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O peso do futuro do Japão

Considerada a Lady Di japonesa, a princesa Masako tinha até suas idas ao médico transmitidas ao vivo pela TV. Lançado recentemente pelo australiano Ben Hills, o livro "Princesa Masako - Prisioneira do Trono de Crisântemo" conta o sofrimento da diplomata que virou princesa

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Masako na foto da família imperial
Considerada a Princesa Diana japonesa, Masako também é vítima do excessivo assédio da imprensa. Relembre em matérias da revista Made in Japan a trajetória da diplomata que se casou com o príncipe-herdeiro Naruhito.

Apesar de ser menos venenosa do que os tablóides ingleses, a imprensa nipônica chegou a ser apontada pelo casal imperial como “parcialmente responsável” pelo aborto espontâneo ocorrido em 1999. Após a notícia da gravidez ter sido divulgada prematuramente, as visitas da princesa a seu ginecologista passaram a ser transmitidas ao vivo pela televisão, com imagens feitas a partir de helicópteros perseguindo o seu carro.

Em dezembro de 1999, na entrevista coletiva em função de seu 37º aniversário, a princesa falou pela primeira vez sobre o aborto: “Eu sei que havia grandes expectativas entre as pessoas. Eu também sinto muito pelo ocorrido no final do ano passado”. Na ocasião, Masako também expressou seu ressentimento com a imprensa. “Eu realmente fiquei perturbada com a maneira exagerada com que a mídia cobriu a gravidez desde o começo”, disse. A princesa ainda agradeceu o apoio recebido de Naruhito e as muitas cartas de encorajamento enviadas pela população na época. “Pude sentir que estava verdadeiramente amparada pela boa vontade de muitos”.

A tragédia do aborto afetou tanto a mídia quanto a assessoria de imprensa da casa imperial. Agora todos estão procurando ser mais ponderados. O jornal Yomiuri Shimbum, o primeiro a divulgar a gravidez em 1999, sofreu duras críticas por invadir a privacidade real. Recentemente, o veículo publicou um pedido de desculpas em seu editorial: “Desta vez, vamos procurar encontrar o equilíbrio entre a necessidade de informar e a privacidade. (…) Nós, sinceramente, parabenizamos a princesa e pedimos lhe que por favor cuide-se bem e relaxe seu corpo e mente”.

Depois do incidente, a relação entre a imprensa e o Palácio Imperial tornou-se ainda mais difícil. Made in Japan conversou com redatores de dois dos principais jornais japoneses, que preferiram não se identificar. Eles explicaram que, exceto pelas entrevistas coletivas organizadas em ocasiões especiais, os jornalistas precisam buscar a intermediação da Agência do Gabinete Imperial, uma das instituições mais fechadas e inacessíveis do planeta, para conseguir qualquer informação sobre a Família Imperial. Tanto que qualquer visita que tenha uma audiência no Palácio Imperial é assediada. Recentemente o ator Roger Moore, que visitou a Família Imperial, teve que dar explicações sobre a gravidez da princesa, mesmo sem saber o que falar.

O pacto de não exceder na cobertura da gravidez desta vez e o clima de respeito com a Família Imperial não abrange a imprensa internacional. No início do ano, o jornal alemão Suddeutsche Zeitung teve de se desculpar com o governo japonês por ter publicado uma charge do príncipe Naruhito com as palavras “Tote Hose” (calças mortas) estampadas sobre sua calça. A frase em alemão significa algo como “nada acontece”, ou “impotente”.
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Já o Independent on Sunday publicou um artigo defendendo a possibilidade de a princesa ter recorrido à fertilização artificial para engravidar. Segundo o jornal inglês, Masako teria recebido em março a visita do ginecologista Osamu Tsutsumi, do Hospital da Universidade de Tokyo e responsável por uma bem-sucedida clínica de fertilização. A Família Imperial dispõe de quatro médicos oficiais a seu dispôr, e esta, provavelmente, foi a primeira vez que outro profissional compareceu ao palácio. “Essa é uma evolução memorável para uma das monarquias mais tradicionais e fechadas do mundo, e tem o mérito de ocorrer num país com uma postura conservadora a respeito de fertilidade e reprodução”, escreveu o Independent on Sunday.

Há dois anos, uma revista semanal japonesa já havia noticiado que o casal estava fazendo tratamento de fertilização artificial. De qualquer modo, a Agência do Gabinete Imperial jamais confirmaria uma notícia desse porte.

Michiko foi pioneira
A atual imperatriz, Michiko, a primeira plebéia a fazer parte da Família Imperial, também sofreu enormemente com a vigilância da velha guarda real durante seus primeiros anos no trono, na década de 60.

Sua ascensão ao tro-no foi um sinal de mudança na Família Imperial, e vista como uma redução na distância entre o Império e o povo. Quando Akihito assumiu o poder, em novembro de 1990, ele expressou seu desejo de tentar desmitificar sua posição e afirmar-se como um monarca do “mundo real”.

Até a Constituição Meiji, de 1889, o imperador era mencionado na legislação japonesa como sendo um deus. Akihito foi criado dentro de um sistema que o considerava o herdeiro de arahitogami (deus vivo) de seu pai e descendente direto de Amaterasu-Omikami, deusa do sol. Mas a Constituição de 1946 já havia tirado do imperador os poderes políticos e sua aura sagrada.

A imagem de Akihito ficou associada à democracia e à modernização que trouxe prosperidade ao país, o que o tornou muito popular entre a classe média. O imperador tem adotado hábitos revolucionários, como parar nos faróis do trânsito e possuir uma linha direta de telefone. A visita aos desabrigados pelo terremoto de Kobe, em 1995, também serviu para dar uma aura mais humanista ao casal imperial. Essas mudanças, entretanto, ainda são interpretadas como superficiais. O desafio de Naruhito e Masako será fazer transformações mais expressivas nos hábitos e costumes da Família Imperial.

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