Nagauta-hayashi no Kai apresenta a música do teatro kabuki
Turnê do grupo nipônico passou por várias capitais brasileiras. Veja vídeos e confira galeria de fotos
29.06.2006
O grupo de música tradicional Nagauta-hayashi no Kai veio ao Brasil este mês para uma turnê que passou por Rio de Janeiro, São Paulo, Moji das Cruzes e Porto Alegre. Composto por cinco percusssionistas, uma flautista, três cantoras, uma bailarina e três instrumentistas, o Nagauta-hayashi ainda contou com a participação de membros dos grupos paulistanos de dança Nagayagi Kinryu-kai e Fujima Ryu, além da associação Wa-no-kai.
O gênero nagauta é o tipo de música que se ouve em peças de kabuki e representa grande parte da cultura tradicional japonesa, conforme explica a coordenadora do grupo nipônico, a professora Kazuko Sugiura. Falando ao site da Made in Japan, Sugiura explicou que o principal objetivo do projeto é “divulgar corretamente a música do kabuki à comunidade internacional.” Ela, que já morou no Brasil por dois anos, diz que “a principal mensagem que tento passar com meu trabalho é transmitir o ponto positivo desta cultura, que é fundamentada no lirismo”. Hoje a professora volta ao país periodicamente para dar aulas de shamisen às senhoras do Wa-no-kai.
A turnê começou no Rio de Janeiro no dia 8 de junho, no centro cultural do Consulado Geral do Japão. “Mais ou menos 70% do público desta apresentação era de não-nikkeis, e eles reagiram de forma muito positiva”, conta a professora e artista das cordas vocais. “Eles se emocionaram principalmente com o bailado”.
Show em São Paulo
Como era esperado, o público na capital paulista foi um pouco diferente. Agendado para o palco do Grande Auditório da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa (Bunkyo), na Liberdade, não era preciso forçar o olhar para notar que a platéia estava dominada por nikkeis.
Sugiura, que começou a programar os shows no Brasil com um ano de antecedência, já esperava esta diferença entre os espectadores do Rio e os da capital paulista. “Como é difícil juntar um grande número de brasilerios em uma infra-estrutura nikkei, um dos objetivos em São Paulo era mostrar aos descendentes o peso do nagauta na cultura japonesa”, diz ela.
O show começou às três da tarde. Antes de as cortinas abrirem, ela faz uma dedicatória: “este espetáculo é uma forma de agradecimento ao querido Brasil, por me acolher de forma tão calorosa”.
Se os taikô dão o tom à música e o shamisen, o movimento, quem traz as matizes mais vivas do espetáculo são as bailarinas, com seus gestos curtos e polidos, kimonos coloridos e e cabelos adornados com arranjos florais. Em um momento mais descontraído do show, a professora passa um microfone às suas companheiras para que elas apresentem ao público seus instrumentos e ensinem a eles como distingüir os diferentes sons.
Depois, todas as professoras presentes no palco são homenageadas com flores. Seguem-se outros bailados e nagauta. As peças são compridas e requerem certa dose de atenção dos espectadores.
O Nagauta-hayashi no Kai ainda deu ao público brasileiro a oportunidade de conhecer a sua arte em Porto Alegre, no dia 15, e em Moji das Cruzes, interior de São Paulo, no dia 18. Então seguiriam para Buenos Aires, na Argentina. Lá, assim como em Porto Alegre e Rio de Janeiro, a comunidade nikkei é pequena e pouco significativa. Com certeza, o argentinos poderiam esperar por uma pequena amostra de uma manifestação cultural pouco difundida no ocidente.
Assista a vídeos da apresentação em São Paulo:
Reportagem: Silvana Salles
Vídeos: Edson Nakamura
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