Japão no Brasil

A arte dos samurais

Conheça os mestres do jojutsu que vieram ao Brasil

Made in Japan - Quando o sr. se tornou policial?
Kaminoda - Na Segunda Guerra Mundial, eu estava na Manchúria, onde trabalhava na ferrovia fazendo o transporte de mantimentos e soldados. Após a guerra, retornei ao Japão e entrei para a polícia.

MJ - Como era esse trabalho?
Kaminoda - Nós não podíamos utilizar armas de fogo ou armas brancas, como as katanás (facas), porque os Estados Unidos haviam proibido. Por isso, carregávamos o jitte como instrumento de autodefesa e uma corda para amarrar os presos.

MJ - O sr. arriscou a vida em alguma situação?
Kaminoda - Sim, os ladrões e rebeldes costumavam usar facas. Uma vez, em 1949, um mafioso coreano armado com uma kataná estava ameaçando pessoas em uma rua de Tokyo. Ele estava acompanhado de mais 5 ou 6 mafiosos. Aproximei-me dele e tirei a parte de cima de meu uniforme da polícia, pois ele não dava liberdade de movimentos para os braços. Peguei o jitte, e ele avançou contra mim. Defendi-me dos golpes da kataná com o jitte, imobilizei o mafioso e o amarrei. Depois conversei com os outros e os convenci a ir conosco para a delegacia. Acabei recebendo uma condecoração especial da polícia por isso.

MJ - Em que o sr. pensou na hora de enfrentar os mafiosos?
Kaminoda - Estava ali para pegá-los, portanto não me passou nenhum pensamento de recuo ou de medo. Tive um sentimento de vazio, como se não sentisse nada, e minha atenção era em capturá-lo. Mais tarde é que fui pensar em como aquilo havia sido perigoso.

MJ - O sr. faria isso nos dias de hoje?
Kaminoda - Claro. Tenho muita autoconfiança. Podem vir, que ainda hoje sou capaz de imobilizá-los.

MJ - Na sua opinião, o que é ser samurai?
Kaminoda - É buscar sempre a correção. O guerreiro treina por anos e anos, e o espírito que resulta desse treinamento é o que mais se aproxima do bushido (caminho do guerreiro). Aí você vive e toma decisões de acordo com o bushido. Isso é ser samurai. Não é só ficar lendo ou praticando. É aprimorar o espírito. O espírito do samurai é ética, gratidão, fidelidade.

MJ - O que mais chamou a sua atenção em São Paulo?
Kaminoda - No primeiro dia em que cheguei aqui, fui visitar o Museu Histórico da Imigração, no bairro da Liberdade. Fiquei emocionado, porque me lembrei do sacrifício que os japoneses fizeram para chegar ao Brasil, viajando até 6 meses dentro de um navio. Isso me serviu de grande estudo. Aprendi muito.

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