O otimismo trazido por Umpei Hirano
Através da ajuda mútua, os japoneses puderam adquirir terras e fundaram núcleos de colônia. Mas as primeiras tentativas foram traumáticas
16.05.2008

Desbravadores levantam o barraco, que serviria de moradia durante o início do processo de ocupação das novas terras
Um dos episódios mais trágicos do processo inicial da imigração aconteceu em uma das colônias, o núcleo Hirano, ou Hirano Shokuminchi, de 1.620 alqueires, situado a 13 quilômetros da atual estação de Cafelândia.
Foi fundado por Umpei Hirano, um dos intérpretes que desembarcou do Kasato Maru e atuou na fazenda de Guatapará por sete anos, onde chegou até a ocupar o cargo de gerente, responsável pela liderança de mais de 500 famílias.
Nessa época, era muito respeitado, tanto pelos imigrantes quanto por seus superiores, devido à sua dedicação ao trabalho, tanto é que a fazenda da qual tomava conta foi a única que não sofreu rebeliões ou graves revoltas por parte dos colonos.
Consta nas memórias do livro Hirano Nijyugonenshi que, “apesar da sua pequena estatura, trabalhava infatigavelmente todos os dias, chovesse ou ventasse; saía a cavalo para vistoriar, pelo menos uma vez por dia, os dois milhões de pés de café”.
Umpei Hirano tornou-se um dos símbolos dos sacrifícios que os primeiros imigrantes enfrentaram em território brasileiro
Apesar da autoridade que exercia sob seus colegas, o intérprete dispensava a formalidade e chamava seus subalternos pelo primeiro nome, demonstrando afinidade, o que não é costume no Japão.
Todos os seus subordinados depositavam confiança em sua pessoa e este não sofreu oposição quando propôs a criação de uma colônia. A exploração do núcleo começou no dia 2 agosto de 1915. O grupo de 20 homens, sob o comando de Hirano, seguiu em direção ao rio Dourados, desbravando a mata com seus facões, atentos a qualquer animal selvagem que pudesse surgir da densa floresta.
No dia seguinte, exaustos, chegaram ao seu local de destino e lá se estabeleceram. O líder distribuiu vastas áreas para cada representante de província que o acompanhara na jornada, além de procurar empreiteiros brasileiros que construíssem uma estrada de acesso ao núcleo. Em janeiro do ano seguinte, a colônia abrigava 82 famílias e seus integrantes já trabalhavam nos amplos arrozais à margem do rio, além de dar início ao plantio do café.
Mesmo desnutridos pela falta de variedade dos alimentos que dispunham, os integrantes trabalhavam arduamente, desmatando a floresta, queimando árvores, construindo seus barracos para enfim começar as atividades agrícolas. Parecia que, finalmente, tudo estava dando certo.
Colônias de imigrantes japoneses
Existia uma inquietante palpitação no peito de cada japonês, o que o diferenciava de todos os outros imigrantes que também trabalhavam nos cafezais brasileiros. A esperança de que um dia retornariam à sua terra natal ainda não havia desaparecido. O suor que derramavam tinha um propósito que ia além do trabalho como colono.
Aos poucos, mudaram seus planos - apesar de seguir o mesmo passo tomado pelos europeus, os japoneses, a princípio, não pensavam em se fixar definitivamente no Brasil. Pretendiam adquirir suas próprias terras a fim de obter um lucro maior, mesmo que prorrogassem sua volta ao oriente por mais alguns anos.
Qualquer oportunidade mais lucrativa que surgisse, seja trabalhando como copeiro nos centros urbanos ou como pedreiros nas estradas de ferro, era motivo suficiente para que os japoneses deixassem a dura vida nas fazendas.
Não era estabilidade que procuravam, e sim, a possibilidade de enriquecer o mais rápido possível. Foi o que levou muitos colonos a unirem suas forças, percebendo que, juntos, poderíam alcançar a independência com menos sacrifício. De fato, com muito empenho, de colonos passaram a atuar como contratistas. E através da ajuda mútua, conseguiram adquirir suas próprias terras e fundaram os chamados núcleos de colônia.
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