Imigração

Kasato Maru - A partida

Conheça a história da partida do primeiro navio com imigrantes japoneses rumo ao Brasil, o Kasato Maru

Acervo do Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil

A agitação era intensa no porto de Kobe. As pessoas, impacientes, e acima de tudo, ansiosas em relação ao futuro incerto que lhes aguardava, se despediam de seus parentes.

Era 27 de abril de 1908. Chegava finalmente o dia dos passageiros embarcarem no navio Kasato Maru em busca de seus sonhos. Começava a saga que representaria o marco inicial da imigração japonesa no Brasil.

No dia seguinte, acomodados no deque, os bravos imigrantes ouviam os discursos das autoridades lembrando que “sempre se comportassem com a honra de legítimos japoneses”. Exatamente às 17h55, quando o sol sumia atrás dos montes, o Kasato Maru partia.

Eram 781 pessoas entre passageiros e tripulantes, comandados pelo capitão inglês A. G. Stevens. Os pequenos barcos que acompanhavam os viajantes soltavam fogos de artifício. Estes subiam ao céu, bem alto, em homenagem aos que partiam, sob a fina garoa da primavera.

Os detalhes e a emoção da travessia dos pioneiros da imigração estão relatadas no diário de bordo escrito por Ryu Mizuno, de 50 anos, então presidente da Companhia Imperial de Imigração, o Kookoku Shokumin Kaisha.

Conhecido como o “pai da imigração”, Mizuno foi o responsável pela viagem e pelo bem-estar de seus compatriotas. Foi ele quem correu atrás dos trâmites burocráticos que envolveram o acordo dos países e viabilizou em duas viagens anteriores ao Brasil o processo de imigração. Era considerado um homem frio, porém injustamente. Sua postura dura servia para não passar insegurança, principalmente devido ao importante papel que desempenhava.

Os viajantes sabiam que o trabalho nos cafezais brasileiros não seria fácil, mas o sacrifício, que perduraria no máximo cinco anos, um dia seria recompensado. Retornariam ao Japão enriquecidos e essa esperança era maior do que qualquer dificuldade.

Acervo do Museu Histórico da Imigração Japonesa no BrasilEntre os viajantes, encontravam-se profissionais como artesãos, lavradores, comerciantes e até mesmo artistas. Graças a estes últimos, para espantar o tédio e enganar a saudade, criavam-se rodinhas em que os japoneses apresen-tavam números de dança, teatro e música. Nem tudo, no entanto, era festa. Muito pelo contrário, a hostilidade da maré agitada devido ao mau tempo derrubava muitos por enjôo. A alimentação era precária, o que baixava a imunidade dos que estavam a bordo. Os japoneses ficaram no grande depósito de carvão de pedra e ocuparam os beliches, dispostos de maneira apertada. Logo apareceram os primeiros doentes.

Além desses problemas, outra questão que preocupava muito Mizuno eram os constantes atritos entre a tripulação (a maioria de japoneses) e os imigrantes. Alguns maquinistas estupraram as mulheres dos tripulantes, o que provocou uma revolta no dia 7 de maio. Depois disso, a situação voltou a entrar em um período de maior estabilidade. Mas, mesmo depois de amenizado o caso, a situação não era das mais favoráveis para o “pai da imigração”.

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