Tadashi Endo comemora 60 anos com apresentações no Brasil
Coreógrafo e dançarino de butoh se apresenta no Caixa Cultural. A entrada é gratuita
15.06.2007
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Tadashi Endo no espetáculo Ma, sobre o espaço entre as coisasUm dos mestres do butoh e parceiro de Kazuo Ohno - criador dessa dança-teatro ao lado de Tatsumi Hijikata - Tadashi Endo, celebra seu aniversário de 60 anos com três espetáculos no Rio de Janeiro. As coreografias são One Nine Four Seven, Tasogare e Ma. “Os três espetáculos são diferentes, mas, na essência, são iguais. Quero passar uma mensagem invisível capaz de despertar as pessoas, independente de sua nacionalidade”, diz o coreógrafo e dançarino.
1947 é o ano do nascimento de Endo e o espetáculo é autobiográfico e fala das raízes: as japonesas e a do desenvolvimento do espírito humano através dos descendentes. Em Tasogare, o artista dança sobre a sensação do ocaso, o momento em que o dia e a noite estão juntos. Ma fala do espaço entre as coisas.
Diretor do “MAMU - Butoh Center” e diretor artístico do festival “MAMU International Butoh festival”, em Göttingen, na Alemanha, Tadashi Endo iniciou seus estudos pelas formas tradicionais do teatro de seu país como o nô e o kabuki para só então estudar o teatro ocidental. Endo também realizou trabalhos no Brasil em parceria com o grupo LUME, da Unicamp. Em 2003, dirigiu o espetáculo Shi-Zen - 7 Cuias do grupo e com ele recebeu duas indicações ao Prêmio Shell (melhor iluminação e melhor trilha sonora).

Em Tasogare
Em entrevista exclusiva à Made in Japan, ele fala sobre vida, morte, butoh e o momento em que encontrou Kazuo Ohno, o mestre do butoh que mudou sua vida para sempre. Confira abaixo:
Made in Japan - Como o senhor descreveria o butoh hoje? Quais os principais elementos dessa arte nos dias atuais?
Tadashi Endo - O butoh nasceu no Japão e sementes se espalharam pelos outros países do mundo. Neste século 21, essas semestes estão florescendo. O butoh foi criado por japoneses e para o corpo japonês. São inevitáveis as mudanças decorrentes das influências internacionais, mas a essência do butoh está sendo preservada: o caráter radical e seu poder de crítica.
MJ-O espetáculo One Nine Four Seven fala de raízes, uma volta às origens japonesas. Qual é a sua relação com o Japão hoje, 38 anos longe de sua terra natal?
Endo - Meu pai era professor de japonês em Pequim, lugar onde nasci. Morei também no Japão e, depois, me mudei para a Alemanha onde vivi mais da metade da minha vida e onde moro até hoje. Em nenhum lugar do mundo tenho a sensação de “retornar ao lar”, nem quando volto ao Japão. E isso não é ruim. Aproveito essa facilidade de adaptação para trabalhar com pessoas de várias culturas. Esse elemento é a essência do espetáculo One Nine Four Seven.
MJ- Qual é sua relação com o Brasil? Como o sr. avalia o butoh aqui?
Endo - O público brasileiro é muito receptivo, sinto algo diferente, algo mágico quando me apresento aqui. É a sétima vez que venho ao Brasil. Fui muito bem recebido por sete artistas do teatro LUME, de Campinas. A primeira imagem que tinha - inevitável! - era do país do samba e do futebol. Mas o estereótipo se desfez quando descobri que o país é gigante e abriga diversas culturas. (Ele já se apresentou em São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte).
Sei que há um pequeno grupo de butoh em São Paulo, mas não conheço. Minha impressão é de que o butoh se espalhou pelo mundo de uma forma diferente que a das dança clássica ou contemporânea. Não foi um movimento em larga escala, mas muito profundo. Os poucos grupos que dançam o butoh se dedicam muito a ele.
MJ - Qual a mensagem que o sr. gostaria de passar aos brasileiros com os três espetáculos Ma, One Nine Four Seven e Tasogare?
Endo - Os três espetáculos são diferentes, mas, na essência, são iguais. Quero passar uma mensagem invisível capaz de despertar as pessoas, independentemente da sua nacionalidade. Não importa se a pessoa dança bem ou mal, se é especialista ou não, o importante é ter vontade de tocar as pessoas.
MJ - O que mais marcou em seu contato com Kazuo Ohno pessoalmente e profissionalmente?
Endo - Até encontrar o mestre Kazuo Ohno não tinha levado o butoh a sério. Dentro do meu espírito havia a essência do butoh, mas foi Ohno quem a despertou. Ele veio falar comigo depois de assistir a uma apresentação, disse que o butoh existia em mim. E assim mudou a minha vida. Depois, começamos a trabalhar juntos.
Reportagem: Paula Moura. Colaboraram: César Hirasaki e Gabriel Dudziak.
Manifesto MAMU
Veja também o processo de criação do Manifesto MAMU, em que Endo exemplifica por meio de 12 itens o que é o conceito MAMU:
MAMU 1
Criança de um mamute
Criança fora das coisas estragadas
MAMU 2
Força, que está crescendo, sempre e em todos os lugares
No ar, na areia, no espírito, no vermelho, no branco.
MAMU 3
MAMU existe e não existe.
eventos que desaparecem e irão nascer,
Escondendo e mostrando a si próprios.
MAMU 4
MAMU é um outro país,
nascido no caos de cruzamentos e atividades,
MAMU é outro corpo
MAMU 5
Timidez - hesitação
Como um gato - identificação com hesitação - com hesitação realizando a diferença.
MAMU 6
Reconhecer todas as diferenças e indo à deriva junto com a afirmação,
Este poder é humor.
MAMU 7
Grande como um mamute, minúsculo como um filhote de mamute
Vivendo em sua sensibilidade selvagem.
MAMU 8
sobre Butoh
Butoh está em todos os lugares - MAMU está em todos os lugares.
Alcançando todas as linhas, que levam o MAMU ao butoh,
Que levam o butoh para o MAMU.
MAMU 9
Novos chifres, novas unhas, novo cabelo, novo peito,
Novos lábios, novos joelhos, novos olhos e novas solas dos pés.
MAMU 10
A chave que leva ao MAMU abre seu novo corpo e sua nova casa
E leva você para novos caminhos, novas jornadas e novos sonhos,
para uma nova ética.
MAMU 11
OUT in IN (Fora no dentro)
Para andar além de seus próprios limites.
MAMU 12
MAMUpássaro, MAMUnuvem,
MAMUfrutas and frutas-pedras,
MAMUmontanhas, MAMUvoz
Descoberta.
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