Integração política
A integração à sociedade brasileira fez com que muitos políticos nikkeis investissem nos votos de outros setores
26.09.2008

O professor Paulo Kobayashi foi um dos fundadores do PSDB ao lado de tucanos históricos como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Mário Covas e o atual governador de São Paulo, José Serra
Apesar de vários vereadores, deputados estaduais e federais, nenhum nikkei havia chegado ao Poder Executivo. Mas a história muda em outubro de 1969, quando Fábio Yassuda assume o Ministério da Indústria e Comércio, durante a presidência do general Médici. Foi o próprio Médici quem convocou Yassuda para assumir como ministro, cargo que manteve por quatro meses.
A Esplanada dos Ministérios ainda abrigaria mais três ministros nipo-brasileiros: Shigueaki Ueki, Seigo Tsuzuki e Luiz Gushiken. A ditadura ainda vigorava quando Ueki foi nomeado pelo presidente Ernesto Geisel em março de 1974, para ocupar o Ministério das Minas e Energia. Natural de Bastos (São Paulo), Ueki tinha apenas 38 anos quando aceitou o desafio de administrar o País durante o primeiro choque do petróleo. O nikkei ainda presidiu a Petrobrás, em 1979.
O médico Seigo Tsuzuki chegou ao Ministério da Saúde no dia 17 de janeiro de 1989, durante o governo de José Sarney. Ficou até o dia 15 de março, em 1990.
Amigo pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o administrador Luiz Gushiken foi ministro-chefe da Secretaria de Comunicação e Gestão Estratégica da Presidência da República, até 2005. Considerado por muitos como o nikkei mais poderoso do Brasil, “China”, como é chamado por Lula, era o único capaz de mudar uma decisão do amigo. Para Gushiken, a atuação dos nikkeis na política ainda é pequena: “falta maior integração na esfera política”, opina.
Nascido em Osvaldo Cruz (SP), Gushiken conta que costumava freqüentar “clubinhos de nisseis e bailinhos na Liberdade”. Como bancário, teve uma trajetória sindical de destaque. Como presidente do sindicato dos bancários, arrecadou fundos para greves, e foi preso no Dops por quatro vezes.

Gushiken teve uma trajetória muito próxima a Lula. O “China”, como é chamado pelo presidente, ressalta sua formação japonesa que lhe deu um senso de honra e lealdade
Embora sua trajetória política não tenha sido marcada por referências à comunidade japonesa, o ex-ministro destaca a influência da formação que recebeu de seus pais, emigrantes de Okinawa. “Meus laços com a cultura japonesa foram fortes na minha formação. Ressalto a disciplina, o sentido de honra muito forte, lealdade, trabalho e responsabilidade perante o grupo familiar”, diz Gushiken.
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