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18 de junho | 1908 ~ 2008
Especial do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil
Revista Made in Japan
Centenário da Imigração Brasil Japão

Nikkeis chegam à sexta geração

Conheça Enzo Onishi, o primeiro rokussei do Brasil

por Rafael Jubellini
15.03.2008
Caio Kenji
Pequeno Enzo brinca com sua espada de samurai; família ensina o melhor das duas culturas

O centenário da imigração se aproxima e premia os cem anos de luta de diversas gerações de japoneses que vieram ao Brasil em busca de um sonho. Aqui, com força e trabalho, criaram suas famílias, cada vez mais brasileiras com o passar dos anos. Os nisseis, sanseis e yonseis têm muito o que comemorar em 2008, pois fazem parte dessa história.

A família Onishi tem motivos de sobra para celebrar essa data especial. Eles são um símbolo do centenário. A primeira gossei do Brasil (quinta geração de descendentes japoneses), Vanessa Mayumi Nakamura Onishi, 33 anos, e o primeiro rokussei (sexta geração), Enzo Yuta Nakamura Onishi, são membros da família. Vanessa deu à luz a Enzo há 3 anos e não esperava que o filho seria o primeiro rokussei. “Não esperava porque tive o Enzo com 30 anos.

Foi uma grande alegria, hoje entendo como meus pais se sentiram quando descobriram que eu sou a primeira gossei”, afirmou. Em 1985, foi descoberto que Vanessa, então com 12 anos, era a primeira descendente da quinta geração. “Eu achava legal todos aqueles jornalistas e toda aquela atenção, mas não sabia o que realmente significava. Para o Enzo é assim também, é bom guardarmos tudo para ele ver daqui uns anos e entender melhor a importância disso.”

Recordações não faltam na pasta de Ossamu Nakamura, avô do menino. Orgulhoso, ele faz questão de guardar cada lembrança da família, cada registro desses cem anos de história. Há fotos dos quatro tetravós de Enzo, três deles vieram no Kasato Maru, no dia 18 de junho de 1908. “Comecei a guardar quando descobriram que a minha filha era a primeira gossei do Brasil.

Percebi a importância de dar valor à riqueza do nosso passado”, conta. Nakamura valoriza as raízes japonesas e a história aqui no Brasil da mesma forma. “Somos brasileiros com orgulho, amamos esta terra, mas não podemos esquecer nossos antepassados. Eles batalharam e sofreram muito para este País crescer, para nossa família estar bem hoje.”

A atenção da imprensa, inclusive da emissora japonesa NHK, que realizou uma transmissão ao vivo da casa da família Onishi, aumentou o interesse em preservar o passado e valorizar a cultura. Na sala, Enzo golpeava o ar com sua katana (espada utilizada por samurais) de brinquedo. “Tentamos preservar um pouco da cultura. Tomamos uma sopa japonesa todos os anos para dar sorte, ensinamos palavras em japonês para o Enzo e temos uma alimentação parecida com a de lá, sem esquecer uma boa e brasileira feijoada”, disse Nakamura.

Quando perguntado se esperam que a sétima geração, e a responsabilidade dela, continue na família, Vanessa prefere deixar a escolha para Enzo. “Espero que ele aproveite bastante antes de ter um filho. Se for o primeiro da sétima geração será uma alegria enorme. Só o tempo irá dizer”, disse Vanessa.