball do Futaba Gakuen foi ressuscitado com a ajuda de Masako (acima). Já no ensino médio, ela não teve dificuldades de se enturmar com as colegas de MassachusettsSegundo ele, a princesa não casou por amor, sofreu maus-tratos e todo tipo de pressão por parte da burocracia imperial, a vilã da história.
Ao ler o livro, conhecemos uma jovem com promissora carreira diplomática, formação em Oxford e Harvard e domínio de diversos idiomas, que caiu em uma verdadeira prisão. Ao se tornar nobre, ela não poderia mais exercer sua profissão. Seu pai, Hisashi, também diplomata, compartilhava do receio de sua filha, que teria a liberdade tolhida caso aceitasse a proposta.
O que mais choca nas revelações do livro é o contraste entre os rígidos procedimentos da mais antiga monarquia do mundo com as aspirações de Masako, uma diplomata brilhante com uma visão de mundo universal. A princesa inspirava a esperança de modernização da família imperial, mas acabou vencida pelo controle dos burocratas. Afinal não seria fácil transformar uma casa com tradição milenar que, até meados do século passado, concedia ao imperador a aura de uma criatura com origem divina.
Basta lembrar que o pai do atual imperador Akihito, o temido Hirohito, era considerado um semideus em pleno século XX. O choque foi tão forte que Masako entrou em depressão e não conseguiu se recuperar totalmente até agora. Para entender a história, nada melhor que conhecer a biografia de Masako.
Casamento sem amor
Desde a festa em que se conheceram, em 1986, até o noivado, em 1992, houve muitas tentativas e negativas. O pai de Masako era contra a união temendo que sua filha fosse infeliz. O que a levou, então, a ceder aos insistentes pedidos de Naruhito? Quando ela foi para Oxford, ele até tentou conhecer outras mulheres, mas nada deu certo. Estava apaixonado, e a Agência da Casa Imperial teve de ceder à sua vontade.Pessoas influentes se envolveram nas negociações com o pai da moça. Com o tempo, ele se retirou das discussões, dando autonomia à filha. O primeiro pedido, ela refutou, alegando dificuldades para decidir. O segundo, feito no próprio palácio imperial, também foi negativo.
No terceiro, ela aceitou. Dizem os boatos que a própria imperatriz Michiko interviu e assegurou o bem-estar de Masako. Ao concordar, disse: “se eu puder ser de ajuda a você, gostaria de aceitar humildemente. Vou trabalhar para fazer Vossa Alteza feliz […]”.
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