A casta impura do Japão
Os burakumin, descendentes da casta medieval de trabalhadores de funções consideradas impuras, convivem até hoje com o preconceito
21.08.2008

Minoria invisível - artistas e estudiosos se debruçaram sobre a questão dos burakumin nos últimos anos. O fotógrafo japonês Masaru Goto criou a exposição NIHONJIN, BURAKUMIN: Portraits of Japan’s outcast people. A mostra (que pode ser acessada no endereço http://www.globalcompassion.com/2008/05/19/masaru-goto/) retrata diversos burakumin como professores, estudantes e fazendeiros.
De todas as minorias no Japão, poucas sentem de maneira tão intensa o preconceito quanto os burakumin, grupo que representa de 3% a 2% da população japonesa.
O que é curioso na chamada “questão burakumin” é que o preconceito com o grupo não se baseia em critérios étnicos ou sociais propriamente, mas preceitos religiosos que persistem até os dias de hoje, apesar de toda a modernidade do Japão atual.
Durante o período medieval, os burakumin eram a casta mais baixa na hierarquia social. Eles trabalhavam em funções consideradas impuras, como executores de criminosos, fabricantes de couro, açougueiros, limpadores de rua e coveiros. Tradicionalmente viviam em guetos específicos e eram proibidos de freqüentar templos de outras castas.
O sistema feudal de castas também era hereditário, o que perpetuava o estigma social do grupo.
Bases religiosas do preconceito
A base da discriminação com os burakumin está na proibição do budista de matar e com o preceito xintoísta da pureza, que um ser humano podia se tornar impuro ao fazer atividades consideradas sujas. Apenas em 1871 o grupo foi permitido morar fora de guetos, mas a discriminação social se manteve. Até hoje, grande parte dos trabalhadores de fábricas de produtos de carne são burakumin.
Os integrantes da chamada “minoria invisível”, dado o fato de que é um tabu até mesmo falar sobre eles, lutam para pôr fim à discriminação. Diversos grupos de direitos dos burakumin emergiram nas últimas décadas. No entanto, o problema está longe do fim. Não são raros os casos de burakumin que perdem o emprego quando sua origem é descoberta pelos chefes.
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