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Gueixas no Japão moderno

As tradicionais “acompanhantes” buscam seu espaço no mundo moderno para evitar que desapareçam


A leveza de Komono contrasta com a sua rotina corrida, que inclui 12 horas diárias de trabalho e estudo. Ela possui pouco tempo para se trocar entre os jantares, contando com apenas dez minutos para vestir duas faixas e três quimonos que pesam cerca de sete quilos

Vivendo um universo desconhecido até para a maioria dos japoneses, as gueixas lutam para encontrar o seu espaço no mundo moderno do Japão. É o caso da gueixa de Kyoto Komono (pequeno pêssego), que nasceu no México e ingressou na profissão de uma maneira nem um pouco tradicional: pela internet.

Antigamente, uma adolescente se tornava uma gueixa através de contatos pessoais, mas Komono entrou na tradicional profissão japonesa por e-mail. Nada mais apropriado para um país que funde tradição com modernidade de uma maneira tão intensa como o Japão.

Komono menciona no livro A Geisha’s Journey – ensaio feito pelo fotógrafo japonês Naoyuki Ogino, que está sendo lançado em maio – que não sabia nada sobre a misteriosa profissão até encontrar em 1998 o site de Koito, uma gueixa de Kyoto que também mantinha uma okiya (casa de gueixas). O primeiro site mantido por uma gueixa.

Depois de três anos de trocas de e-mails, Komono se formou no colegial e aos 15 anos se dirigiu a Kyoto para se tornar uma maiko, aprendiz de gueixa. A adolescente enfrentou grande oposição dos pais que preferiam que ela seguisse o caminho mais convencional de estudo na faculdade e casamento.

Após as dificuldades dos primeiros anos de uma profissão que requer uma imersão de 24 horas por dia, Komono sustenta hoje uma casa própria e vive com confortos como um televisor de plasma e um Macintosh.

Porém, Komono não esconde que tem receios quanto ao futuro. A quantidade de integrantes do ofício chegou ao seu pico em 1928, com 80 mil gueixas, porém apenas mil restam atualmente. A concorrência de formas mais modernas de entretenimento, o medo de políticos e executivos de se envolverem em escândalos e a crise econômica – um jantar com gueixas custa cerca de 80 mil ienes por pessoa – são as principais causas do declínio da profissão.

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