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18 de junho | 1908 ~ 2008
Especial do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil
Revista Made in Japan
Centenário da Imigração Brasil Japão

Imperador quebra protocolo com brasileiros

O imperador Akihito e a imperatriz Michiko abandonaram a rigidez e interagiram com os brasileiros que vivem no Japão

O imperador e imperatriz assistiram uma aula de japonês para estrangeiros na escola Sawano Chuo Shougakkou de Ota
O imperador e imperatriz assistiram uma aula de japonês para brasileiros e outros estrangeiros na escola Sawano Chuo Shougakkou de Ota

O imperador Akihito e a imperatriz Michiko visitaram Oizumi e Ota (Gunma), cidades com grande concentração de brasileiros, como parte das comemorações oficiais dos cem anos de imigração japonesa no Brasil, segunda-feira 7.

O casal imperial desembarcou na estação de Kumagaya (Saitama), e seguiu rumo à Prefeitura de Oizumi, onde pôde escutar um breve resumo sobre a comunidade verde-amarela da região.

Mais tarde, o casal visitou a fábrica da Sanyo, onde há 340 brasileiros trabalhando. Em uma passagem rápida pela linha de montagem de máquinas de lavar, duas brasileiras foram privilegiadas ao poder conversar com o casal: Sandra Tasato, 50 anos, e Luiza Mitsiko Zaha, 63 anos, ambas da cidade de Oizumi.

Quebrando todo o protocolo, o imperador se dirigiu à Sandra que estava trabalhando na linha e perguntou se ela era de São Paulo. “Respondi que sim. Depois veio a imperatriz e me disse para eu cuidar da minha saúde”, conta Sandra.

Em seguida, a imperatriz chegou bem próximo a Luiza e fez algumas perguntas. “Ela me perguntou se eu já tinha acostumado com o serviço e eu respondi que sim. Também me perguntou se eu estava com a família, então, disse a ela que tinha três filhos, que o mais velho é casado e que tenho uma neta.” Luiza também pôde conversar com o imperador. “Ele me perguntou se eu era de São Paulo e respondi que sim. Então, ele me disse que tem mais pessoas de São Paulo, e eu disse a ele que parece que sim.”

Akihito e Michiko durante a passagem na rota 354, acenando para os alunos do Instituto Educacional Gente Miúda de Oizumi
Akihito e Michiko durante a passagem na rota 354, acenando para os alunos brasileiros do Instituto Educacional Gente Miúda de Oizumi

RÁPIDA PASSAGEM
A passagem do casal pela linha durou apenas cerca de cinco minutos, mas o momento vai ficar na memória dessas brasileiras pelo resto de suas vidas. “Sempre tive vontade de conhecê-los, mas nunca imaginei que poderia conversar com eles. Minha tia, irmã da minha mãe, chegou a tirar uma foto com eles em Maringá”, conta Luiza emocionada. “Eles são tão humildes que não fiquei nervosa para conversar. Eles não têm um pingo de arrogância e quebraram o protocolo ao vir conversar com a gente. Depois que passou, eu me pergunto até agora se eu falei mesmo com eles”, confessa Luiza.

Sandra também admite que teve sorte. “Sentimos privilegiadas de poder conversar com eles, porque muitas pessoas querem apenas ver e não conseguem”, diz Sandra.

A brasileira Rosa Akemi Otsubo, 52 anos, de Ota, estava perto mas não chegou a conversar com o casal. Mesmo assim, revelou que ficou emocionada. “Antes de vê-los, já estava emocionada. Nunca imaginei que poderia ver eles no trabalho”, confessa Rosa.

Brasileiros que viram o casal imperial: Rosa Otsubo, Sandra Tasato, Luiza Zaha, Fabio Kurashima e Willian Nishimazuro
Brasileiros que viram o casal imperial: Rosa Otsubo, Sandra Tasato, Luiza Zaha, Fabio Kurashima e Willian Nishimazuro

PERGUNTAS
Fabio Kurashima, 47 anos, de Oizumi e Willian Nishimazuro, 43 anos, também viram de relance o casal enquanto trabalhavam na linha. “Estava de costas e pude ver só na hora em que virei para pegar uma peça, mas deu para ver”, conta Fabio.

Após assistirem a linha, o casal entrou em uma sala reservada com 20 funcionários brasileiros. O imperador Akihito e a imperatriz Michiko fizeram algumas perguntas para os presentes, como quantos anos estavam no Japão, quantos filhos têm e se ajudam a família que está no Brasil.

VISITA A ESCOLA
No período da tarde, o imperador Akihito e a imperatriz Michiko foram à Prefeitura de Ota, onde almoçaram. Em seguida, visitaram a escola japonesa Sawano Chuo Shougakkou na mesma cidade, instituição que conta com brasileiros entre seus alunos.

Em uma das salas, o casal assistiu a uma aula de japonês para crianças estrangeiras. E no ginásio da escola, viram uma apresentação de capoeira da escola Art Brasil.

Mais uma vez, o casal quebrou o rígido protocolo: conversou e cumprimentou os 22 alunos e professores da escola de capoeira. O professor Wilson Lima teve a oportunidade de falar sobre a capoeira com o imperador. “Eles têm grande conhecimento da capoeira e pude falar sobre a história, inclusive o lado político da capoeira”, conta Wilson.

Foram dez minutos de conversa traduzidos pela brasileira Bernadete Lima. “Estava meio tensa, mas como eles quebraram todo o protocolo ao se dirigirem a nós, tudo acabou ocorrendo de forma muito natural. Eles cumprimentaram segurando firme em nossas mãos, olharam nos nossos olhos e perguntaram sobre a capoeira”, revela Bernadete. “Eles possuem uma elegância simples. Simples na postura, no olhar e no jeito de se vestir. Foi uma honra apresentar a capoeira para eles”, comenta Wilson.

O professor de capoeira Paulo Nakamata foi surpreendido pelo imperador quando foi indagado de como se toca o berimbau. “Ele me perguntou como se tocava o berimbau e o por quê da pedra. Expliquei e ensinei ele a segurar”, conta Paulo.