Conheça as terapias orientais e os benefícios que elas podem trazer para você
Elas vieram do Oriente, ganharam milhares de adeptos e algumas, como a acupuntura, são reconhecidas pela medicina tradicional
27.05.2006
Massagem
Para que serve
- Quick massage
Estresse, insônia, lesão de esforço repetitivo (LER), punção, irritabilidade, dor nos olhos e nos ombros, palpitação, ansiedade e tontura
- Reflexologia
Problemas de estômago, fígado, rins, simetria digestiva, enxaqueca, coluna cervical. Auxilia na circulação e na eliminação de excesso de líquidos
- Anmá
Estresse, tensão generalizada. Por ser suave, é indicada para todas as idades
- Shiatsu
Estresse, hipertensão, prevenção de derrames e infartos, relaxamento, dores lombares e problemas em órgãos viscerais
- Watsu
Depressão, ansiedade, alongamento corporal, estresse, dor lombar em gestantes, bursite, dores no joelho, coluna, insônia, enxaquecas, doenças psicossomáticas e fibromialgia
A técnica pode estar na ponta dos dedos, na palma das mãos, no toque suave ou ainda na leveza de corpos sob a água. Não importa o tipo de massagem aplicado, o resultado em geral promove o bem-estar e o relaxamento físico, além de ter reflexos no estado emocional de quem a recebe.
Que o diga o diretor-gerente Milton Fukunaga, de 40 anos, que possui o típico perfil do executivo estressado. Ele sofria com a tensão do dia-a-dia, a má postura, o excesso de preocupações e a rotina de viagens. Procurou auxílio na massagem e hoje visita uma clínica pelo menos uma vez por semana. “Não sinto mais dores, consigo dormir melhor, estou mais relaxado e menos ansioso. A melhora nas relações sociais é uma conseqüência”, afirma. Fukunaga é paciente de Anmá e Shiatsu da Clínica Oriental de Massagem e Acupuntura. “Fiquei muito satisfeito. O resultado sobre as dores é imediato”, afirma.
O depoimento se assemelha ao da maioria daqueles que já experimentaram o efeito de ter o corpo sob os cuidados de um bom terapeuta. Talvez esse seja o motivo de tamanha popularidade: eficiência sem muito esforço. A explosão da massagem se confirmou quando quiosques de quick massage se instalaram pelos corredores de shoppings centers e outros locais públicos.
Não é à toa. O modelo de quick massage, criado nos últimos 10 anos, surgiu em decorrência da necessidade que a pessoas estressadas pelo excesso de trabalho e sem tempo livre tinham de relaxar. Por isso, é possível enfatizar, em cerca de 15 minutos, os pontos principais estimulados pelas outras massagens, que geralmente duram uma hora. O resultado é tão bom que as empresas contrataram terapeutas para oferecer a terapia a seus funcionários. Tais programas de qualidade de vida aumentam a disposição do trabalhador, e isso se reflete diretamente na produtividade.
Mas a massagem vem sendo procurada também por aqueles que querem curar males físicos. O shiatsu, por utilizar a pressão dos dedos e da mão na região dos meridianos do corpo, linhas imaginárias que possuem pontos-chave de energia, é um dos mais procurados. É também uma das massagens mais fortes, por isso não é indicado para idosos. Por mexer com o “ki”, energia vital para os japoneses, o shiatsu também interfere nas emoções. Atua na enervação periférica, influencia todos os órgãos viscerais e a circulação.
A massagem também é boa para a hipertensão. “Por fazer com que os vasos dilatem, o shiatsu permite diminuir também a pressão mínima (diastólica). Os medicamentos, muitas vezes, só conseguem diminuir a máxima (sistólica)”, explica o dr. Tadamassa Yamada. Em alguns casos, a massagem tem se revelado uma maneira de prevenir derrames e infartos, embora pouca gente a utilize para essa finalidade.
Criado pelo terapeuta Harold Dull há cerca de 20 anos, nos Estados Unidos, o watsu alia as técnicas do shiatsu aos benefícios da água. O paciente é carregado pelo terapeuta em uma piscina aquecida e recebe a massagem. Por criar uma sensação de acolhimento, muitas vezes comparada ao útero materno, o watsu age mais no lado psicológico do paciente. “O watsu promove o autoconhecimento emocional e corporal”, diz a watsuterapeuta Priscila Takara. “Mas não interfiro no trabalho médico. Peço para os pacientes não interromperem seus tratamentos”.
A reflexologia, massagem na planta dos pés, segue o mesmo princípio dos pontos-reflexos que atuam sobre todos os órgãos, vísceras, e, dizem os adeptos, na parte psicológica e espiritual. Já o anmá é mais procurado para o relaxamento. O amassamento dos músculos, deslizamentos e seus movimentos suaves são mais relaxantes que as outras massagens e não tem contra-indicações.
“A massagem é capaz de prevenir derrames e infartos”
Dr. Tadamassa Yamada
Ânimo renovado
Apenas 15 minutos foram suficientes para mudar a vida e a rotina da coordenadora técnica de produto Marie Tsuda Takata. Há pouco mais de um ano, ela é adepta da quick massage, terapia que utiliza ao menos uma vez por mês como forma de aliviar o estresse. Aos 30 anos, Marie se enquadra no perfil da maioria dos trabalhadores: ânimo e saúde abalados pelo desgaste do emprego. Ela já conhecia o médico acupunturista Tadamassa Yamada, diretor da Clínica Oriental de Massagem e Acupuntura, local que freqüenta antes de experimentar a massagem. Com incentivo do namorado, resolveu tentar. E não parou mais. Ela aproveita o horário do almoço para visitar a unidade localizada no Shopping Ibirapuera, próximo ao local onde trabalha. “Dá um pique para continuar a parte da tarde”, conta. “Ou então passo depois, para reanimar. Mas utilizo mais em benefício do trabalho”. Os benefícios vão desde o aumento deconcentração e alívio da tensão muscular até a sensação de paz e calma interior. “A massagem me dá calma e paz interior. Acho até que preciso ir mais vezes”, brinca.
Yoga

Sequencia de ásanas na coreografia da Swásthya yoga, uma das mais praticadas no Brasil
Para que serve
O yoga é bastante utilizado para se obter o autoconhecimento, mas o trabalho de flexibilidade, fortalecimento muscular, aumento de vitalidade e administração do estresse também são alguns dos objetivos. É recomendado para quem deseja conseguir um bom funcionamento dos órgãos vitais, administrar melhor as emoções, repor energias e buscar uma melhor qualidade de vida
Respiração controlada, corpo em posições inusitadas, que exigem força, e profunda concentração mental. O yoga muitas vezes pode ser confundido com exercícios de malabarismo, mas é muito mais que malhação. Os adeptos consideram uma filosofia capaz de promover o autoconhecimento e um estado de hiperconsciência denominado Samádhi.
Técnica originada na Índia há mais de 5 mil anos, possui diferentes linhagens e inúmeros ramos. Eles são completamente diferentes e mesmo incompatíveis entre si. Cada um deles tem diferenças e peculiaridades, é verdade, mas a filosofia de vida é composta por técnicas de respiração, meditação, técnicas corporais e mentais.
“Os estágios finais do yoga incluem a capacidade de concentração, em um estágio posterior, o desenvolvimento da hiperconsciência e megalucidez. Esse estado de consciência expandida conduz ao autoconhecimento. Como yoga é uma filosofia prática, não teórica, esses estados mais que definidos devem ser vivenciados pelos praticantes”, afirma Marcos Taccolini, vice-presidente da Federação de Yoga de São Paulo e diretor da Universidade de Yôga Uni-Yôga. Fundada pelo Mestre De Rose, a universidade forma profissionais em Swásthya Yoga, o yoga pré-clássico.
Praticante da Swásthya Yoga em ação: equilíbrio e força na busca do autoconhecimentoDe acordo com Taccolini, os trabalhos da flexibilidade, fortalecimento muscular, aumento de vitalidade e administração do estresse devem ser encarados apenas como conseqüências do objetivo maior. “Tais benefícios não passam de efeitos colaterais, simples conseqüências secundárias, meras migalhas que caem da mesa principal”, exemplifica.
De fato, yoga, transcrição do sânscrito, significa união – do corpo e da mente. Apesar disso, é impossível negar que o número de praticantes segue em movimento ascendente, em parte, devido aos diversos atrativos que a filosofia oferece. A professora de Hatha Yoga, com metodologia Iyengar, Márcia Jorge do Amaral, acredita que a filosofia pode ser encarada como um meio de alcançar uma vida melhor. “Atingir a hiperconsciência é muito difícil. É preciso ser orientado por um mestre responsável, que já a tenha alcançado para chegar a esse estágio. Aqui no Brasil, se conseguirmos obter uma boa saúde, temos um ótimo resultado”, afirma. Segundo ela, por meio do yoga, utilizando o corpo como veículo para dominar a mente, é possível conseguir um bom funcionamento dos órgãos vitais, administrar melhor as emoções, repor energias, e aconselha a prática àqueles que almejam melhorar a qualidade de vida. “A pessoa pode ser considerada um yogue quando ela tiver plena consciência de sua potência interna e como isso vai refletir nos outros externamente”, diz Regina Shakti, fundadora do Krishna Shakti Ashram.
Seja qual for o intuito pelo qual iniciaram a prática, milhares de pessoas no Brasil conhecem seus efeitos. Tanto que as variações chegaram a locais que vão desde academias até a cursos de especialização em faculdades. Diante de tantas opções, vale pesquisar qual tipo de yoga melhor atende às suas aspirações mentais, físicas e espirituais. Confira, na página seguinte, algumas modalidades:
Swásthya Yoga: é praticado pelo Mestre De Rose e seus seguidores. Executa as técnicas corporais sincronizadas, permitindo a existência de coreografias.
Raja Yoga: possui um número maior de técnicas mentais do que outras modalidades.
Mantra Yoga: como já diz seu nome, a ênfase é dada aos mantras (vocalização).
Kundalíni Yoga: visa o despertar da energia que leva o seu nome (kundalíni).
Ashtánga Yoga, yoga clássico: muito popular e difundido na Índia. Hoje o nome está sendo utilizado erroneamente para práticas que visam mais os exercícios físicos.
Hatha Yoga: consiste em técnicas corporais, respiratórias e relaxamento. Deu origem à variedade lecionada pelo professor B. K. S. Iyengar.
Power Yoga: criado nos Estados Unidos, visa o desenvolvimento físico.
“Como yoga é uma filosofia prática, não teórica, os estados de hiperconciência e magalucidez devem ser vivenciados pelos praticantes”
Marcos Taccolini, diretor da universadade de Yôga Uni-Yôga
Skate e Hatha-Yoga
Quando começou a praticar yoga, Marcos Hiroshi Ito, 25 anos, tinha uma única intenção: melhorar o preparo físico, a flexibilidade e o alongamento. Não imaginava que se beneficiaria com muitos outros efeitos da filosofia. “Tinha apenas uma vaga idéia sobre o trabalho de respiração e concentração.No final, isso acabou sendo o mais importante”, afirma. A diferença é que Hiroshi conheceu melhor o yoga em um local pouco provável: em uma competição de skate. Durante um campeonato, o colega e também skatista profissional, Felipe Nagano, que tem patrocínio da Uni-Yôga, Universidade de Yôga presidida pelo mestre De Rose, apresentou-lhe os benefícios da prática. Mesmo assim, ele ficou dois anos apenas lendo matérias e pesquisando até decidir iniciar as aulas de Hatha-Yoga no Espaço Yoga Márcia Amaral. “Antes da competição, ficava muito ansioso.
No desespero de andar bem, ficava afobado e perdia muita energia. Quando chegava a hora de fazer minha volta, já estava cansado”, conta. Por isso, ele resolveu procurar a filosofia e aprender a respirar corretamente, com calma e concentrar-se para as manobras. “Ajudou pra caramba. Chegava na volta e ainda estava inteiro”, lembra. Após aprender as técnicas de respiração e adquirir um melhor condicionamento físico, seu desempenho foi o melhor em mais de seis anos de competição. Os resultados são prova disso: Hiroshi ficou em terceiro lugar no ranking do Circuito Mineiro de Skate Amador Twister/ Fuska 2002. “Depois que comecei a praticar yoga, tudo mudou muito rapidamente.
O ano passado foi o de melhores resultados”, diz. Outros benefícios também começaram a ser notados além da disposição causada pela atividade física. “Era mais nervoso, aprendi a me controlar e a ficar calmo”, conta. O problema de coriza, devido à rinite, também foi solucionado com uma técnica de limpeza e respiração. Neste ano, Hiroshi ainda não participou de nenhum campeonato, mas garante que vai recorrer ao yoga e seu conjunto de benefícios.
Meditação

Sala de meditação no Hospital do Servidor Público Municipal de São Paulo: em breve, a prática estará presente também nos postos de saúde da cidade
Para que serve
Autocontrole, redução de estresse, doenças psicossomáticas (originárias de distúrbios emocionais), hipertensão, diabetes, TPM, problemas digestivos, entre outrosAo contrário de outras terapias, o objetivo da meditação não é exatamente curar alguma coisa. Por esse motivo, alguns não consideram, a princípio, uma terapia. No entanto, meditar significa obter maior auto-controle e, daí, ter benefícios que já estão comprovados cientificamente. Evitar o estresse, a depressão, as doenças psicossomáticas, o diabetes, a hipertensão, a insônia, a TPM, a gastrite, entre muitos outros problemas, são conseqüências da meditação.
Já se foi o tempo em que meditar era hábito somente dos monges budistas. Hoje em dia, a prática cresce entre os médicos ocidentais e já está sendo aplicada em hospitais, como suporte aos métodos terapêuticos convencionais. E não é só isso: em breve, a meditação estará presente em postos de saúde da cidade de São Paulo e, espantem-se, até na Polícia Militar do município. O objetivo é divulgar as práticas meditativas a toda comunidade, que poderá aprender a meditar gratuitamente.
A iniciativa não é sem propósito: um estudo canadense indicou que, após seis anos, os gastos de despesas com saúde entre as pessoas que praticam a meditação caíram 30%. Pesquisadores da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, fizeram um teste entre pacientes com câncer em estado avançado. Os enfermos foram separados em dois grupos, ambos recebendo tratamentos convencionais. Contudo, apenas um deles praticou também a meditação. Nesse grupo, a sobrevida dos pacientes foi de cerca de 18 meses superior à dos que não meditavam.
“Meditar não é uma técnica de relaxamento, pois o objetivo não é somente descansar”, afirma a bióloga Elisa Harumi Kozasa, que desenvolve pesquisa sobre o assunto na Unifesp. Segundo Elisa, a meditação leva o ser humano a transcender para um estado de superconsciência, conhecido há muito tempo pelos budistas. Nesse estado, o ser humano tem:
- Uma diminuição de cerca de 20% do consumo de oxigênio.
- Queda do nível de lactato no sangue; esse mesmo nível sobe nas situações de estresse.
- Liberação de endorfina, hormônio que serve de calmante natural.
- Aumento dos níveis de serotonina, responsável pelo prazer e pela alegria. “A meditação modifica a leitura do mundo”, garante o acupunturista Jou Eel Jia, um dos fundadores da sala de meditação do Hospital do Servidor Público Municipal de São Paulo (HSPM). Jia também está envolvido no ensino da meditação para a PM paulistana. Outro fundador da sala do HSPM, o pediatra Norvan Leite, está ministrando um curso para os médicos dos postos de saúde do bairro da Lapa, em São Paulo. “O objetivo é espalhar para as unidades da cidade inteira”, afirma. As técnicas usadas pelos dois médicos – e a mais difundida no Brasil – é a meditação Ch’an Tao, linhagem budista que recebeu o nome de Zen no Japão. O professor de meditação e religioso Moacir Mazzariol Soares explica a ligação: “Para nós, meditar é um meio para obter a iluminação, o autoconhecimento”.
Para quem quiser tentar, vale lembrar que meditar é um exercício de persistência e paciência. É uma prática que requer concentração – a mente deve ser esvaziada de todos os pensamentos, tornando-se, por alguns momentos, oca por dentro e resistente por fora, exatamente com um bambu.
É importante não confundir o estado meditativo com o sono, motivo pelo qual é recomendável que se medite sentado. O tempo médio recomendado é de 10 a 20 minutos, de preferência todos os dias. A posição de lótus, com as as mãos postas em forma de concha, as pernas cruzadas e os olhos semifechados, não é a única possível, tratando-se apenas de uma recomendação. No início, pode-se procurar um orientador para auxiliar na prática, que requer apenas um pouco de boa vontade para ser iniciada.
“A meditação modifica a leitura do mundo”
Dr. Jou Eel Jia
Longe dos remédios
A nikkei Mitie procurou a meditação há dois anos, pois nunca gostou dos remédios convencionais. “Sempre usei outros tipos de medicamentos, como os homeopáticos”, conta. Sentia os reflexos do estresse física e psicologicamente, o que a levou à tentativa de meditar. No entanto, esbarrou nas dificuldades de conseguir atingir o estado de vazio total e abandonou a técnica.Há três meses, Mitie voltou a sentir os sintomas de dois anos atrás. Lembrou-se então da paz e da tranqüilidade que havia sentido nas experiências que teve com a meditação. Resolveu tentar mais uma vez. Procurou o Hospital do Servidor Público Municipal de São Paulo (HSPM) e passou a freqüentar as aulas da doutora Eliana Bertini Ruas, com as quais está voltando, aos poucos, às práticas meditativas. “É difícil controlar os pensamentos, principalmente nos dias mais agitados”, diz Mitie, que dessa vez pretende continuar no tratamento.
Uma das colegas de aula de Mitie, Maria Lígia Porchat de Assis, de 54 anos, reforça: “Tem que estar muito determinado a prosseguir. Mas os resultados são bons, tanto que hoje eu consigo controlar e filtrar meus pensamentos. Lido melhor com as minhas preocupações”. Em conjunto com a meditação, os pacientes do HSPM fazem também a ginástica terapêutica chinesa lian gong, que trabalha a parte física dos participantes.
Reportagem: Erin Mizuta, Ricardo Ueno e Thiago Amaral Minami
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Ânimo renovado
Skate e Hatha-Yoga
Longe dos remédios



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