São Paulo recebe documentário japonês
Filmes serão exibidos durante os dias 16 e 27 de agosto
17.08.2006
:: Veja os horários dos filmes aqui
Durante os dias 16 e 27 de agosto, acontece em São Paulo a Mostra Panorama do Documentário Japonês, organizado pela Fundação Japão e a Cinemateca Brasileira, reunindo obras importantes na história dos documentários no Japão.
Durante a mostra, serão apresentadas obras de um dos mais importantes documentaristas japonês, Kazuo Hara, como “A Dedicated Life” (1994) e “The Emperor’s Naked Army Marches On” (1987). A professora Lúcia Nagib, pesquisadora de cinema japonês e diretora do Centro de Cinema Mundial, na Universidade de Leeds, na Inglaterra, realizou uma palestra antes da exibição do filme “O Cinema de Ozu na Visão de Kiju Yoshida”.
O destaque ficou para os documentários sobre a vida dos diretores Kenji Mizoguchi e Yasujiro Ozu, dois ícones do cinema japonês: ” Kenji Mizoguchi: The Life of a Film Director”, dirigido por Kaneto Shindo e “I Lived, But…. Biography of Yasujiro Ozu”, de Kazuo Inoue.
Confira as sinopses:
Sala Cinemateca

UMA VIDA DEDICADA (A Dedicated Life - ZENSHIN SHOUSETSUKA)
1994 / 157min
Direção: Kazuo Hara
Roteiro: Kazuo Hara
Fotografia: Kazuo Hara, Koshiro Otsu
Direção de Arte: Takeo Kimura
Música: Takashi Sekiguchi
Produção: Sachiko Kobayashi
Elenco: Kim Kumija, Yoshie Yamamoto, Tsuruyo Sai, Haruhi Iso, Masamichi Kubota, Mitsuharu Inoue, Yutaka Haniya, Jakusho Setouchi
Documentário foca a vida de Inoue Mitsuharu, um dos maiores romancistas japoneses que construiu sua carreira brincando sobre a fronteira entre a ficção e a realidade. Ao longo de quinze anos ele cativou jovens escritores com seu carisma e personalidade agressiva, ministrando cursos pelo Japão, onde encorajava e criticava seus trabalhos. Seus romances são conhecidos por retratarem o mundo do sexo; Inoue por sua vez, levava uma vida de escândalos, ora travestindo-se como uma gueixa dançante, ora, segundo rumores, dormindo com muitas de suas alunas. O filme desvenda que muitos dos dados biográficos de Inoue foram fabricados por ele próprio.
AKIKO: RETRATO DE UMA BAILARINA (Akiko - AKIKO: ARU DANSA NO SHOZO)
1985/107min
Direção: Sumiko Haneda
Roteiro: Sumiko Haneda
Fotografia: Kikumatsu Soda, Hiromitsu Wakabayashi, Hirofumi Tashiro, Tatsumi Takahashi
Produção: Mitsuru Kudo
Som: Osamu Takizawa, Toyohiko Kuribayashi
Participações: Akiko Kanda, Akiko Kanda Dance Company
Uma das mais belas bailarinas da dança moderna, Akiko Kanda iniciou sua carreira aos sete anos de idade. Ainda estudante, decidiu ser bailarina após assistir a Companhia de Dança Martha Graham. Ao retornar ao Japão, encontrou um estilo próprio, recebendo diversos prêmios. Posteriormente, fundou a Companhia de Dança Akiko Kanda. O filme foi inicialmente planejado pela própria Akiko. Antes das filmagens, ela orienta a equipe com as seguintes palavras: “Por gentileza, capturem neste filme a dança maníaca Akiko”. A direção é de Sumiko Haneda, que estreou como documentarista em 1957. Diretora premiada, conseguiu estabelecer uma sólida reputação como documentarista no Japão. Haneda também destacou-se com outra obra premiada: “How to care for the senile”, de 1985.
KENJI MIZOGUCHI: A VIDA DE UM DIRETOR DE CINEMA (Kenji Mizoguchi: The Life of a Film Director - ARU EIGA KANTOKU NO SHOGAI: MIZOGUCHI KENJI NO KIROKU)
1975/ 150 min
Direção: Kaneto Shindo
Fotografia: Yoshiyuki Miyake, Kiyomi Kuroda, Hisashi Shimoda
Som: Shimpei Kikuchi
Edição: Mitsuo Kondo, Keiko Fujita
Produção: Kaneto Shindo
Entrevistados: Kinuyo Tanaka (atriz), Michiyo Kogure (atriz), Machiko Kyo (atriz), Masaichi Nagata (produtor de filmes), Yoshitaka Yoda (roteirista), Daisuke Ito (diretor de cinema), Kazuo Miyagawa (cameraman), Matsutaro Kawaguchi (escritor), etc.
Este é, ao mesmo tempo, um drama e um documentário biográfico sobre o famoso diretor Kenji Mizoguchi, que morreu de leucemia em 1956 aos 58 anos. Mizoguchi deixou obras-primas como As Irmãs de Gion (1936), Contos da Lua Vaga Depois da Chuva (1953), Crisântemos Tardios (1939), entre outros. O diretor Kaneto Shindo trabalhou ao lado do mestre como assistente de direção de Os 47 Ronin. Sua admiração por Mizoguchi o motivou a entrevistar, para a obra, atores, atrizes, técnicos, críticos, gueixas, donas de casa vizinhas, etc. Shindo não filmou seguindo um roteiro. Ao invés disso, deixou as entrevistas fluírem livremente através da vida de Mizoguchi, desde sua juventude, quando transcende o melodrama para criar sua marca própria de realismo, até a passagem do pós-guerra e o período altamente frutífero que antecedeu sua morte.

EU VIVI, MAS… BIOGRAFIA DE YASUJIRO OZU (I Lived, But… Biography of Yasujiro Ozu - IKITEWA MITAKEREDO: OZU YASUJIRO DEN)
1983 / 123min
Direção: Kazuo Inoue
Roteiro: Kazuo Inoue, Kyoju Takaoka
Fotografia: Yuharu Atsuta, Kitaro Kanematsu
Música: Takanori Saito
Produção: Shizuo Yamanouchi
Participações:
Atores: Ryu Chishu, Eijiro Tono, Nobuo Nakamura, Shinichiro Mikami, Fujio Suga
Atrizes: Yoko Tsukasa, Keiko Kishi, Ineko Arima, Chikage Awashima, Mariko Okada, Haruko Sugimura, Shima Iwashita, Kyoko Kishida, Mutsuko Sakura
Diretores: Keisuke Kinoshita, Kaneto Shindo, Shohei Imamura, Yoji Yamada, etc
Nascido em 1903, Yasujiro Ozu fez seu primeiro filme em 1927, época dos filmes mudos. Durante sua vida ele realizou 54 filmes. Seus filmes, considerados de estilo acentuadamente japonês, atraíram a atenção do mundo após a sua morte, em 1963. Este filme é um documentário biográfico que destaca entrevistas com pessoas que com ele trabalharam ou conviveram ao longo dos muitos anos de sua carreira. Também são entrevistados familiares e ex-alunos de Ozu, da época em que lecionava como professor substituto de uma escola infantil em um vilarejo na montanha, antes de iniciar-se na carreira cinematográfica. A fotografia e trilha sonora deste documentário contaram com a participação de Yuharu Atsuta e Takanori Saito respectivamente, ambos profissionais que trabalharam nos filmes do próprio Ozu, o que torna este filme uma homenagem ao mestre.
A EXTREMAMENTE ÍNTIMA CANÇÃO DE AMOR DE EROS 1974 (Extreme Private Eros Love Song-1974 - KYOKUSU ITEKI EROSU KOI-UTA 1974)
1974 / 95 min
Direção: Kazuo Hara
Produção: Sachiko Kobayashi
Fotografia: Kazuo Hara
Música: Tokiko Kato
Miyuki Takeda é a ex-namorada e mãe de um filho do diretor Hara. Ela decide viajar para Okinawa com a criança. Depois de muito ponderar, Hara que ainda se encontra envolvido por ela, decide segui-la e documentar sua vida num filme. Miyuki agora divide uma casa com outra mulher, também mãe de uma criança: as duas começam a discutir por causa da presença constante da câmera de Hara. Apesar disso, ele continua as filmagens. Miyuki trabalha de recepcionista num bar frequentado por soldados negros americanos. Após um breve romance com um deles, ela acaba engravidando. Imediatamente, começa a sofrer discriminação da comunidade e decide voltar para Tokyo para ter seu bebê.

BANTSUMA: A VIDA DE TSUMASABURO BANDO (Bantsuma: The Life of Tsumasaburo Bando - BANDO TSUMASABURO NO SHOGAI)
1979 / 91 min
Planejamento e entrevistas: Tadao Sato
Produção e direção: Shunsui Matsuda
Este documentário apresenta Tsumasaburo Bando, um famoso ator dramático que dominou as telas dos anos 20, em pleno auge da era do cinema mudo japonês. Foi dirigido e produzido por Shunsui Matsuda, o famoso benshi, notável narrador nas salas de cinema mudo. Havia muitas estrelas de cinema na época, mas, Bando foi o que debutou mais precocemente nas telas, conquistando popularidade e longevidade em sua carreira. Em sua juventude foi amado pelas mulheres e mais tarde, admirado por homens e mulheres em seus anos de maturidade. Seu estilo de atuação era dinâmico e ele era reconhecido por suas interpretações inigualáveis. Entremeando o filme, há entrevistas com diretores de Bando, tais como Taisuke Ito e Hiroshi Inagaki.
UMINCHU: O VELHO E O MAR DO LESTE DA CHINA (Uminchu: The Old Man and the East China Sea - ROJIN TO UMI)
1990 / 101 min
Direção: John Junkerman
Fotografia: Yoshio Shimizu
Edição: Keiko Ichihara
Som: Kimio Homma, Osamu Takizawa, Hitoshi Komuro
Planejamento/Produção: Tetsujiro Yamagami
Uminchu é uma palavra de Okinawa que significa literalmente “um homem do mar”. Apesar do título nos remeter à obra de Hemingway, o filme é um retrato da vida no extremo sul do Japão, um Japão raro de ser visto até mesmo na televisão e no cinema do país. O diretor Junkerman é jornalista e cineasta. Seu primeiro filme, “Hellfire: A journey from Hiroshima”, foi indicado ao Oscar em 1988. Uminchu é seu segundo filme e focaliza a vida de Shigeru Itokazu, 82 anos, o mais velho pescador da Ilha de Yonaguni, uma pequenina ilha de Okinawa. Itokazu navega em um sabant, uma embarcação de pesca que outrora dominava toda a região. Com grande habilidade ele navega nas águas selvagens e tempestuosas, cheias de traiçoeiras correntes e mudanças súbitas de tempo.
The Emperor’s Naked Army Marches On (Yuki Yukite Shingun)
1987 / 122 min
Direção: Kazuo Hara
Produção: Sachiko Kobayashi
Planejamento: Shohei Imamura
Fotografia: Kazuo Hara
Música: Shigeru Yamakawa
O filme se debruça sobre a história de vida de Okuzaki Kenzo, 62 anos, que fugiu de um campo de batalha com sua esposa. Ele é sobrevivente de um confronto pela Nova Guiné na Segunda Guerra Mundial e conquistou notoriedade, em 1969, por disparar tiros de aço com um estilingue contra o imperador Showa para protestar pelo o que ele considerava os “crimes do império”.
A FEITICEIRA DAS ÁGUAS (Cascading White Threads - TAKI NO SHIRAITO)
1933 / 96 min
Direção: Kenji Mizoguchi
Produção: Yoshizo Mogi
b Shinji Matsuda, Kennosuke kataoka
Fotografia: Shigeru Miki
Narração: Shunsui Matsuda
Baseado no romance de: Kyoka Izumi
Elenco: Takako Irie, Tokihiko Okada, Ichiro Sugai, Hirotoshi Murata, Bontaro Miyake, Joe Ohara, Etsuko Oki, Kumeko Urabe
A Feiticeira das Águas é o retrato de uma mulher que permanece totalmente dedicada a um só homem, num momento de mudança de valores. Uma sequência de incidentes no caminho de uma viagem favorece o encontro entre Kinya Murakoshi, estudante de Direito, e Taki no Shiraito, artista das águas. Assim, Shiraito passa a assumir os problemas financeiros de Kinya, para que ele possa continuar seus estudos em Tokyo. Anos depois, em dificuldades, Shiraito empresta 300 ienes do agiota Iwabuchi para enviar ao Kinya. No caminho para casa, é atacada por um ladrão manipulador de facas, a mando de Iwabuchi. No confronto, ela o esfaqueia acidentalmente. Agora uma criminosa, foge para Tokyo ao encontro de Kinya, mas é capturada e então o dramático reencontro acontece.
A ROTINA TEM SEU ENCANTO (SAMMA NO AJI)
1962 / 113 min
Direção: Yasujiro Ozu
Roteiro: Kogo Noda, Yasujiro Ozu
Fotografia: Yuharu Atsuta
Montagem: Yoshiyasu Hamamura
Direção de arte: Tatsuo Hamada
Música: Takanobu Saito
Iluminação: Kenzo Ishiwatari
Produção: Shizuo Yamanouchi
Elenco: Chishu Ryu, Shima Iwashita, Keiji Sada, Mariko Okada, Shinichiro Mikami, Teruo Yoshida, Noriko Maki, Nobuo Nakamura, Kuniko Miyake, Eijiro Tono, Haruko Sugimura, Daisuke Kato, Ryuji Kita, Michiyo Tamaki, Kyoko Kishida
Vivendo com a filha Michiko e o segundo filho Kazuo, o víúvo Shuhei Hirayama leva uma existência tranquila. O filho mais velho Koichi e esposa, ambos trabalhando, vivem felizes num novo conjunto habitacional. Às vésperas do casamento da filha, os amigos sugerem que Hirayama considere o fato seriamente. No entanto, ele não se preocupa absolutamente com isso. Ao se encontrar com seu velho professor Sakuma, Hirayama fica sabendo que a filha dele Tomoko ainda não se casou porque, depois da morte prematura da mãe, ela teve que cuidar do pai e ajudá-lo a dirigir seu negócio nos arredores de Tokyo. Impressionado com o estado patético em que caíra o velho professor, apegando-se à filha que passou da idade de se casar, pede a Michiko que considere a possibilidade de casamento. Entretanto, o preferido de Michiko já está comprometido.
Fundação Japão
O CINEMA DE OZU NA VISÃO DE KIJU YOSHIDA
1993 / 59 min
Concepção e direção: Kiju Yoshida
Versão editada (59 min) de “O Mundo do Cinema de Ozu na Visão de Kiju Yoshida” (180 min), exibido em 1993 pela TV japonesa NHK em comemoração aos 90 anos de nascimento de Yasujiro Ozu. Apresentando trechos de representativos filmes do Ozu como “Chichi ariki” (Era uma vez um pai), “Banshun” (Pai e filha), “Tokyo monogatari” (Era uma vez em Tokyo), entre outros, Kiju Yoshida, com sua própria narração, mostra inúmeras características do diretor homenageado. Rotinas e deslocamentos, interpretação da vida, espaço de ausência são algumas delas.
CINEMA DOS SONHOS, SONHOS DE TOKYO
1995 / 51 min
Concepção, direção e narração: Kiju Yoshida
O documentário foi produzido e exibido pela TV Tokyo MX para celebrar o centenário do cinema, em 1995. Narra a vida e o trabalho do fotógrafo francês Gabriel Veyre, que a pedido dos irmãos Lumière, inventores do cinematógrafo, viaja pelo mundo para capturar imagens exóticas, passando inclusive pelo Japão onde registra suas primeiras imagens em movimento. Yoshida, no momento em que se reporta à gênese do cinema, fala de seu próprio fim, ao questionar as intransponíveis questões éticas ao se capturar imagens.

CANÇÕES DAS ILHAS, MILHARES DE ILHAS
2004 / 93 min
Direção: Ken Ito
Elenco: Gozo Yoshimasu, Miho Shimao, etc
Trata-se de um road movie poético, com narrações de obras do mais representativo poeta do Japão, Gozo Yoshimasu. Há mais de 20 anos o poeta caminha pelas ilhas ao Sul do país, como Amami e Okinawa, lugares que receberam forte influência da cultura chinesa, coreana e do Sudeste asiático, e posteriormente dos Estados Unidos, o que gerou uma cultura e língua com características especiais. “Canções das ilhas” autênticas, compostas pelos habitantes se mesclam ao dia a dia das ilhas. Yoshimasu faz uma imersão no tempo e na vida dessas ilhas, na fonte de onde emergem as “canções das ilhas”, compondo a sua própria canção do arquipélago, o Japão. Canções e poemas se sintonizam na gênese desta descoberta.
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