Brasil procura dar mais apoio aos dekasseguis
Presidente do Conselho Nacional de imigração quer criar Casa do Trabalhador Brasileiro no Japão
14.04.2008

O presidente do Conselho Nacional de Imigração, Paulo Sérgio de Almeida
Se em 1908 os primeiros imigrantes japoneses que aportaram no Brasil tinham o apoio e o aval do governo japonês, hoje os brasileiros que saem do país encontram uma situação diferente, na qual a imigração parece estar completamente desligada da ação governamental. A fim de resolver esta situação, o governo brasileiro pretende elaborar medidas que facilitem a vida dos brasileiros no exterior por meio de informações para os que pretendem sair e centros comunitários, chamados de Casa do Trabalhador Brasileiro, nos principais destinos dos emigrantes.
O plano do governo foi revelado pelo presidente do Conselho Nacional de Imigração, Paulo Sérgio de Almeida, em palestra organizada pela Câmara de Comércio e Indústria Japonesa do Brasil, e que foi realizada na cidade de São Paulo, dia 3 de abril. O evento reuniu, além do presidente Paulo Sérgio, outros membros do Conselho e autoridades da comunidade nipônica no Brasil como Ricardo Sasaki, do CIATE, e Reimei Yoshioka e Kazuo Watanabe, do Bunkyo, que expuseram a situação dos dekasseguis aos representantes do governo.
De acordo com Paulo Sérgio de Almeida, o Conselho já começou 2008 lançando a cartilha informativa “Brasileiros e Brasileiras no Exterior”, no dia 15 de janeiro. O material procura fazer alertas, mostrar diferenças e delimitar direitos e deveres do cidadão brasileiro em outros países.
Como fazer mais pelo emigrante brasileiro?
Mais que informação, o Conselho Nacional de Imigração pretende zelar por melhores condições de trabalho, previdência e apoio jurídico a todos os emigrantes, incluindo os dekasseguis. Para isso, o governo pretende criar um local de referência em cada país, chamado de Casa do Trabalhador Brasileiro. “A nossa idéia não é criar algo como uma delegacia brasileira, mas sim apoiar as entidades de brasileiros que já existem no exterior”, disse o presidente do Conselho. “Queremos que elas (as entidades) dêem programas de qualificação profissional, ensinem o idioma local, dêem aulas de empreendedorismo, etc”, completou.
Segundo Kazuo Watanabe, um dos expositores da situação dos dekasseguis, a idéia do governo brasileiro é boa, mas ainda precisa ser melhor trabalhada: “A Casa do Trabalhador Brasileiro não deve ser algo paternal, mas sim um instrumento que vise incentivar a união e a organização dos brasileiros no Japão e em outros países”, disse. O presidente do Conselho Paulo Sérgio de Almeida se mostrou satisfeito com a iniciativa da palestra e afirmou que o encontro foi algo muito proveitoso: “Era um conhecimento que nós não tínhamos. Foi algo importante para nós e para o Brasil”, disse.
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