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Brasil e Japão unidos na música

Músico harmoniza o shakuhachi com a bossa-nova. Ouça trechos de canções

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Shen foi aprofundar os estudos do shakuhachi no Japão

Neste sábado em São Paulo, o flautista Shen Ribeiro e seus colegas Elza Hatsumi (koto, cítara japonesa), Tamie Kitahara (shamisen, instrumento com três cordas), Laércio Freitas (piano), Camilo Carrara (violão), Sylvio Mazzucca (contrabaixo) e Caíto Marcondes (bateria), apresentam o concerto Shakuhachi Breeze. A primeira parte do evento se dedica a mostrar ao público a música tradicional japonesa em uma apresentação do shakuhachi, flauta japonesa, em conjunto com o koto e shamisen. Em um segundo momento do show, Shen mistura o sopro denso oriental com o som de violão, piano, contrabaixo e bateria ao ritmo da bossa-nova, representando a fusão e proximidade entre o Brasil e o arquipélago. O música conta que “essa é a primeira apresentação deste tipo aqui no Brasil. Fiz uma fusão de estilos semelhante quando estava no Japão, em um concerto com Sylvio Mazzucca”.

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Shen Ribeiro e suas colegas Elza Hatsumi (koto, cítara japonesa), Tamie Kitahara (shamisen, instrumento com três cordas)

Shen Ribeiro ouviu o som de um shakuhachi em 1985, época em que tocava flauta transversal na Orquestra Jovem do Município de São Paulo. “Eu adorei o timbre”. O músico explica que o som mais denso da flauta japonesa em relação à transversal o encantou.

Por incentivo e apoio de sua amiga, Elza Hatsumi, em 1987, Shen foi ao Japão se especializar em shakuhachi na Universidade de Belas Artes de Tokyo. “A Elza foi estudar no Japão antes de mim e me incentivou a ir para lá também”. No arquipélago, teve como mestre e professor Goro Yamaguchi. “Yamaguchi foi um mestre muito atencioso e paciente. Eu não sabia japonês nem estava acostumado na posição de sentar tradicional japonesa, o seiza”. Após 5 anos de estudo, Shen se profissionalizou. “Você precisa extrair as notas de apenas cinco furos. A posição de tocar é diferente e é necessário mais fôlego. É um instrumento primitivo”, diz.

Apesar de estar em um país diferente do Brasil e não saber o idioma, a adaptação não foi difícil. “O Japão é muito organizado e as pessoas, atenciosas”. Ele também diz que já tinha noção de como seria a cultura nipônica, pois praticava kendô na Universidade de São Paulo e tinha começado seus estudos sobre shakuhachi.

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Após gravar álbum de canções japonesas, Camilo Carrara vai representar a música brasileira no show

O som da meditação

A origem da flauta de bambu japonesa está vinculada com ao monge budista Fukeshu, do período de Morokoshi da China. Especula-se que no Japão ela teria sido introduzida por Kakishin, um monge zen-budista da Era Kamagura. No século 17, as músicas zen do shakuhachi eram tocadas apenas por monges. Já no século 18, houve a ampliação do universo musical e o instrumento passou a fazer conjunto com o koto e o shamisen.

Japão e Brasil

A apresentação revela seu lado abrasileirado com piano, contrabaixo, bateria e violão. Camilo Carrara é violonista e conheceu Shen em 1983. Desde então se tornaram amigos e, ano passado voltaram a tocar juntos. “Acho o trabalho do Shen muito bom, pois é um diálogo entre as culturas na perspectiva da música. Shen toca canções brasileiras no shakuhachi e eu, canções japonesas no violão”, conta Carrara.

O músico confessa sua paixão pela cultura japonesa desde pequeno. “A bandeira japonesa sempre me chamou atenção”. Camilo também revela que o livro “Arte cavalheiresca do arqueiro zen”, de Eugen Herriel, era um de seus vínculos com o Japão, assim como o haicai e artes em geral. Apesar do álbum dedicado às canções nipônicas, o sábado será dedicado ao Brasil. “Tocaremos muitas composições de Tom Jobim”, adianta.

Ouça trechos de músicas do álbum em que Shen Ribeiro toca canções brasileiras com a flauta shakuhachi, “Brazilian Music for the Shakuhachi”:

“Amor em Paz” (Tom Jobim):

“Monte Fuji” (Ricardo Sagioratto/Shen Ribeiro):

Escute a música do álbum “Canção do Sol Nascente”, de Camilo Carrara:
“Sakura” (autor desconhecido)

Reportagem: Maíra Lie Chao

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