Atami
A cidade litorânea de Atami oferece boas oportunidades de descanso
01.02.2004

Nos anos 30, Atami era um badalado balneário para onde corriam animados casais em lua de mel, dispostos a passar os dias de folga entre banhos de onsen (piscinas naturais aquecidas pelo calor dos vapores vulcânicos) e passeios de mãos dadas pela orla marítima. Era uma época em que os japoneses quase não viajavam para fora do país e os programas turísticos tradicionais ocupavam lugar de destaque na lista de opções de lazer. Afinal, numa mesma cidade estavam reunidos, além dos onsens, templos centenários e uma das mais tradicionais escolas de gueixas do Japão — que protagonizavam concorridos shows de danças típicas. Daquela época para cá, pouco mudou na atmosfera da cidade. É certo que a palavra badalação está longe de figurar entre os adjetivos que melhor descrevem essa cidade de 62 quilômetros quadrados e 45 mil habitantes, fincada na província de Shizuoka. Hoje, quem chega em Atami tem a impressão de ter viajado no tempo.
O cenário nostálgico só muda um pouco na alta temporada, quando são realizados festivais. “Os turistas lotam a cidade no Ume Matsuri (Festa das Ameixeiras)”, conta o encarregado de turismo de Atami, Tsutomu Inaba. “Mas há muitos casais que vêm à cidade para relembrar os velhos tempos”.
Um passeio familiar é o que pode ser feito pelo Jardim das Ameixeiras, palco dos festivais que atraem multidões no inverno. O local ficou famoso por ser o primeiro lugar em que as ameixeiras florescem em todo o arquipélago. E também pelo clima festivo em torno da eleição da Rainha das Ameixeiras, que ocorre todos os anos. Nesse evento que lembra a tradicional Festa da Uva, a bebida oficial é o amazaki, uma bebida de arroz com baixo teor alcoólico. A arte é outra constante em Atami. É por causa do MOA Museum of Art, inagurado em 1982, que turistas fãs de obras de arte correm para Atami. O lugar é apoteótico. São seis gigantescos lances de escada rolante até o primeiro pavilhão, no qual pode-se contemplar uma réplica idêntica a da famosa Casa de Chá Dourada, totalmente revestida de ouro, erguida em 1586 pelo megalomaníaco xogum Toyotomi Hideyoshi.
Depois de Kyoto, Atami detém uma das mais conceituadas casas de gueixas do Japão. Mas é no teatro e nos festivais que as beldades nipônicas podem ser avistadas com mais facilidade. Aos fins de semana são realizados espetáculos de dança e música no teatro que fica dentro da própria Casa das Gueixas. O professor de dança Hanaigi Sugashu acredita que o show das gueixas é uma das formas mais fáceis de entrar no clima da cidade. “Este é o ambiente ideal para entrar em contato com o melhor da tradição japonesa”, diz. Quem confere o espetáculo de perto entende logo o recado.
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