As primeiras escolas dos imigrantes
A história dos japoneses continua com o esforço para criar as primeiras instituições dedicadas ao ensino do idioma japonês
13.06.2008

A princípio, as escolas só lecionavam matérias ligadas ao país de origem, como a Taisho Shogakko, mas passaram a incorporar currículos acadêmicos brasileiros, como a escola N.S. Lourdes, ganhando status de instituição pública
Uma modesta casa da rua Conde de Sarzedas, no bairro da Liberdade, abrigou a primeira escola japonesa no país. O mesmo imóvel servia como sala de aula e residência de Shinzo Miyazaki, que ficou conhecido como o primeiro professor da comunidade nipo-brasileira
Sentados à mesa de uma pequena sala, três alunos, com seus cinco ou seis anos de idade, prestam atenção ao que o professor Shinzo Miyazaki escreve na lousa. Apesar da feição japonesa dos pupilos, o alfabeto nipônico, até então, era um amontoado de ideogramas ininteligíveis para essas crianças.
A pequena e rudimentar escola, Taisho Shogakko, na rua Conde de Sarzedas, nº 38, no bairro da Liberdade, foi a primeira de muitas outras que nasceram a partir da década de 10. As instituições carregavam a importante missão de ensinar o idioma e a educação à moda japonesa aos filhos dos imigrantes.
A motivação central dos isseis ao criarem as escolas era ensinar o idioma natal aos filhos para quando voltassem ao Japão. Na época, eles ainda tinham a esperança de empreender a viagem de volta à terra natal. “Regressar ao Japão, levando estes filhos sem saber ler nem falar o japonês, acarretaria em problemas de comunicação com parentes e amigos. E, acima de tudo, seria uma vergonha para um súdito nipônico”, cogitavam os imigrantes.

O diploma de graduação da Escola Taisho Shogakko
Reconhecida oficialmente por volta de 1915, um ano após a sua fundação, a escola começou a registrar aumento gradativo do número de alunos, assim como o de professores. E junto com a evolução da escola Taisho, o instrutor pioneiro Miyazaki continuou dedicando-se às crianças.
Enquanto dois dos três cômodos da casinha eram utilizados como salas de aula, o outro servia de dormitório, um espaço dividido com outros companheiros de trabalho.
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