Imigração

Memória Viva - A história de Tadao Mizuta

Depois de combater na Guerra Sino-Japonesa e na Segunda Guerra Mundial, Tadao Mizuta escolheu morar com a família no Brasil. Hoje, é um homem realizado, que vive cercado pelos filhos e netos no país que considera “o melhor do mundo”

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Década de 60

Antes de contar como foi minha chegada ao Brasil, preciso relatar algumas experiências que aconteceram pouco antes, mas que foram determinantes para que eu me decidisse embarcar com minha família em um navio para este País. Minha história começa em 1939, quando tinha 21 anos. Fui convocado pelo exército japonês, pois a Guerra Sino-Japonesa estava começando. No Japão, a carreira militar começa aos 20 anos. Na época, eu trabalhava como torneiro em um estaleiro naval na cidade de Sasebo, em Nagasaki, província onde nasci. Todos os recrutados eram submetidos a uma rigorosa avaliação, e quem passasse seria alistado.

Fotos: Álbum de Família
Cercados pelas netas Erin, Darien e Karen, os avós Taeko e Tadao Mizuta

Quando o examinador me comunicou que havia sido aprovado, eu fiquei muito contente, pois poderia servir ao país. Poucos haviam sido escolhidos, tanto que recebemos congratulações dos oficiais. Pelo que me lembro, eram apenas cerca de 20% dos convocados. Não pensava na possibilidade de ir para a guerra, estava feliz por ter sido aceito para lutar por meu país.

Por causa da Guerra Sino-Japonesa, fui enviado a Amagui, na província de Fukuoka, para um treinamento militar de 2 meses. Logo fui a Cantão, na China. Fazia parte da Artilharia Antiaérea e era responsável pelas comunicações telegráficas. Como o Japão já havia dominado o território, fiquei lá apenas para treinamento.

0124_tadao_fardado.jpgTadao Mizuta (fardado), antes de combater na Segunda GuerraDepois de um ano, teve início a Segunda Guerra. Eu fui transferido para o Vietnã, onde fiquei por 6 meses. Na época, o país era território francês e se chamava Saigon. Minha função era interromper a comunicação entre as tropas aliadas. Os ataques e a guerra estavam cada vez mais próximos. Dava para sentir a presença dos inimigos.

No primeiro bombardeio, senti um medo muito grande misturado à coragem de defender o país, que, no fim, prevalecia. Passei três meses em Bangcoc, na Tailândia. Também fui ao Camboja e à Birmânia. Quase no fim da guerra, fui transferido para Jacarta, na Indonésia. Muitos de meus companheiros que ficaram em Bangcoc foram dizimados, juntamente com um terço das tropas. Acredito que foi essa transferência que me salvou.

“Não pensava na possibilidade de ir para a guerra. Estava feliz por ter sido escolhido. Nessas horas, a gente não pensa nisso”Quando eu estava em Jacarta, chegou um comunicado especial do imperador dizendo que o Japão havia perdido a guerra. Foi uma decepção. Eu havia sido recrutado para treinamentos especiais e estava disposto a lutar até o fim. Fiquei desapontado. Nosso batalhão aguardou até que o navio japonês viesse nos resgatar.

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