Projeto visa ajudar filhos de dekasseguis
Parceria entre Secretaria da Educação e ISEC procura readaptar quem volta ao Brasil
30.03.2008

Reimei Yoshioka, autor do livro O Nikkey do Brasil, é presidente do ISEC, instituto responsável pelo projeto
O ano do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil deixa em evidencia diversos tópicos sobre a ida dos dekasseguis ao arquipélago e a conseqüente dificuldade de adaptação dos brasileiros ao estilo de vida, alimentação, relacionamentos e costumes do Japão. Contudo, poucas vezes se fala sobre os imigrantes que fazem o caminho inverso, ou seja, as pessoas que voltam do Japão para o Brasil.
É esta lacuna que um projeto elaborado pelo Instituto de Solidariedade Educacional e Cultural (ISEC), em conjunto com a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, pretende preencher. O plano consiste em readaptar os filhos de dekasseguis ao ensino brasileiro por meio de orientações sobre o idioma, aulas de reforço em matérias escolares, e informações sobre os costumes do país.
A melhor forma de começar a traçar este objetivo é, segundo Reimei Yoshioka, presidente do ISEC, descobrir quem são os alunos com problemas e analisar quais são as suas principais dificuldades: “Vamos identificar as pessoas através da rede estadual de ensino. O papel do ISEC será o de fornecer orientações aos profissionais da Secretaria da Educação, uma vez que não há como saber quem voltou do Japão agora. Alguns alunos, por exemplo, ficam completamente quietos durante a aula, por não entender ou não falar direito o português “, relatou.
Após esta primeira identificação é que o ISEC e a Secretaria de Educação chegarão ao “gargalo”, ou seja, às informações de onde estão os nikkeis com dificuldades e quais estão sendo seus principais problemas no país. “A partir daí, é hora de entrar com o trabalho profissional de readaptação, mas para isso precisamos de um convênio com patrocinadores que viabilizem o processo”, conta Yoshioka.
O instituto permanece na busca por patrocínios financeiros, mas Reimei Yoshioka acredita que o projeto pode sair do papel ainda em 2008. “Com certeza ele entra em prática no ano do Centenário. A partir do momento em que conseguirmos patrocínio, precisaremos de no máximo 2 meses para ter tudo funcionando bem”, disse o presidente do ISEC.
