Kasato Maru - A chegada
No dia 18 de junho de 1908, tinha início a história dos imigrantes japoneses no Brasil
08.04.2008

Depois de sair do Japão, a primeira parada do navio com os primeiros imigrantes japoneses no Brasil só ocorreu depois de percorridos 1.100 quilômetros. Após uma madrugada de forte tempestade, o Kasato Maru atracou no porto ensolarado de Cingapura no dia 9 de maio. As provisões e os mantimentos foram abastecidos, mas os viajantes permaneceram no navio.
A próxima parada aconteceria apenas na Cidade do Cabo, na África do Sul, no dia 2 de junho. Fato curioso é que durante o trajeto entre o Oriente e a costa africana, um passageiro clandestino foi encontrado no porão. Assustado e encolhido entre a pilha das grandes sacas de arroz, o homem foi conduzido, sem repreensão, aos compartimentos dos demais viajantes.
MEIO CAMINHO
Quando o Kasato Maru cruzou a linha do Equador, no dia 16 de maio, a euforia tomou conta de todos. Estavam a meio caminho de seu destino. Não havia mais volta. O grande vapor seguiria firme o trajeto programado e atracaria no Porto de Santos em aproximadamente um mês. A animação contagiou a todos e não demorou muito para que uma grande festa, com direito a música e dança, acontecesse nas dependências do navio. Os okinawanos, que compunham quase a metade dos imigrantes a bordo, tocavam seus shamisens e cantavam.
Os pioneiros acreditavam que dentro de um ano, pagariam suas despesas com os respectivos fazendeiros e passariam a trabalhar para garantir uma vida economicamente estável em sua terra natal, junto às pessoas amadas que deixaram para trás. Mal sabiam que jamais voltariam a navegar o vasto oceano que separa os dois países.
Pouco antes de chegarem à costa brasileira, o clima de ansiedade era grande e a tensão entre os tripulantes e os japoneses ressurgiu. No dia 15 de junho, o pior aconteceu.
Em uma das costumeiras bebedeiras noturnas dos marinheiros, desconfianças e boatos levam um dos foguistas a perder a cabeça. Embriagado, pega um facão e ameaça Mizuno de morte. Ao chegar na cabine da primeira classe, investiu sobre ele. Antes do tripulante desferir o golpe sobre a vítima, o chefe dos foguistas, Seizo Yokoyama, em uma tentativa de impedir o homicídio, foi esfaqueado. O bêbado foi preso e Seizo mandado às pressas ao ambulatório.
O marinheiro resistiu durante os três dias no navio, mas acabou falecendo logo após ser internado na Santa Casa de Santos. Os dias restantes passaram sem grandes turbulências. Enfim, o Kasato Maru chegou ao tão esperado solo brasileiro depois de 52 dias de viagem.
Na manhã do dia 18 de junho, uma quinta-feira, os passageiros viram os primeiros sinais de terra. A Serra do Mar foi avistada como alguns pequenos pontos verdes acima da linha do horizonte.

Exatamente às 9h30, o navio atracou no cais do Porto de Santos. Chegava ao fim a primeira etapa de uma grande história. Do porto ouviam-se disparos de fogos. Os imigrantes ficaram emocionados, achando que se tratava de uma calorosa recepção por parte dos brasileiros e agitavam suas bandeirolas. Na realidade,não passavam das tradicionais festas juninas da época.
Segundo O Correio Paulistano do dia 26 de junho de 1908, assim dizia o artigo, de autoria do então inspetor da Secretaria de Agricultura - órgão responsável pela política migratória do governo do Estado de São Paulo - J. Amâncio Sobral:
“(…) Esta primeira leva de imigrantes japoneses entrou em nossa terra com bandeiras brasileiras de seda, feitas no Japão, e trazidas de propósito para nos serem amáveis. Delicadeza fina, reveladora de uma educação apreciável”.
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