
Cartaz do disco Evolution, de Masami Okui, com desenho criado por Von Victor
Arte final para CDAlessandro Von Victor recebeu o convite com que sonhava desde que admirava os desenhos japoneses na televisão: ilustrou a capa do CD de uma cantora japonesa. E a proposta veio justamente de alguém ligada a esse universo: Masami Okui, especialista em anisongs, músicas de anime, conhecida pelas trilhas de Slayers, Yu-Gi-Oh! Duel Monsters, Revolutionary Girl Utena, Sorcerer Hunters, entre outros.
Ela também é membro do Jam Project (Japan Animation song Makers Project), grupo de cantores que têm sua carreira solo, mas se reúne para lançar produções conjuntas para animes, games e tokusatsu. A banda tem a participação de um brasileiro, Ricardo Cruz, um dos responsáveis pelo contato de Von Victor com Okui. Ao vir para o Brasil em 2004, a cantora foi presenteada pelo artista com uma das camisetas que produz e são vendidas em eventos ligados ao mundo do animê e do mangá e na Liberdade por cerca de R$ 25,00.
O desenhista conta que “ela disse ter se identificado com o traço forte, diferente do que é produzido no Japão”. Para o CD, “ela queria a imagem de uma mulher forte, poderosa, independente, algo futurista, Matrix, com sensualidade, queria também asas e que eu mantivesse o trabalho desenvolvido nos pin-ups das camisetas”. Daí surgiu a capa do álbum Evolution, lançado no final do ano passado. “Agora quero conseguir mais trabalhos no exterior, o que acaba sendo uma porta para ser reconhecido no Brasil”, diz ele.
O desenhista Von Victor, que ampliou seu trabalho para capas de discos, tatuagem, camisetas, etc.A maior projeção de Von Victor no país também aconteceu no mercado fonográfico, com capas para o grupo Zumbis do Espaço e artes dos clipes Memórias e Dejavu, de Pitty. Nos anos 90, sua vontade era entrar para o mercado de quadrinhos americano, mas desistiu em 97 e ampliou sua área de atuação, partindo também para tatuagens. Também tem trabalhos de efeitos especiais e restauração digital para filmes como Pelé Eterno, O Casamento de Romeu e Julieta e Tainá 2. E produziu eventos para os fãs de anime e mangá, o Anime in Valley em sua cidade natal, Taubaté, no interior de São Paulo.
Tudo começou quando Von Victor ficava copiando desenhos da televisão e fazia seus próprios bonequinhos. Depois, partiu para curso de especialização em desenho publicitário. “É preciso correr atrás também de retorno financeiro. Direta ou indiretamente sempre vivi do desenho”, diz. “Dá para viver de desenho se for humilde e se não tiver grandes pretensões. É um trabalho incerto, sou freelancer. Mas não me imagino fazendo outra coisa”.
Sua dica para quem quer seguir na carreira é investir em contatos. “Não adianta ter um trabalho incrível e manter dentro da pasta, não pode ter vergonha. É importante ser cara de pau, não se conformar. E também não basta ter um desenho bom, o aperfeiçoamento é constante, tem que ter treino, renovar, evoluir como artista e como pessoa”.
Cosplay premiado de Buba, dos ChangemanHobby e profissão
Na infância, início dos anos 80, Von Victor conta que assistia muito a televisão, via Fantomas e Astroboy, ficava de olho também nos mangás e revistas que seus amigos de origem japonesa tinham. Hoje tem um quarto só para guardar sua coleção de mangás e bonecos. No final dos anos 90, começou outra paixão, o cosplay. Foi campeão de 2001 a 2003 em eventos fantasiando-se de Buba, vilão dos Changeman. “Quando o ator de Sharivan veio ao Brasil e me viu de Buba, disse que estava melhor que o original”, conta orgulhoso.
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Reportagem: Paula Moura



