Matsuri Radical
O Onbashira Festival é tão divertido quanto perigoso: dezenas de homens descem um morro de 100m de altura montados em árvores
04.10.2006

O que você pensaria se visse dezenas de homens sentados em troncos de madeira, escorregando de uma ladeira de 100m de altura? Loucura? Talvez. A estranha diversão que mais parece esporte radical faz parte do Onbashira Matsuri, realizado nos meses de abril e maio nas montanhas de Shinshu, província de Aichi.
Realizado pelos cerca de 10 mil habitantes da região, o festival se divide em dois eventos. O primeiro é a derrubada das árvores, que se chama Yamadashi (saída da montanha) e que é o ponto alto do festival.
No Yamadashi, cerca de 20 homens vestindo quimonos e capacetes derrubam os pinheiros utilizando serras elétricas. Depois disso, cada árvore desliza 100m de ladeira, com homens montados nela. Esse ritual em que os japoneses se sentam nos troncos e descem ladeira abaixo é chamado Kiotoshi. Nas toras, são colocados dois pilares de plástico de mais de 10m, chamados de Medodeko. Eles são fixados em pé na ponta das toras amarradas com corda, formando um “V.” No trajeto, os homens, principalmente os jovens, revezam-se entre si, sobem nos Medodeko e realizam performances, enquanto a tora desliza. Na frente, uma comissão desfila, dançando e empunhando bandeiras.
Para aumentar o clima de aventura, as toras são colocadas nas águas frias do rio Miyagawa, em uma travessia chamada Kawagoshi. Algumas pessoas ficam submersas, o que aumenta a emoção. “Alguém sempre se machuca no festival. Eu mesmo já caí e quebrei uma costela, mas nunca deixo de comparecer”, afirma Kunitake Fujimori, 39 anos.
A fim de evitar acidentes, os organizadores do festival permitem somente que os mais experientes e habilidosos desçam as ladeiras.
A segunda parte do festival, o Satohiki (rumo ao santuário), acontece em maio. Os troncos são levados para o templo de caminhão e erguidos como onbashira por meio de um guindaste, tornando-se pilares sagrados pelos próximos sete anos. O deslocamento das toras por um percurso de 10km até o Grande Santuário Suwa pode levar até três dias. Ornado com enfeites coloridos, o Suwa se divide em duas partes, com quatro pequenos santuários cada: o Santuário Superior (Motomiya e Maemiya) e o Inferior (Akimiya e Harumiya).
A palavra onbashira designa cada um dos 16 pilares sagrados que sustentam os quatro templos xintoístas do Suwa e são representados simbolicamente por troncos de árvores.
No festival, outros eventos acontecem simultaneamente, como a cavalgada dos samurais e uma dança em que os participantes usam chapéus ornamentados com flores. Shinshu e os municípios vizinhos oferecem outras opções de lazer, como hotéis, museus e pousadas com onsen. Apesar de não se arriscarem nos rituais, os turistas têm diversão garantida.
Origem do Festival

Também denonimado Mihashirataisai, o Onbashira Matsuri (Festa dos Pilares) é considerado uma das três maiores festas curiosas do Japão, ao lado do Namahage e do Himatsuri. Existem registros históricos de que o festival é comemorado desde antes do ano 845. Todavia, a razão de ele ser realizado é um mistério até mesmo para os integrantes mais velhos do santuário. A teoria mais aceita é de que se trata de uma cerimônia para reverenciar o esforço humano e os grandes deuses da caça, da água, do vento e da agricultura, representados pelos quatro santuários.
De acordo com a religião xintoísta, essas divindades habitam as árvores da floresta e levam renovação espiritual para os templos. O Onbashira Matsuri é comemorado de sete em sete anos, desde que o templo xintoísta foi construído na cidade. A escolha desse período de tempo é porque o festival deve ser realizado nos anos do Tigre e do Macaco, segundo o calendário chinês.
Leia mais sobre:Aichi festivais Japão tradição e xintoísmo
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