Seleção olímpica de judô treina em Ota
Para se aperfeiçoarem ainda mais, os judocas estão treinando no Japão e aproveitam para ministrarem clínicas do esporte
02.04.2008

Seleção olímpica brasileira de judô nos treinos no Japão
Em comemoração aos cem anos de imigração, alguns atletas da seleção olímpica de judô masculino e feminino estiveram no Budoukan de Ota (Gunma), em 30 de março. O convite partiu da diretoria da Polícia de Gunma, que promove aulas de judô para estrangeiros na delegacia de Ota e Oizumi (Gunma).
Os atletas Tiago Camilo, João Derly, Danielli Yuri e Edinanci Silva desembarcaram no Japão em 23 de março, acompanhados do coordenador de seleções da Confederação Brasileira de Judô (CBJ), Ney Wilson, e dos técnicos Luiz Shinohara e Rosicléia Campos com o intuito de treinar para as Olimpíadas de Pequim.
Durante o encontro, os atletas fizeram demonstrações, lutaram com os alunos, orientaram e deixaram suas mensagens para cerca de 70 aprendizes do GPI Escola Juvenil de Judô das delegacias de Ota e Oizumi.
“O judô não prepara só para o esporte, mas para a vida. O que aprendemos no tatame, podemos aplicar fora também, que é a disciplina e o respeito pelo próximo e pela vida. O importante é ser campeão dentro e fora do tatame”, disse o judoca João Derly, bicampeão mundial em 2005 e 2007.
A atleta Danielli Yuri faz aplica um golpe na experiente Edinanci Silva
A atleta nikkei Danielli Yuri, medalha de prata nos jogos Panamericanos de 2007 e sétimo lugar nos Jogos Internacionais de Paris de 2008, também deu o seu recado. “É muito treino, mas nunca percam o sonho de estar na seleção”, aconselhou Danielli, que já viveu com seus pais em Hamamatsu (Shizuoka), trabalhou um ano e voltou para o Brasil para alcançar seus objetivos.
Como parte das comemorações do centenário, atletas e alunos pintaram um olho de um grande daruma dourado para conquistarem vitórias nas Olimpíadas de Pequim.
OLIMPÍADAS
A seleção olímpica de judô brasileira deve permanecer treinando no arquipélago por duas semanas. De acordo com o técnico Luiz Shinohara, a seleção iniciou os treinos no Japão e seguirá os treinamentos também em Moscou e Paris, além do Brasil. “Estamos com uma programação muito intensa com treinamentos aqui no Japão, França e Rússia que vai possibilitar que nossos atletas cheguem bem treinados até lá”, apontou.
Ney Wilson complementa. “Para nós, no Japão, o mais importante é que o judô é mais tradicional, onde se segura mais no quimono e isso permite que nossos atletas fiquem com ‘mais mão’, com uma pegada mais forte para poder desenvolver suas técnicas. A intenção de começar pelo Japão é exatamente para poder dar mais força para os atletas desenvolverem e apurar suas técnicas para que a gente possa treinar com os europeus já com outro ritmo.”
Para Ney, as perspectivas para as olimpíadas são as melhores. “No Campeonato Mundial, que se assemelha em termos de dificuldades com os jogos olímpicos, nós tivemos quatro medalhas: três outro e uma de bronze e ficamos na primeira colocação no masculino à frente do Japão, uma coisa inédita para nós. A partir desse resultado, que são concretos, permite que tenhamos uma avaliação bastante otimista e que possamos ter a melhor participação do Brasil de todos os tempos nos jogos olímpicos na modalidade de judô”, avalia.
O atleta Tiago Camilo, medalha de prata na Olimpíada de Sidney e campeão mundial de 2007, conta que os treinos ocorrem todas as manhãs, das 9h às 12h30, e há preparação física no período da tarde. “Espero poder fazer a melhor participação. É só me preparar bem porque o resultado é conseqüência”, conclui Tiago Camilo.
