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18 de junho | 1908 ~ 2008
Especial do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil
Revista Made in Japan
Centenário da Imigração Brasil Japão

Chegada dos japoneses chocou brasileiros

Diferenças nos hábitos e costumes iniciou o intercâmbio entre as duas culturas que dura até hoje

Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil
O trem especial que conduziu os pioneiros a São Paulo

As diferenças entre os pioneiros nipônicos e os demais trabalhadores de descendência européia eram gritantes. A organização e a submissão dos japoneses eram desconhecidas, até então, por parte dos brasileiros.

O único problema que surgiu foi durante o visto dos passaportes. O trabalho foi dificultado pelos muitos erros em registros de nomes japoneses e também por causa das famílias arranjadas. Durante a travessia do oceano, muitos solteiros se agregaram a famílias desconhecidas, já que só era permitido fazer a viagem aquele que compunha um grupo de no mínimo três pessoas, de acordo com o contrato .

No dia seguinte, foram todos vacinados em duas horas. Homens e mulheres ofereciam seus braços sem relutância alguma. Nunca se vacinou tanta gente em tão pouco tempo, sem ao menos um pequeno conflito sequer. E não pára por aí. Nada passava despercebido diante dos olhos de Amâncio. “Eles têm recebido bem a nossa alimentação, mesmo temperada à moda brasileira. Parece que não estão acostumados à gordura, mas mesmo assim, comem sem reclamar. Ninguém, até agora, manifestou doença intestinal”.

Outro fato que chamou a atenção foi o comportamento durante e após a alimentação. “Não há lugar no refeitório para as quase oitocentas pessoas, portanto muitos têm que esperar os outros terminarem as refeições para finalmente poderem se sentar à mesa. Não ouvi queixas a respeito. Após as refeições, o pavimento do salão do refeitório está como antes: limpa. Assim como em seus dormitórios, não se encontram pedacinhos de papel, fósforos queimados, pontas de cigarro, cuspidelas, migalhas ou restos de comida e mal precisam ser varridos. Se, de repente, avistam algo semelhante sobre as dependências da hospedaria, este, sem dúvida, é proveniente dos serventes do próprio estabelecimento.

O contraste com os demais imigrantes que já haviam passado por aquela hospedaria era evidente. Os japoneses tinham maior asseio também com o corpo, tomando repetidos banhos e trajando sempre roupas limpas. Todos tinham uma caixa onde guardavam escova de dente, raspadeira para a língua, pente para o cabelo e navalha de barba.

E, finalmente, depois de quase uma semana na hospedaria, os pioneiros foram divididos e levados para as fazendas. J. Amâncio Sobral, em seu artigo, profetizou: “Se esta gente, que é toda de trabalho, for neste que é o no asseio, na ordem e na docilidade, a riqueza paulista terá no japonês um elemento de produção que nada deixará a desejar. A raça é muito diferente, mas não inferior. Não façamos, antes do tempo, juízos temerários a respeito da ação do japonês no trabalho nacional”.

Contrato definiu regras claras

Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil
Hospedaria de Imigrantes no bairro da Móoca

O contrato acertado entre a Companhia de Imigração Imperial, presidida por Ryu Mizuno e o governo de São Paulo definia as regras da imigração. Estipulava que seriam introduzidos três mil agricultores, em levas não superiores a mil pessoas. As famílias deviam ter de 3 a 10 membros com idade entre 12 e 50 anos.

A companhia deveria trazer em até quatro meses após a assinatura do contrato, seis intérpretes japoneses que falassem português ou espanhol. Ficou estabelecido que o governo entraria com subsídio para cobrir o custo do transporte. Tal pagamento seria feito no prazo de sessenta dias da chegada dos imigrantes à hospedaria. Os fazendeiros deveriam reembolsar o governo com 40% dos valores subsidiados, com a permissão de descontar tais cifras dos salários dos imigrantes. O primeiro ano de alojamento correria por conta do governo.

Na propriedade agrícola os imigrantes teriam direito a casas iguais às fornecidas aos imigrantes europeus. O governo propunha-se a fundar tantos núcleos quantos fossem necessários às margens da Estrada de Ferro Central do Brasil. Os lotes seriam pagos, no máximo, em três prestações e dentro de, no mínimo, cinco e, no máximo, dez anos. Só poderiam obter lotes aqueles que tivessem realizado a primeira colheita nas fazendas e estivessem com suas dívidas quitadas.

Perfil dos imigrantes

- Cada família tinha em média de 4 a 5 indivíduos

- Apenas 37 pessoas não faziam parte de nenhuma família

- Chegaram apenas 16 crianças com menos de 12 anos

- 8 crianças tinham menos de 1 ano

- Não havia nenhum idoso

- 532 sabiam ler e escrever

-150 eram semi-analfabetos