A volta da princesa
Após 20 meses de reclusão em Tokyo, a princesa Masako finalmente aparece em público. Ela visita a Expo Aichi e sai em férias com o príncipe Naruhito e a princesa Aiko
11.04.2007
Princesa Masako com o príncipe Naruhito e a filha AikoDepois de 20 meses de reclusão, sem comparecer a nenhum evento fora de Tokyo, a princesa Masako finalmente foi vista pelos seus súditos. A aparição foi em Nagoya, província de Aichi. Aparentando boa saúde, a princesa e seu marido, o príncipe-herdeiro Naruhito, desembarcaram de um trem bala e visitaram a Expo Aichi 2005. Vestindo calças brancas e uma jaqueta bege, Masako respondeu carinhosamente com pequenos acenos ao público presente. Checou vários pavilhões da exposição e voltou no mesmo dia. Apesar de o passeio durar apenas um dia, a visita da princesa Masako tem um significado especial, pois mostra que ela está finalmente se recuperando de sua doença em decorrência do estresse.
Pouco a pouco Masako vem retomando seus compromissos públicos. Além da aparição na exposição, ela esteve nos compromissos de Ano-Novo da família imperial em 2 de janeiro, em uma peça de bunraku (tradicional teatro de bonecos japonês) em fevereiro e em uma cerimônia das Organizações das Nações Unidas para a Infância e Juventude (Unicef) em maio.
Outro sinal de melhora da princesa é a viagem realizada em 10 agosto. Masako, o príncipe Naruhito e Aiko chegaram a posar para fotos na estação de Nasushiobara, no norte de Tokyo, onde foram passar as férias de verão na vila imperial.
Estresse e reclusão
A doença da princesa não é novidade para os japoneses. Em dezembro de 2003, Masako foi hospitalizada com herpes zóster, uma doença viral infecciosa que vem à tona quando o corpo abaixa a resistência; no caso de Masako, o mal é proveniente de seu estresse. Mas nada grave. O problema maior foi em julho de 2004, oito meses após Masako cessar com aparições públicas, quando foi diagnosticado que sofria de uma doença chamada transtorno de ajustamento, que é o desenvolvimento de sintomas emocionais ou comportamentais significativos em resposta ao estresse. Com isso ela se afastou dos compromissos públicos e notícias suas eram raras, por opção da própria princesa.
Em seu discurso de aniversário em 21 de fevereiro, Naruhito afirmou que a princesa vem se recuperando e agradeceu ao povo, que tem apoiado Masako. Contudo, sua condição possui altos e baixos como anteriormente. O fato de sua avó ter falecido em novembro de 2004 também contribuiu para que o quadro da princesa se agravasse.
Masako não compareceu ao aniversário de 70 anos da imperatriz Michiko no dia 20 de outubro de 2005. “Quando alguém da família está sofrendo, todos sentem uma tristeza. Eu, assim como os membros da família imperial, queremos ajudá-la”, disse a imperatriz.
A decepção foi geral, já que se esperava uma recuperação mais rápida da princesa depois de suas estadias em resorts. Na primavera, ela se hospedou em um hotel em Karuizawa, na província de Nagano. Em 24 de setembro, foi para outro resort, em Nasu, na província de Tochigi, na companhia do príncipe Naruhito e da princesa Aiko. Para preservar Masako, a Agência da Casa Imperial pediu à imprensa para não divulgar a data prevista do retorno dela a Tokyo.
De diplomata a princesa
Pelo que se sabe, a situação profissional de Masako também colaborou para a depressão. Se Masako não fosse princesa, ela com certeza estaria entre o grupo das mulheres bem-sucedidas do Japão, as conhecidas “career woman”. Filha de um diplomata, Hisashi Owada, Masako cursou o jardim-de-infância em Moscou e parte do ensino fundamental nos Estados Unidos, sempre acompanhando as missões diplomáticas do pai.
Depois graduou-se em economia na Universidade de Harvard para, no ano seguinte, matricular-se na Universidade de Tokyo. Após passar pelo serviço diplomático, Masako passou a integrar o Ministério das Relações Exteriores do Japão e ainda foi enviada para estudar em Oxford.
Ela conheceu Naruhito, o filho mais velho do imperador e herdeiro do Trono do Crisântemo, em um chá oferecido no Palácio Imperial, em 1986. Sete anos depois, em 1993, os dois anunciaram oficialmente o noivado, em 12 de abril. Em 9 de junho, casaram-se.
Masako deixou o ministério, e suas atividades diplomáticas se reduziram a visitas a países e a recepção a líderes de Estados, sempre acompanhando Naruhito. Sua carreira foi deixada para trás, o que, segundo os jornais, passou a ser motivo de depressão para a princesa.
Após seis anos de casamento, Masako ainda não havia tido filhos. A pressão por um herdeiro era grande, tanto do povo japonês como da imprensa. A princesa engravidou, mas sofreu um aborto, o que a deixou bastante abalada.
Em 1999, ela engravidou novamente. Ainda sob o trauma do aborto, a princesa sempre dava respostas evasivas às perguntas sobre a possibilidade de gerar um herdeiro. Na gravidez de Aiko, a notícia foi veiculada com cautela. “Por favor, aguardem o anúncio oficial, calmamente. Espero que o episódio anterior não venha a se repetir”, disse o príncipe Naruhito. Até que Aiko nasceu. O sexo do bebê só foi revelado com o anúncio do nascimento.
* Matéria publicada na edição 96 da revista Made in Japan, de setembro de 2005
*Leia mais na edição 115 da revista Made in Japan
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