O desenvolvimento dos núcleos japoneses
Condições econômicas favoreceram migração para Londrina, e aumentaram o número de sitiantes na cidade fundada por japoneses
06.06.2008

Casa dos primórdios de Londrina
Uma vez fixados nos respectivos lotes, as famílias eram responsáveis por desmatar, queimar e limpar as matas que cercavam a redondeza.
As inúmeras palmeiras encontradas na região forneciam material para a construção de cabanas e camas, além do palmito que, junto com o escasso arroz, serviam de alimentos. Carne só quando eventualmente caçavam veados ou porcos-do-mato.
Mas a falta de alimento foi um problema momentâneo, pois em questão meses, os arrozais e as plantações de feijão e milho já abasteciam o grupo. Para o progresso do núcleo, famílias inteiras trabalhavam até o anoitecer, ao som das plantadeiras que ecoavam em meio às queimadas. Satisfeitos com a bem-sucedida colheita do arroz, o número de colonos japoneses multiplicou em menos de um ano.
E foram justamente a fumaça das matas e a entrada de novas levas de imigrantes japoneses que despertaram a atenção dos colonos de outras nacionalidades. Os caminhões, aos montes, dirigiam-se para a recém-desbravada Londrina, o que era sinal de bons negócios. Assim, a cidade começou a tomar forma, e a Companhia de Terras Norte do Paraná passou a vender terrenos na cidade.
No início sua atividade se restringia a vendas de escrituras para pequenos lavradores independentes, concedendo no máximo 30 alqueires a cada família, dentro de um raio de 4km da cidade. Mas com o decorrer do tempo, a demanda foi crescendo e comerciantes interessados na área urbana começaram a aparecer.
Não tardou para que carpinteiros alemães, artesãos espanhóis, artistas árabes, cafeicultores portugueses e italianos abrissem seus comércios e prosperassem em suas terras. Logo, barracões vendendo produtos como arroz e feijão, assim como outros estabelecimentos rústicos foram ganhando espaço. Até mesmo o udon-ya era encontrado.
E quanto mais a “Pequena Londres” ia crescendo, mais Ujihara se empenhava para o seu progresso.
Católico fervoroso, o líder, todas as manhãs, rezava: “Peço a Nosso Senhor Jesus Cristo, em nome da Virgem Santíssima, para que hoje também apareçam muitos compradores…” Como se o pedido fosse atendido, em 1935, foi inaugurada a estrada de ferro Norte do Paraná, que após a Segunda Guerra foi rebatizada como Estrada de Ferro Paraná-Santa Catarina.
Ligando Londrina a São Paulo, muitos cafeicultores emergentes migraram para as terras do sul, fugindo da lei que proibia a produção de café por novos lavradores paulistas. Fato que aumentou o número de sitiantes e apressou o desenvolvimento na cidade.
Primeiras imagens
Hikoma Ujihara, uma das principais figuras da colonozição no ParanáOs feitos de Hikoma Ujihara não se limitam a sua habilidade nos negócios. Além de ajudar a fundar mais de 30 núcleos pela região graças à sua influência na subsidiária inglesa, o imigrante também é conhecido como o “pioneiro do cinema”.
O desbravador registrou o desenvolvimento de Londrina ao longo dos anos 40, 50 e 60 em filmes em 16mm. Hoje, grande parte do acervo está guardado no Museu Histórico de Londrina.
Por meio de sua objetiva, Ujihara acompanhou inaugurações de estabelecimentos, como as casas de correios, deixando um precioso legado para a história da formação da “Pequena Londres”.
Esses atos lhe renderam o título de Cidadão Honorário de Londrina, em 1961, e Cidadão Honorário de Paraná, dois anos depois. Até o governo japonês, através do imperador Hirohito, chegou a condecorá-lo. Atualmente, existe um prêmio que carrega o seu nome em uma das categorias da Mostra de Cinema de Londrina.
Como tudo começou
Cambará, cidade onde se construiu a estrada que levava a Londrina, foi um dos primeiros locais no sul do Brasil a receber os imigrantes japoneses. Sua colonização começou em 1900 sob o comando de Antônio Barboza Ferraz.
Ao provar que as terras sulistas eram férteis e excelentes para o cultivo do café, muitos japoneses passaram, a partir de 1913, a trabalhar em sua fazenda como colonos. Nessa época, a ferrovia Norte do Paraná fazia parte de sua propriedade e só passou para o sindicato inglês em 1929. Seis anos depois, na mesma época em que a estrada de ferro chegava a Londrina, foi fundada a Colônia Esperança, em Arapongas, na região noroeste do Estado.
O núcleo fazia parte dos planos da Companhia de Terras Norte do Paraná e foi assim que, no final da década de 40, nasceu a cidade de Maringá.
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