Uma japonesa no carnaval de SP
Depois de ficar 50 dias no Brasil, Yuki Morishima retorna ao Japão feliz da vida por ter desfilado como destaque de chão na Vila Maria
26.02.2008

Yuki mostra a camiseta da Vila Maria, com sua fantasia ao fundo que ela deixou exposta em frente à loja onde trabalha
Ela samba melhor do que muitas mulatas e guarda no coração um amor enorme pelo Brasil. A japonesa Yuki Morishima, conhecida pelos amigos como Yuki Pagodinha, mora em Toyohashi (Shizuoka), e este ano realizou o sonho de participar de um desfile do grupo especial no Carnaval paulista. Ela foi destaque de chão da Unidos de Vila Maria, que ficou em 3º lugar com o tema Irasshaimase: Milênios de Cultura e Sabedoria no Centenário da Imigração Japonesa.
É a segunda vez que Yuki visitou o Brasil. A oportunidade surgiu em setembro de 2007, quando Neguinho da Beija-Flor, que se apresentou no Japão, disse que a moça deveria participar do Carnaval brasileiro. “A princípio, achei que não conseguiria chegar ao nível das brasileiras”, disse.
Yuki é diabética e há 13 anos faz três aplicações de insulina, diariamente. “O médico disse que seria inviável eu viajar, mas depois diagnosticou que minha saúde estava boa”, comentou. “No desfile, colegas levaram insulina nos bolsos porque minha fantasia não permitia carregá-las. Se eu começasse a passar mal, eles estariam prontos para me socorrer. Tenho muito a agradecer a escola por isso, deixando-me mais segura”, completou.
Segundo Yuki, uma amiga brasileira, que conhece o presidente da Vila Maria, acertou sua participação no desfile. “Ela me incentivou e fiquei 50 dias na casa dos pais dela, em São Paulo. Antes de ir, trabalhei bastante no Japão para juntar dinheiro”, conta a japonesa, que trabalha em uma loja de roupas e é taróloga.
No Brasil, Yuki ensaiava quase todos os dias. “A pressão era grande e teve um momento que eu cheguei a pensar em desistir. Meus colegas ficaram bravos, argumentando que minha viagem não serviria para nada”, relembra. Ela também recebeu e-mails de incentivo do Japão. “Por a escola estar comemorando o centenário, eu, como japonesa, não poderia envergonhar meu país e me dediquei bastante”, diz.
Yuki fez muitos amigos no Brasil. “Um deles foi um cabeleireiro. Ele disse que estaria sempre disposto a me ouvir nos momentos difíceis e me incentivou a não desistir. Viajei sozinha, mas foi como se eu já tivesse muitos conhecidos”, afirma.
Em 2009, Yuki, que não quis revelar sua idade, vai desfilar na Vila Maria e, se der, na Vai-Vai e na Portela, do Rio de Janeiro. “Acho que estarei menos tensa. Na verdade, tenho vontade de morar no Brasil.”
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