Imigração

A importância da educação dos imigrantes

Ensino era tão importante que os japoneses abriam mão da ajuda dos filhos nas lavouras


Ao lado, os alunos realizam o “chôrei”, reunião matinal na presença de autoridades convidadas

Acima, o professor Shinzo Miyazaki, que dedicou sua vida à educação dos filhos de imigrantes japoneses

O educador Shinzo Miyazaki ensinou até sua morte, nove anos depois da abertura da escola, em 1924. Mesmo assim, seus ideais prosseguiram firmes, tanto que em 1929, graças a um subsídio do governo japonês em reconhecimento ao pioneirismo, a Taisho Shogakko mudou para um imóvel maior na rua São Joaquim, na mesma região.

Com uma melhor estrutura, passou a comportar cerca de 80 alunos, em grupos mistos, além de dar início às aulas de português, ministradas pela professora negra Antônia dos Santos. A instituição pioneira abriu caminho para o surgimento de centenas de escolas no interior de São Paulo, Paraná a Mato Grosso (ver quadro).

Em geral, os shogakko funcionavam em construções precárias, de parede de barro e cobertura de sapé. A iluminação vinha dos vãos nas paredes, que funcionavam como janela. Mas tudo isso não importava tanto, desde que os “nisseis” tivessem o ensino apropriado.

A educação era tão importante, que os japoneses abriam mão da ajuda dos filhos nas lavouras. Nas fazendas ou nos núcleos de colônia, geralmente eram duas aulas diárias. Uma no período da manhã, que durava cerca de três horas.

Após a merenda descansavam um pouco. Todos descalços, carregavam o sekiban (lousa de pedra), o sekihitsu (giz de pedra) e retornavam ao chamado do professor, que anunciava o começo das lições vespertinas, que duravam até o final do dia.

Mesmo que o sonho de regressar ao Japão não tenha se concretizado, a persistência para que seus filhos estudassem foi fundamental para que, mais tarde, começassem a ingressar nas universidades brasileiras.

Português ou japonês?

Nas primeiras décadas da imigração, o ensino do português sempre provocou divergência entre os pioneiros.

Enquanto muitos defendiam a idéia de que a cultura local deveria ser secundária, ou até mesmo desprezada, alguns poucos esclarecidos queriam que seus filhos, a quem consideravam legítimos cidadãos brasileiros, aprendessem o novo idioma.

Mas, para a nova geração, era difícil distinguir uma língua da outra. Segundo consta na obra O Imigrante Japonês, do historiador e artista Tomoo Handa, “o linguajar usual dos meninos era uma mistura do português aprendido na fazenda e do japonês dialetal que os pais falavam em família.

- ‘Corre, corre! Hayo hashiranka. Atokara carroça ga kioruzo!’ (Corra depressa que vem carroça atrás de você!), era desse jeito que falavam”.

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