Oriente-se

Conheça as terapias orientais e os benefícios que elas podem trazer para você

Elas vieram do Oriente, ganharam milhares de adeptos e algumas, como a acupuntura, são reconhecidas pela medicina tradicional

Reiki
Para que serve
Principalmente, redução do estresse e males dele decorrentes. Também é utilizado como suporte a outras terapias e contra doenças psicossomáticas. Há relatos de curas de enfermidades graves, como o cancer
Acura pela energia universal, direcionada por meio das mãos. Certamente esse tipo de tratamento é um dos que mais podem despertar a desconfiança dos céticos, pois se fundamenta em algo além do físico, diferentemente de uma massagem ou sessão de acupuntura. No entanto, os adeptos garantem: o reiki, como é chamada a energia universal, cura de verdade, sejam problemas físicos, sejam emocionais. Doenças ou efeitos colaterais de tratamentos químicos podem ser curados ou amenizados. Depressão, estresse, ansiedade, resfriados, dores estomacais, câncer entre outras são alguns dos males que podem ser combatidos com a técnica.

“O reiki potencializa outras terapias, principalmente aquelas que se dão por meio do toque”, explica a especialista Neuza Zuchi, que ministra cursos no Brasil e em Portugal e tem experiência de 12 anos no assunto. Em japonês, a palavra reiki vem da junção de rei (universo) com ki (energia). Embora utilizada há milhares de anos no Oriente, a técnica só foi redescoberta em meados do século 19, pelo padre japonês Mikao Usui. O que não significa que o reiki tenha algum significado religioso. Pessoas servem como canais de transmissão do reiki, que é aplicado através das mãos, que são postas em diferentes locais do corpo do paciente. O toque não é imprescindível, mas é recomendado.

Embora não haja nada comprovado, existem relatos de curas físicas obtidas por meio do Reiki. Médicos e enfermeiras que usam a técnica observam uma resposta mais positiva de seus pacientes aos tratamentos convencionais. “Na clínica em que trabalho, consigo até conter os surtos de alguns pacientes”, explica Masako Gombata, que é aplicadora de reiki e auxilia deficientes mentais como assistente social.

O efeito mais evidente é a redução do estresse, o que traz tranqüilidade ao receptor da energia. “Com isso, a pessoa passa a se conhecer melhor e a entender a causa de seus problemas”, diz Masako. Tanto que alguns psicólogos indicam o reiki como complemento para terapias, dado o seu potencial de cura para distúrbios psicossomáticos (males físicos que se originam de problemas emocionais).

Para os que buscam uma terapia alternativa que pode ser auto aplicada, o reiki é um dos mais indicados. Pela simplicidade, pode ser utilizado no dia-a-dia a qualquer momento. Embora a eficácia da energia universal esteja ratificada apenas por testes empíricos, vale a tentativa para quem está disposto a apostar em algo mais que somente o cientificamente comprovado.

“O reiki potencializa outras terapias, principalmente as que se dão por meio do toque”
Neuza Zuchi, especialista

Welison Calandria/Made in JapanLeveza e tranqüilidade
A advogada Christianne Isejima Lima, de 31 anos, costumava ter problemas com o estresse do dia-a-dia. Sentia dores no corpo, irritação e ansiedade por causa da tensão à que era submetida. Por isso, buscou resolver seus problemas físicos e emocionais por meio da massagem, que não foi suficiente para ajudá-la. Procurou então o reiki e aprovou os resultados. Para a advogada, o método correspondeu às expectativas. “Na primeira vez em que usei o reiki, a sensação foi muito boa. Senti paz e tranqüilidade. Acalmou a tensão e trouxe paz de espírito”, conta. A especialista Alice Keiko Fujiura, que aplica reiki em Christianne, tem a explicação para o alívio da paciente: “O reiki faz fluir a energia, resolvendo os problemas emocionais”. A sensação de quem recebe a energia universal é descrita como a de um calor intenso na região que está sendo aplicada. “Saio da clínica com uma sensação de leveza. Depois que você faz a sessão de reiki, não tem como não acreditar. É uma energia usada em benefício do ser humano”.

Acupuntura
Para que serve
- Acupuntura
Welison Calandria/Made in JapanTendinite, lombalgia, problemas ósseo-articulares, pressão alta, diabetes, cervicalgia, gastrite, seqüelas de acidente vascular-cerebral, problemas emocionais (insônia, depressão), gastrointestinais, ginecológicos, dermatológicos de origem intestinal, diminuição de rugas e emagrecimento
- Auriculoterapia
Emagrecimento, tabagismo, enxaqueca, cólica. É mais indicado como “primeiros socorros” e não como um tratamento mais completo. Os resultados dependem também do esforço e da dedicação do paciente
- Moxabustão
Doenças crônicas ou friagem. Os resultados variam de acordo com a erva ou o tipo de calor empregado na técnica
Unica técnica oriental reconhecida como prática médica no Brasil, a acupuntura vem ganhando adeptos, não só entre os pacientes, mas também os estudantes de Medicina. De acordo com o chefe do Setor de Medicina Chinesa Acupuntura do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Universidade Estadual Paulista (Unifesp) e presidente da Associação Médica Mundial de Acupuntura, Ysao Yamamura, o curso de especialização de acupuntura é um dos mais procurados.

O curso também é ministrado no Hospital das Clínicas de São Paulo e em universidades federais do Rio de Janeiro, Ceará, Piauí, Distrito Federal e Pernambuco. Segundo estimativas da Sociedade Médica Brasileira de Acupuntura, existem 5 mil médicos acupuntores no Brasil.

A procura é favorável, já que a demanda é maior que o número de profissionais habilitados para exercer a técnica. “Não conseguimos prestar atendimento a todos os pacientes”, afirma Yamamura. Exemplo disso é o ambulatório do setor do qual é chefe, que vive lotado. Na unidade de Pronto-atendimento do Hospital São Paulo, ligado à universidade, são 60 pacientes por dia, em nove horas de atendimento. A técnica foi disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) à população em 1988, dez anos antes dos convênios médicos e seguros de saúde.

Tida como um dos principais elementos da medicina chinesa há mais de 5 mil anos, a acupuntura emigrou para a Coréia, o Japão e, mais tarde, para o Ocidente. Isso originou algumas variações, mas a essência é a mesma. A técnica consiste em estimular pontos-chave (também chamados de pontos-reflexos) localizados nos meridianos, linhas verticais imaginárias que percorrem o corpo. Por meio desses estímulos, o sistema nervoso central produz substâncias, como as endorfinas, que agem como analgésicos, antiinflamatórios e antidepressivos. Para a medicina oriental, a cura das doenças e a eliminação dos sintomas se deveram ao equilíbrio de energia entre yin e yang promovido pela acupuntura.

Segundo Yamamura, a técnica mais completa é a chinesa, a mais utilizada pelos médicos. Há quem discorde. O médico acupunturista Tadamassa Yamada, presidente do Grupo Oriental, que mantém a Clínica e a Escola Oriental de Massagem e Acupuntura, defende a visão japonesa. Ele afirma que o objetivo não é tratar a dor, mas sim a causa do problema. Por isso, não é correto aplicar as agulhas no local da dor. “A acupuntura visa o tratamento energético e físico, e não apenas o tratamento de sintomas”, diz.

Além da acupuntura, são utilizados o moxabustão e a auriculoterapia, que aplicam o mesmo princípio de pontos- reflexos. No primeiro caso, o estímulo é feito com calor, e, no segundo, os pontos trabalhados estão todos concentrados na orelha. Também é utilizada a acupuntura com eletroestimulação, feita com um aparelho ligado às agulhas, as quais intensificam a ação. A utilização é tão ampla que inclui benefícios estéticos, como tratamento de rugas e emagrecimento. A melhora da circulação e a ativação do metabolismo agem como rejuvenescedor da pele e facilitam a eliminação de líquidos.

O ortopedista e acupunturista Wu Tu Chung foi pioneiro no uso do método no Hospital do Câncer. Lá o método é usado no alívio da dor dos pacientes, principalmente da pediatria, e diminuição dos efeitos colaterais da quimioterapia, com bons resultados. As crianças experimentam o tratamento aconselhado pelos médicos. “A acupuntura já superou a fase de placebo há tempos”, afirma Chung.

“A acupuntura visa o tratamento energético e físico, e não apenas o tratamento de sintomas”
Dr. Tadamassa Yamada

Welison Calandria/Made in Japan

Agulhas contra o câncer
Fernanda Kato de Araújo, 14 anos, é a prova de que é possível fazer acupuntura mesmo quando se tem muito medo de agulhas. Medo não, “pavor”, como ela gosta de frisar. Fernanda era paciente do Hospital do Câncer, em São Paulo, quando começou o tratamento de acupuntura com o médico Wu Tu Chung.

A técnica visava amenizar a sensação de náusea e vômitos provocados pela quimioterapia no tratamento de um tumor no pulmão. “Tinha bastante medo. Preferia vomitar o estômago a fazer acupuntura”, diz ela. “Estava preocupada, mas foi bem tranqüilo”, conta Fernanda, sobre a primeira em vez que foi submetida às agulhadas. A aprovação foi total. “Acabei até dormindo por meia hora com a agulha na testa”, lembra. A acupuntura acompanhou todo o tratamento de Fernanda, que durou um ano. “Quando não fazia, eu vomitava o dia inteiro e não conseguia nem comer”. Hoje, um ano após o fim das sessões, ela garante que as pessoas não precisam ter receio de experimentar e recomenda. E o medo de agulha, já acabou? “Só de agulha de acupuntura”, responde.

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