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Imigrantes adaptaram pratos na chegada ao Brasil

Quando chegaram ao Brasil, os imigrantes japoneses tiveram de adaptar seus hábitos alimentares. Com criatividade, preparavam pratos com os ingredientes que conseguiam. Agora o restaurante Yayoi recria o cardápio da época

por Erin Mizuta
10.07.2007
Luiz Fernando Macian

Logo que chegaram ao Brasil, os imigrantes japoneses se depararam com um novo mundo. E um modo de vida completamente estranho. Com muito custo, tiveram de se adaptar aos hábitos alimentares do País. No início do século passado, muitos trabalhavam no campo e dali tiravam seu sustento. Na época, não havia muita variedade de alimentos e, para preparar os pratos que se adaptassem ao paladar japonês, as famílias substituíam os ingredientes com aqueles que possuíam.

Tsukemonos, as tradicionais conservas japonesas, passaram a ser feitas de mamão verde e chuchu como substituto ao nabo. Os animais mais fáceis de serem criados eram porcos e frangos e, por isso, constituíam, junto com o bacalhau seco encontrado nas vendas, a alimentação básica de todo imigrante. Outros pratos também surgiram da adaptação do imigrante à falta de ingredientes, utensílios e fortes temperos usados em terras brasileiras. Da soja, utilizavam quase tudo: faziam missô, shoyu, tofu, extraíam leite e ainda usavam o farelo para preparar farofa.

“Era o que tinha na marmita que minha avó preparava e que eu levava para meus pais no trabalho, enquanto eles desmatavam o terreno para plantar algodão”, lembra Isao Sawada, mais conhecido como Bebeto, proprietário da rede de restaurantes Yayoi. Ao recriar parte do cardápio dos imigrantes na recém-inaugurada Yayoi Costelaria, ele queria trazer de volta o tempero da época em que era criança. Mas já sabia que suas receitas teriam muito mais para contar do que o cotidiano da cidade de Pereira Barreto, no interior de São Paulo, onde nasceu. “Como resolvi fazer algo em sistema diferente, não só tradicional, trouxe a comida de meus pais e avós como forma de mostrar um pouco da imigração japonesa para os mais jovens”, afirma.

Assim, incluiu no buffet da costelaria pratos típicos preparados pelos imigrantes japoneses na década de 50. São cinco receitas feitas com os ingredientes básicos que os colonos da época possuiam: carne de porco, missô, shoyu e farelo de soja (okará). “Chamo de ‘cantinho da saudade’”, brinca Bebeto. Ele lembra que até o sashimi era feito com a melhor parte do peito do frango levemente passado em água quente, mas, devido à dificuldade de adaptação ao paladar dos brasileiros, ele não faz parte do cardápio. A costela de porco com missô surgiu da necessidade de se conservar o produto, já que não havia geladeira. Outros imigrantes utilizavam a gordura do animal, que era considerado muito forte para o paladar japonês.

O slogan que criou para divulgar a novidade foi “inaka no aji”, ou “tempero do interior”. E parece que está agradando. Muita gente de longe vem a São Paulo e não deixa de experimentar o gostinho de voltar uns anos no tempo.

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Receitas dos pioneiros: lombo na pinga, chuchu na pinga, okará, costela de porco no missô

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