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A falta de esperança onde só se fala em futuro

De um jogo de ping-pong até a tentativa de se manter financeiramente, o jovem japonês também tem dúvidas

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Jovens do filme “Blue Spring”

A situação do jovem na sociedade japonesa passeia por uma linha entre o frescor da juventude e a falta de esperança mesmo em um país considerado do futuro. Depois do estouro da Bolha Econômica, nos anos 90, o Japão sai de sua tradicional estabilidade para se tornar mais do que nunca um descendente do pensamento ocidental. O que era antes normal, o quase se matar pela sua função, deixa de ser um ato honroso e torna-se um futuro sombrio para os jovens, que temem a infelicidade.

A falta de visão de um possível amanhã é bem clara em “Blue Spring” (Aoi Haru, 2000), filme obscuro de Toshiaki Toyoda, no qual a tediosa vida de estudante sufoca um grupo de estudantes de um colégio. Para Kujo, nem mesmo os jogos e as contravenções de seu grupo servem para completá-lo. Kujo acaba de se tornar o líder de seu grupo, após vencer em um jogo executado no parapeito da cobertura da escola: deve-se soltar o parapeito e bater palmas, com a ameaça de cair. Kujo consegue oito palmas.

Aoki, até então seu melhor amigo, vê que Kujo não se importa com o seu novo cargo. Tornam-se inimigos. Aoki inicia um poder paralelo ao de Kujo. Enquanto isso, seus outros amigos se perdem, talvez em caminhos que não tenham volta. Kujo sobrevive, mas a ele está reservada a incerteza do futuro. Um detalhe para a trilha sonora do filme, de Thee Michelle Gun Elephant, banda japonesa de punk rock.

Bem mais leve é a situação de “Ping Pong” (Ping Pong, 2002), comedia de Fumihiro Masuri. Também no mundo colegial, Peco e Smile são dois amigos desde a infância, época em que começaram a praticar ping-pong. Peko-peko em japonês significa faminto, assim como Peco era, com sua fome de vencer. Smile, ironicamente chamado assim porque nunca sorria. Smile ganhava de todos, menos de Peco, porque a amizade dos dois não deixava que Smile se sobrepusesse ao amigo.

Nessa comédia de sutilezas e com um certo drama escondido nas entrelinhas – enquanto um não sabe perder, o outro não sabe se impor –, o filme é talvez o mais leve da mostra, tanto por não ser muito denso, como também pela suavidade da narrativa.

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A esperança do sucesso em “No One´s Ark”

Completando o trio de filmes cujo tema é a juventude, “No One’s Ark” (Baka no Hakobune, 2002), de Nobuhiro Yamashita, que trata de uma juventude um pouco mais madura. Daisuke e sua namorada, na esperança de sucesso sem ter que passar pelo tradicional, deixam Tokyo e vão para a cidade natal de Daisuke para vender uma bebida que fazia bem à saúde. No entanto, o terrível gosto do produto não faz sucesso, nem mesmo na família.

Uma irônica narrativa sobre a tentativa do jovem de se estabelecer financeiramente na década de 90, “No One’s Ark” tem uma estética simples, mas acurada. Assim como a trilha sonora, que merece ser mencionada: surf-pop e hits synthpop de meados dos anos 80.

Texto: Luiz Fukushiro

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