Da fábrica de plásticos às pistas de dança
Ausentes da rotina dos brasileiros no início do movimento dekassegui, baladas se tornaram uma das principais opções de entretenimento
01.06.2008

DJ Roger Jordan veio para o Japão a trabalho, mas acabou tomando conta das festas de Roppongi com seu ritmo
Durante a madrugada, em uma das casas noturnas do agitado bairro de Roppongi, Tokyo, um brasileiro tem o ritmo da festa sob a ponta dos dedos. Entre os renomados profissionais da área que circulam pelas baladas da capital japonesa, o DJ Roger Jordan encontrou seu espaço, fazendo da pista de dança o seu ganha-pão.
A sua carreira de DJ começou no Brasil, quando o paulistano ainda tinha 15 anos. “Comecei tocando em festinhas do bairro, eventos na escola e casamentos. Ao longo dos anos fui me aperfeiçoando”, relembra.
Quando o movimento dekassegui ainda dava seus primeiros passos, não existia opção de entretenimento especificamente voltada aos brasileiros. As festas se limitavam aos apertados “apatos”, muitas vezes reprimidas pela rigorosa lei do silêncio que prevalece no país.
“A primeira cidade em que morei foi Utsumi (Aichi) em 1992. Trabalhei em uma fábrica de plásticos e na época não existia mais do que dez brasileiros na região. Foi lá que eu senti a diferença, pois tudo parou. Não tinha mais os agitos que eu estava acostumado”, afirma Jordan.
Com o passar do tempo, variedades de diversão foram surgindo nas cidades com maiores concentrações de dekasseguis. De casas de forró e pagode a boates de música eletrônica, o leque de entretenimento foi se abrindo para o público brasileiro. E esse momento foi propício para que Roger voltasse a discotecar. “Em Hamamatsu, Shizuoka, trabalhei com auto-peças. Foi lá que reiniciei meu trabalho de DJ”, relembra.
Mas foi em meados de 2000 que sua vida mudou por completo. Já morando em Tokyo, Roger conheceu o promoter Luciano Uchizono, que divulgou suas habilidades e estabeleceu novos contatos. Estava para nascer o primeiro brasileiro a fazer parte do circuito internacional de clubs e festivais do gênero no Japão.
DEPOIMENTO: O homem que comanda as festas de roppongi
“Graças à ajuda de muitos amigos, pude realizar meu sonho. Tive vários bons momentos como DJ residente da Vision Quest, Womb, Velfarre e Protocol.
Já toquei com muitos artistas famosos, como meu parceiro John Robinson. Festivais marcantes como as duas edições que participei do ‘The Gathering’, em 2005 e 2006, e a ‘Summersonic’ também foram experiências incríveis.
Jamais me esquecerei quando jogaram uma calcinha bem em cima do meu toca-discos durante uma apresentação no Womb. Parei o som, fiz aquele suspense e mostrei a tal calcinha para o público. Todos levantaram a mão e começaram a gritar bem alto. Continuamos a festa.
Atualmente, estou no Brasil divulgando meu trabalho e representando o selo Vision Quest. Ainda toco com um parceiro o projeto GROW.U.U.D Music, uma agência de DJs. Se não estou trabalhando, gosto de ficar com minha esposa em casa, no Guarujá, um lugar que me faz muito bem. Praia, amigos e família são indispensáveis.”
