Homens de peso
O sumô passa por um momento delicado. As grandes estrelas abandonaram a luta para seguir outras carreiras. Entre os nomes em ação despontam estrangeiros
13.04.2006

Ex-sumotori Konishiki durante o programa infantil da NHK, onde canta com crianças e vira uma bola voadora
Veja a galeria de fotosO leitor que não sabe quem são Musashimaru, Akebono e Konishiki mataria de desgosto qualquer fã de sumô no Japão. Ao lado dos japoneses que se destacavam nos campeonatos, como Takanohana, esses três estrangeiros foram responsáveis pelos melhores momentos do sumô no Japão há cerca de dez anos. Os confrontos eram aguardados com expectativa por uma massa de japoneses fanáticos e estrangeiros que, sem nunca ter contato anterior com o esporte, de repente se prostravam diante da TV para torcer por um dos lutadores.
Por causa de lesões adquiridas em muitos anos de carreira ou por razões pessoais, os três sumotoris estão hoje aposentados.
Longe do dohyo, a arena na qual as lutas são disputadas, os ex-lutadores seguiram caminhos bastante diferentes. O curioso é que nenhum deles pensou em ter alguma atividade relativa ao esporte, como ser treinador ou comentarista.
Konishiki em sua fase de ouro, quando ainda disputava os campeonatos de sumô no JapãoDos três, quem se deu melhor foi Konishiki, porque de longe tem maior exposição entre o público japonês. Dono de um restaurante em Tokyo (um dos pratos servidos é o chanko, tradicionalmente consumido pelos lutadores de sumô), ele ainda grava CDs de música e aparece em comerciais de TV. Fora dos holofotes do entretenimento, já foi enviado pelo governo japonês para receber a dama de ferro dos EUA, Condoleezza Rice, em uma das viagens ao Japão e faz até palestras sobre como administrar negócios – ainda que com conselhos batidíssimos do tipo “preste atenção nos clientes”. Mas é pela TV que ele é mais conhecido: Konishiki virou literalmente uma bola na emissora NHK. Ele aparece no programa infantil Nihongo de Asobou, canta com as crianças em japonês e desaparece voando no ar, num recurso de animação digital. Simpático, passou a ser conhecido como “Konichan”.
Akebono, que ganhou fama e admiração ao se tornar o primeiro estrangeiro a alcançar o título máximo de yokozuna, não foi tão feliz em suas escolhas. Em 2003, o havaiano anunciou que estava saindo do sumô para ser lutador de K-1, modalidade que reú ne praticantes de caratê, kickboxing e outras artes marciais no mesmo ringue. “Quero manter o meu orgulho como yokozuna e enfrentar um novo desafio.Meu entusiasmo pelos esportes de combate nunca esfriou e meu desejo de lutar aumentou novamente”, comentou.
Musashimaru observa um cassino nos EUA. Ele se tornou uma espécie de “embaixador” do sumô e costuma ser convidado para eventos de incentivo ao esporte fora do JapãoNem é preciso dizer que, hoje, muitas pessoas deixaram de dedicar o mesmo respeito por Akebono, afinal das seis lutas que disputou na nova modalidade ele perdeu cinco.
Outro ex-sumotori que se aposentou e agora incentiva a adesão de adolescentes ao sumô, Musashimaru não se intimida ao falar do antigo companheiro e completa que, em seu lugar, nunca faria o mesmo. “Na minha opinião, Akebono está fazendo a ele mesmo de bobo. Há falta de treino e ele também teria que perder muito mais peso”, critica.
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