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18 de junho | 1908 ~ 2008
Especial do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil
Revista Made in Japan
Centenário da Imigração Brasil Japão

Um banco para os imigrantes

O nascimento de um banco na comunidade marca um novo período de superação na história da imigração japonesa

Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil e Fundação Kunito Miyasaka
Fachada do Banco América do Sul, o primeiro destinado aos imigrantes japoneses

A figura de um senhor franzino de 55 anos não correspondia ao tamanho da ambição de Kunito Miyasaka. O criador do banco, que serviria de base para os principais investimentos dos japoneses no Brasil, escondia por trás do aspecto frágil uma verdadeira força de vontade para realizar um sonho, mesmo que para isso fosse necessário se separar da família.

A vinda para o Brasil, junto com seu amigo Yoshiyuki Kato, em 1931, era a realização de uma antiga idéia. Mesmo abatido por ter deixado a esposa e a filha no Japão, decidiu seguir viagem para o outro lado do mundo.

Aportou em solo brasileiro na posição de superintendente da Bratac, uma companhia de imigração que tinha planos de expandir os negócios no país. Tudo correu bem nos primeiros anos e em pouco tempo já havia recursos suficientes para fundar o tão sonhado banco. Em 1940, surgia o América do Sul, fundo de depósito no qual os imigrantes aplicavam o suado dinheiro das lavouras e do comércio nas cidades. Em pouco tempo, os negócios expandiram.

Apenas dois anos depois, devido à deflagração da guerra no Pacífico, o banco estava à beira da falência. Começava, aí, a luta pela retomada liderada por Miyasaka, acompanhado de seus fiéis companheiros e seu braço direito, Kato.

Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil e Fundação Kunito MiyasakaKunito Miyasaka foi condecorado pelo Brasil e pelo Japão por suas contribuições prestadas para o desenvolvimento da comunidade nipo-brasileira“Para os imigrantes e visando o desenvolvimento econômico da colônia japonesa, é imprescindível a criação de um banco para servi-los. (…) se porventura vier a falir, causará enormes prejuízos à sociedade”, declarou.

Àquela altura, muitos acreditavam que o banco estava com os dias contados. Nem mesmo os próprios fundadores podiam colocar os pés no prédio. Os dirigentes eram todos brasileiros sem qualquer ascendência nipônica, afinal o Banco do Brasil enviara interventores para tomar o América do Sul das mãos dos japoneses. Todos os funcionários descendentes foram demitidos e a nacionalização da instituição foi a única maneira que Miyasaka e Kato encontraram para salvar o empreendimento.

Ambos driblavam os impasses como podiam. Alugaram uma sala no mesmo prédio onde funcionava a sede e de lá tentavam manter contato com os diretores substitutos - a maioria sem experiência bancária. Às escuras, os antigos funcionários tentavam ajudá-los, porém, em vão. A crise administrativa tomava conta do banco. Miyasaka e Kato, embora não tivessem nenhuma responsabilidade legal sobre o destino do banco, decidiram comprar o empreendimento de volta. Sentiam que, de certa forma, a prosperidade dos patrícios dependia de seus esforços.

Agosto de 1945, o conflito mundial chegava ao fim, mas nem por isso a situação do banco amenizou. O caos gerado pela Shindo Renmei, o grupo extremista que executava os imigrantes que acreditavam que o Japão havia perdido a guerra, também fez com que a credibilidade dos japoneses fosse por água abaixo. Por mais que tentassem, ninguém investiria na compra de uma instituição praticamente falida. Para se ter noção da instabilidade do América do Sul, em menos de cinco anos, o estabelecimento passou pelo comando de quinze proprietários e ainda se encontrava em diversos processos de transferência de capital.

Quando tudo parecia perdido, o inesperado aconteceu. Devido ao gradual enfraquecimento das seitas secretas, sobretudo da Shindo Renmei, iniciou-se, no final da década de 40, um superaquecimento financeiro jamais visto dentro da colônia. Não fazia mais sentido economizar para voltar ao Japão. Os que tinham enriquecido se mudavam para as cidades causando um verdadeiro boom imobiliário.