Os japoneses em Londrina
A fértil terra roxa e os subsídios de empresas estrangeiras na compra de lotes fez com que o norte do Paraná atraísse o olhar de muitos imigrantes
30.05.2008

A Companhia de Terras Norte do Paraná atraiu imigrantes de dezenas de nacionalidades diferentes
“Nossa colônia internacional tem a melhor terra, a qualidade do solo é boa, o clima é bom, e está mais que evidente que, se deixarem passar essa oportunidade, se arrependerão eternamente…”, assim discursava Hikoma Ujihara, verdadeiro propagandista da Companhia de Terras Norte do Paraná e chefe da comunidade japonesa.
Dedicado ao trabalho, todos o respeitavam não só pela liderança dos mais de trinta núcleos que surgiram na época, mas também pelo cargo que exercia na companhia subsidiária inglesa. Seu nome, initimamente ligado ao surgimento da “Pequena Londres”, é uma importante referência quando se fala em desenvolvimento nessa região.
Hikoma Ujihara era diferente dos outros líderes que surgiram até então. Nascido em 1882, na província de Kochi, o chefe pioneiro, além de exercer cargo importante dentro da Companhia de Terras Norte do Paraná, tinha também bastante fama por sua destreza nos negócios.
Chegou ao Brasil em 1910 e trabalhou com agricultura em uma fazenda no interior de São Paulo. Mudou-se para a capital, onde trabalhou como motorista, garçom, fotógrafo, carpinteiro, mordomo e copeiro. Mas foi quando atuou como corretor e colonizador que chamou a atenção de Arthur Thomas, gerente geral da Companhia de Terras Norte do Paraná, que o convidou para a empresa. E a sua própria trajetória se mistura à história da cidade de Londrina.
Tudo começou com apenas três famílias. O lote do núcleo pioneiro se resumia em uma densa floresta e era chamada de “colônia internacional”, já que existia uma empresa inglesa responsável pelas vendas das terras concedidas pelo governo brasileiro e pelo fato da presença de aproximadamente trinta e três nacionalidades diferentes.
Eram alemães, italianos, russos, eslavos, espanhóis, holandeses, poloneses, ucranianos e muitas outras etnias, todos colonos em busca de uma nova vida.

Cena do filme Gaijin 2- Ama-me como sou, da diretora Tizuka Yamazaki, que reproduz a difícil travessia dos desbravadores
“Atrás das duas bandeiras (do Brasil e da Inglaterra) cruzadas em forma de ‘x’, aparecem as bandeiras de três países: Japão, Alemanha e Itália, seguindo a ordem de colonização. Isto era sinal de que a Companhia também reconhecia que nós, japoneses, tínhamos sido um dos primeiros colonizadores da região norte do Paraná. Quando vi a bandeira japonesa tremulando, meus olhos se encheram de lágrimas” - depoimento de um dos pioneiros de Londrina no livro “O Imigrante Japonês”, de Tomoo Handa.
Os primeiros, de fato, foram os japoneses, chefiados por Hikoma Ujihara. Enfrentaram a recém-inaugurada estrada que levava de Cambará a Londrina, no meio da mata virgem.
Quando chovia, as rodas dos caminhões e das carroças puxadas a cavalo e boi ficavam atoladas no barro vermelho. A passagem da chegada das primeiras famílias japonesas à região é muito bem retratada no filme Gaijin II, da cineasta Tizuka Yamazaki.
As cenas mostram a pioneira Titoe, personagem principal, com a filha durante o trajeto para o Paraná, quando tiveram que enfrentar todo tipo de dificuldades e obstáculos naturais.
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