Imigração

Palmeiras homenageia centenário

O Verdão sai na frente e demonstra sua gratidão aos torcedores nikkeis fazendo uma homenagem ao Centenário da Imigração Japonesa

por Paula Harumi
31.01.2008

Faixa do Palmeiras, onde o time faz homenagem ao centenário

O jogo entre Palmeiras e Mirassol teve um gosto especial para os japoneses que torcem para o time comandado por Vanderlei Luxemburgo. Antes da partida, que terminou contra o Mirassol, empatada em 2 a 2, o clube fez uma homenagem ao Centenário da Imigração Japonesa no Brasil. Crianças e descendentes nikkeis, entre eles o torcedor fanático e mesa-tenista Hugo Hoyama, entraram no gramado do Arena Barueri com faixas que saudavam a comunidade nipônica. A bandeira do país do Sol Nascente foi trazida pelos próprios jogadores.

A motivação também tinha relação com a rivalidade fora do campo. “O objetivo era lembrar do Centenário antes dos outros clubes”, revelou o diretor adjunto do departamento de administração do Palmeiras, Helio Tamura.

Além de contar com uma enorme torcida de japoneses e seus descendentes, o Palmeiras fez história no Japão. Foi o primeiro grande clube brasileiro a jogar futebol naquele país. Em junho de 1967, realizou três partidas em Tokyo, pela Copa Brasil-Japão.

ENTREVISTA

Hélio Tamura é um dos únicos funcionários nikkeis do clube. Seus pais vieram de Fukushima e, mesmo com pai são-paulino, ele escolheu torcer pelo time do Parque Antártica. Com 58 anos, ele conversou com a revista Made in Japan

JTB Como veio a idéia de homenagear o Centenário da Imigração?
HÉLIO TAMURA Nós temos muitos torcedores nipônicos e decidimos homenageá-los no ano em que se comemora o Centenário. Queríamos ser o primeiro time profissional de futebol a fazer isso. Levei a idéia para a comissão do clube que organiza festa e eles aceitaram. Falamos com o pessoal do Consulado Geral do Japão em São Paulo também, para que ajudassem com uma das faixas, já que foi escrita em japonês.

JTB A maior parte da diretoria do Palmeira é formada por descendentes de italianos. O fato de também virem de famílias de imigrantes ajudou a aceitarem a idéia da homenagem?
HÉLIO Claro. A colônia italiana se identifica muito com a japonesa. O passado é muito parecido, as famílias trabalharam em fazendas também. Foi fácil eles entenderem o porquê da homenagem. Nós ainda queremos fazer algo maior durante o ano, uma festa grande.

JTB O jogo foi transmitido para o Japão?
HÉLIO Foi, não sei se ao vivo. Nós negociamos também com uma agência de notícias do Japão. Eles foram muito receptivos. O Palmeiras tem até torcida organizada lá, a Mancha Verde.

JTB Qual a sua história no clube?
HÉLIO Sou palmeirense desde 1960, quando tinha 10 anos. Moro perto do Parque Antártica e sempre freqüentei o clube. Quando estava com mais idade, tive interesse em participar das atividades do time. Fiz parte do Departamento de Cultura e Arte, organizei eventos, e hoje sou do Administrativo.

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